

Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada. Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca de umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo? Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras”.
É feliz quem a Deus se confia! Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Glória a Cristo, palavra eterna do Pai que é amor! Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes!
Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’ O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos’ “.
Caríssimos discípulos e discípulas do Senhor! Hoje, na Liturgia da Palavra nós somos instruídos pela mais genuína sabedoria divina! Os verdadeiros sábios instruídos pelo Espírito Santo na mais autêntica sabedoria de vida, quer sejam eles profetas, apóstolos ou o próprio Mestres Divino, todos estes sábios costumavam estabelecer um contraste e uma certa oposição entre as coisas da carne e as coisas do espírito. Todos eles eram unânimes em dizer que havia, neste mundo e no coração de cada homem, um conflito enorme entre o bem e o mal; entre os interesses da carne e os valores do espírito; entre os bens materiais deste mundo e os bens espirituais que vêm de Deus; entre o rico e o pobre!
O profeta Jeremias, o salmista Davi e Jesus Cristo em seu Evangelho, pregando a Palavra de Deus, instruíram as pessoas de forma unânime na mais genuína sabedoria de vida. Diziam eles que os malditos, os infelizes e os soberbos, os maus, os perversos e os ricos materialistas eram os que faziam consistir o sentido de suas vidas nas coisas da carne e nos bens materiais daqui deste mundo. Como profetizou Jeremias, dizendo: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor” (Jr 17, 5). Ou ainda, como dizia Davi sobre a sorte futura dos malvados e perversos, dizendo: “Pois, bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte” Sl 1, 4; 6).
Por outro lado, os benditos, os felizes e bem-aventurados seriam os justos, os bons e os pobres em espírito! Pois, todos estes que procurassem conduzir as suas vidas nos caminhos do Senhor, seguindo os seus preceitos, seriam agraciados por Deus com uma vida feliz. Foi, portanto, a respeito destes homens que o profeta se referia, dizendo: “Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor” (Jr 17, 7). Ou ainda, como dizia o rei Davi: “É feliz todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se. Pois todos estes encontram o seu prazer na lei de Deus e a meditam, dia e noite, sem cessar” (Sl. 1, 1-2). Por fim, ele concluiu, dizendo: “É feliz quem a Deus se confia” (Sl 39,5)!
Embora estas coisas não sejam tão evidentes enquanto se vive neste mundo, entretanto, tudo ficará bem claro depois da morte, na outra vida! Lá, depois de passar pela triagem e pelo julgamento de Deus, os maus haverão de viver uma vida tenebrosa e atormentada; uma vida de malditos e de infelizes! E os justos, por sua vez, terão uma vida bendita e feliz, repleta de consolo e de paz! Era exatamente isto que dizia o profeta: “Eu sou o Senhor, que perscruto os corações e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras” (Jr, 17, 8). Ou conforme o testemunho do Salmista: “Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte” (Sl 1, 6)!
Ou ainda, como dizia o próprio Jesus Cristo – aquele que ressuscitou dos mortos e que se tornou o nosso mestre na sabedoria de vida que vem de Deus –, que apresentou-nos a seguinte parábola do Evangelho: “Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’ O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos’ ” (Lc 16, 22-31).
Contudo, pouco importa ser rico ou pobre para se alcançar a salvação; o que importa, na verdade, é afastar-se das tentações do mundo, observar os preceitos do Senhor e guardar-se na santidade até o fim da vida, como disse o Senhor: “Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim permanecerem perseverantes” (Lc 8, 15)!
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