

Irmãos, a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem. Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia. Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os co-herdeiros da mesma promessa. Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor. Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão “comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar”. Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa,
mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, e se se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá. Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles. Foi pela fé que Abraão, posto à prova, ofereceu Isaac; ele, o depositário da promessa, sacrificava o seu filho único, do qual havia sido dito: “É em Isaac que uma descendência levará o teu nome”. Ele estava convencido de que Deus tem poder até de ressuscitar os mortos, e assim recuperou o filho – o que é também um símbolo.
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou! Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos. Para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança. e o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.
Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu próprio Filho, para todo o que nele crer, encontre a vida eterna.
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O ventou cessou e houve uma grande calmaria. Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra do dia de hoje nos deu uma lição perfeita sobre a fé da Igreja Católica. Esta fé foi-nos dada por Jesus Cristo e nos foi anunciada pelos Apóstolos. Esta fé da Igreja Católica professa e crê firmemente na humanidade de Cristo – como o descendente prometido por Deus aos Patriarcas e ao rei Davi -, e na divindade de Cristo – como Filho de Deus, nosso Redentor e Salvador -, que foi enviado a este mundo para redimir-nos de nossos pecados e para nos salvar, como disse João: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu próprio Filho, para todo o que nele crer, encontre a vida eterna” (Jo 3, 16).
No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus Cristo se deu a conhecer em sua humanidade pelo convívio com as pessoas que se encontravam com ele e com os Apóstolos que o acompanhavam em todos os lugares. Para dar uma demonstração de sua humanidade, “Jesus disse a seus discípulos: ‘Vamos para a outra margem!’ Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro” (Mc 4, 35-38).
Porém, logo a seguir Jesus realizou um milagre espetacular para despertar nos apóstolos a fé na sua divindade. Por isso, “os discípulos acordaram Jesus e o disseram: “‘Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?’ Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O ventou cessou e houve uma grande calmaria. Então Jesus perguntou aos discípulos: ‘Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?’ Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: ‘Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem'” (Mc 4, 38-41)? Desta forma, os apóstolos foram levados por Jesus a enxergá-lo com os olhos da fé, tornando-os, assim, capazes de ver as realidades espirituais e invisíveis, como disse o Apóstolo Paulo: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem” (Hb 11, 1).
Da mesma forma como Jesus levou os apóstolos a reconhecerem-no, pela fé, que ele era o Messias e Filho de Deus, que fora prometido a Abraão e a Davi, também os judeus deveriam acreditar, com uma fé verdadeira e sincera. Deste modo, deveriam proclamá-lo com as mesmas palavras de Zacarias, que dizia: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou! Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos. Para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança” (Lc 1, 68-72).
Santo Tomás de Aquino, num breve resumo, deu uma bela definição sobre a fé católica, que nos foi apresentada nas leituras da Liturgia da Palavra de hoje. Este grande doutor da Igreja, num breve sermão, ele dizia o seguinte sobre a nossa Fé Católica: “Assim como proclamava o Apóstolo Paulo, na Carta aos Hebreus, dizendo que: a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, e a convicção acerca de realidades que não se veem (Hb 11, 1); também nós podemos dizer que a fé, essencialmente, diz respeito às coisas que haveremos de gozar na visão da vida eterna, e ao mistério do caminho de salvação, que a ela nos conduz!
Portanto, continua Santo Tomás de Aquino, são dois os pilares da fé católica, e que podem ser vistas com toda clareza e evidência apenas na Vida Eterna. Entretanto, foi-nos dado o poder de alcançar alguns vislumbres, nesta vida terrena, com os olhos da fé, tais como: ‘o Deus Uno e Trino, e o mistério da humanidade do nosso Senhor Jesus Cristo, que é o caminho de acesso à glória dos filhos de Deus (Rm 5,2)’! Por isso, diz o Evangelista João: “A Vida Eterna é esta: que conheçamos e vejamos o Deus único e verdadeiro e a Jesus Cristo, que tu enviaste (Jo 17, 3). Portanto, a fé católica está fundamentada primeiramente nas verdades sobre Deus; e em segundo lugar, no conhecimento do Mistério da Humanidade de Jesus, bem como numa adesão de fé ao nosso Senhor Jesus Cristo, o único e verdadeiro caminho de vida e salvação”!
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