

Irmãos, ninguém se iluda: Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Com efeito, está escrito: “Ele apanha os sábios em sua própria astúcia”, e ainda: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios; sabe que são vãos”. Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.
Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável. “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, * e do Deus de Israel buscam a face”.
Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente.
Naquele tempo, Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.
Caríssimos irmãos e irmãs! As três leituras da Liturgia da Palavra de hoje nos exortam, cada uma ao seu modo, a deixarmos as coisas deste mundo para buscarmos as coisas de Deus. Dizendo desta forma, pode parecer que exista uma oposição entre este mundo criado por Deus aqui na Terra e as realidades do próprio Deus Criador no seu Reino Celeste. Entretanto, a sabedoria da Palavra de Deus que nos foi ensinada por Cristo – conforme as leituras que ouvimos -, exige uma atitude de desapego das coisas deste mundo, que são passageiras, para ter a devida disposição de trabalhar pela sua salvação, afim de alcançar o Reino dos Céus, onde se encontram os bens mais preciosos e eternos!!
O Evangelho que acabamos de ouvir nos apresentou Jesus dando início à sua obra missionária, pregando o seu Evangelho na praia de Cafarnaum. Como disse o evangelista Lucas, “Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões” (Lc 5, 1-3).
Esta primeira pregação de Jesus feita ali na praia, estando ele sentado na barca de Pedro, revelava uma série de significados espirituais e simbólicos de grande importância para Jesus e para a sua futura Igreja. Fazendo a sua pregação na praia e ensinando às multidões a partir da barca, significava que Jesus estava pescando homens, recolhendo-os naquela barca espiritual que era a sua Igreja. Por isso, Jesus entrou na barca de Pedro, para significar que todas as pessoas por ele evangelizadas e convertidas eram recolhidos dentro da Igreja de Pedro, que era, por sua vez, a sua Igreja. Com esses gestos Jesus ensinava os seus discípulos a arte de pescar gente, como ele mesmo haveria de dizer logo a seguir: “Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente” (Mt 4, 19).
Assim que Jesus despediu as multidões, ele voltou-se exclusivamente a Pedro, João e Tiago, pedindo-lhes para que levassem a barca ao alto mar, para pescar. Pedro obedeceu unicamente em atenção à sua palavra. Pois, na verdade, Jesus tinha a intensão de realizar um sinal que revelaria o poder divina de suas palavras; despertando nestes homens a fé e a conversão; fazendo de Pedro, de João e de Tiago os seus primeiros discípulos e apóstolos; como autênticos missionários do seu Evangelho. Por isso, no final de tudo, disse Jesus a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens” Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus” (Lc 5, 11).
A partir daquele momento, Pedro, João e Tiago deixaram tudo o que possuíam neste mundo, para se dedicarem inteiramente à Palavra de Deus e ao Senhor e Salvador Jesus Cristo. Deixando, assim, as redes e as barcas de pesca, fizeram-se discípulos de Jesus, para aprender a arte de serem “pescadores de gente”, como o próprio Jesus acabara de lhes dizer: “Vinde após mim, disse o Senhor, e eu vos ensinarei a pescar gente” (Mt 4, 19).
Mais tarde, São Paulo, em seu trabalho missionário, exortava os fiéis de Corinto a relativizarem as coisas deste mundo e a deixassem de lado, sobretudo, as vaidades mundanas da sabedoria dos homens. E assim, livres destas vaidades, os fiéis cristãos estariam em boas condições de abraçarem aquela verdadeira sabedoria do Evangelho de Cristo e de caminharem livres e contentes no caminho de salvação, unidos ao Salvador Jesus Cristo! Por isso, disse Paulo: “Ninguém se iluda: Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum” (1Cor 3, 18-19; 21). E o Apóstolo concluiu dizendo: “Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 3, 21-23).
E o profeta, seguindo este mesmo raciocínio, exortava a todos, dizendo: “Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam. ‘Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?’ Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador” (Sl 23, 2-5).
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