

Irmãos, ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. E tu, por que julgas o teu irmão? Ou, mesmo, por que desprezas o teu irmão? Pois é diante do tribunal de Deus que todos compareceremos. Com efeito, está escrito: “Por minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua glorificará a Deus”. Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.
O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!
Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor.
Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-os comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra que acabamos de ouvir, faz-nos um apelo insistente afim que busquemos com todo ardor a nossa salvação. E o primeiro passo no caminho de salvação se dá num decidido afastamento do pecado e na disposição sincera de uma verdadeira conversão de vida. Então, voltando-nos decididamente para o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, caminharemos de passos firmes no caminho de salvação, para entrar na Casa do Senhor e contemplar a sua face!
Caros irmãos, é o próprio Senhor e Salvador nosso, Jesus Cristo, quem nos fez este apelo tão cheio de ternura e compaixão, convocando-nos a abandonar esta vida tão miserável e cansativa de permanecer sujeito à escravidão do pecado, dizendo: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor” (Mt 11, 28).
Ele mesmo, Jesus Cristo, o nosso Salvador, delicadamente e com toda solicitude, se aproxima dos pecadores para ajudá-los a fazer este itinerário de conversão e de redenção de seus pecados. Ele se põe ao lado dos pecadores, sem nenhum receio de se contaminar com as suas impurezas, para ajudá-los a se reerguerem e retornarem ao caminho de salvação. Jesus Cristo se põe do lado dos pecadores ainda hoje, em qualquer lugar onde estiverem, assim como ele fazia naquele tempo, quando ele ia até junto deles e fazia refeições com os pecadores e publicanos. Como disse o evangelista Lucas: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus, dizendo. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles'” (Lc 15, 1-2). Os fariseus, na verdade, criticavam Jesus porque julgavam que ele estivesse aprovando e incentivando o comportamento pecaminoso dos publicanos e pecadores, ao sentar-se à mesa com eles. Mas, Jesus Cristo, sem se importar com os seus detratores, se aproximava dos pecadores para ajudá-los a sair deste lamaçal de pecados; pois ele sabia que eles sozinhos, entregues à própria sorte, não conseguiriam sair deste abismo de pecados.
A seguir, Jesus Cristo contou duas pequenas parábolas para explicar esta sua atitude de aproximar-se dos pecadores, para auxiliá-los no processo de sua conversão e de sua salvação. Jesus deixou bem claro que nas moradas celestes – Deus e seus anjos -, todos eles ficariam muito felizes ao verem a conversão de cada pecador, que se pusesse decididamente no caminho de salvação, dizendo: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lc 15, 7). Ou ainda, em outras palavras, Jesus disse: “Pois, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte” (Lc 15, 10).
São Paulo, na Carta aos Romanos, advertia os cristãos de Roma a estarem muito atentos com suas vidas para se manterem numa conduta de vida irrepreensível, afastando-se de todo pecado, mantendo-se na santidade e na graça de Deus, à qual foram chamados. Todos deviam permanecer vigilantes e preparados para aquele grande dia do julgamento do Senhor. “Pois é diante do tribunal de Deus que todos compareceremos. Com efeito, está escrito: “Por minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua glorificará a Deus”. Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14, 10-12).
Por isso, São Paulo exortava a todos os fiéis cristãos a permanecerem unidos a Cristo, o Senhor e Salvador, pois, com dizia o apóstolo: “De agora em diante, ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos” (Rm 14, 7-9).
E assim, uma vez convertidos e justificados, todos os cristãos poderão glorificar o Senhor, caminhando pressurosos no caminho de salvação, dizendo-lhe: “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!” (Sl 26, 1; 4; 14).
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