

Não confies nas tuas riquezas e não digas: “Basta-me viver!” Não deixes que tua força te leve a seguir as paixões do coração. Não digas: “Quem terá poder sobre mim?” ou: “Quem me fará prestar contas das minhas ações?”, pois o Senhor, com certeza, te castigará. Não digas: “Pequei, e o que de mal me aconteceu?”, pois o Altíssimo é paciente. Não percas o temor por causa do perdão, cometendo pecado sobre pecado. Não digas: “A misericórdia do Senhor é grande, ele me perdoará a multidão dos meus pecados!”; pois dele procedem misericórdia e cólera, e sua ira se abate sobre os pecadores. Não demores em voltar para o Senhor, e não adies de um dia para outro, pois a sua cólera vem de repente e, no dia do castigo, serás aniquilado. Não te apoies em riquezas injustas, pois elas de nada te valerão no dia da desgraça.
Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Acolhei a palavra de Deus, não como palavra humana, mas como mensagem de Deus, o que ela é, em verdade!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga’. Pois todos hão de ser salgados pelo fogo. Coisa boa é o sal. Mas se o sal se tornar insosso, com que lhe restituireis o tempero? Tende, pois, sal em vos mesmos e vivei em paz uns com os outros”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje faz um apelo inflamado pela conversão dos pecadores, dos perversos, dos iníquos, dos soberbos e dos provocadores de escândalos. Deus, por meio de palavras muito duras e com sérias ameaças de um castigo eterno, convocava a todos estes pecadores inveterados e obstinados em suas maldades e paixões desordenadas a mudarem de vida, libertando-se de seus pecados. E assim, arrependidos, deveriam acolher sinceramente a misericórdia de Deus, enquanto era tempo. Pois, a todos estes já estava preparado um castigo tenebroso e cruel, aos que permanecerem obstinados no mal até a hora do Juízo Final. Como dizia o sábio profeta: “Não demores em voltar para o Senhor, e não adies de um dia para outro, pois a sua cólera vem de repente e, no dia do castigo, serás aniquilado” (Eclo 5, 8-9).
Salomão fez o seu discurso penitencial, dirigindo-se diretamente a cada homem que havia se deixado arrastar pelas suas próprias paixões desordenadas, pela riqueza ou pelos atrativos do mundo, dizendo-lhes: “Não confies nas tuas riquezas e não digas: ‘Basta-me viver!’ Não deixes que tua força te leve a seguir as paixões do coração. Não digas: ‘Quem terá poder sobre mim?’ ou: ‘Quem me fará prestar contas das minhas ações?’, pois o Senhor, com certeza, te castigará” (Eclo 5, 1-3).
E o sábio profeta prosseguiu em seu discurso, exortando os pecadores a não deixarem-se levar por falsos raciocínios, acreditando que não seriam jamais punidos, enganando-se a si mesmos, dizendo: Que Deus, na sua misericórdia infinita nunca o castigou pelos seus muitos pecados, portanto, não o haveria de castigar depois da morte. Por isso o sábio profeta dizia: “Não digas: ‘Pequei, e que de mal me aconteceu?’, pois o Altíssimo é paciente. Não percas o temor por causa do perdão, cometendo pecado sobre pecado. Não digas: ‘A misericórdia do Senhor é grande, ele me perdoará a multidão dos meus pecados!’, pois dele procedem misericórdia e cólera, e sua ira se abate sobre os pecadores. Não demores em voltar para o Senhor, e não adies de um dia para outro, pois a sua cólera vem de repente e, no dia do castigo, serás aniquilado” (Eclo 5, 4-9).
O Salmista, por sua vez, exortava os justos a perseverarem no caminho reto, conduzindo suas vidas nos preceitos do Senhor, pois eles seriam, certamente, recompensados por Deus, com uma vida eterna feliz e bem-aventurada. Entretanto, aos malvados, aos perversos e aos que zombam das coisas de Deus já está reservado a estes um justo castigo, dizendo: “Bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte” (Sl 1, 5-6).
Jesus Cristo no seu discurso evangélico e penitencial, não se mostrou nada indulgente e complacente com os pecadores que não estivessem dispostos a dar sinais de arrependimento. Ele abriu o seu discurso demonstrando toda a sua indignação contra os malvados e promotores de escândalos, que se prevalecessem covardemente de sua autoridade e do seu conhecimento da Palavra de Deus, para corromper os simples e os pequenos, dizendo-lhes: “E se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço” (Mc 9, 42).
A seguir, Jesus disse que todo pecador que viesse a cometer iniquidades, sem ter feito penitência, ao apresentar-se no Juízo Final com tais pecados, ele seria lançado nos infernos. E ele repetiu estas ameaças por três vezes seguidas, deixando bem claro que o Senhor Jesus – na condição de Juiz do Juízo Final -, seria inclemente e justo, lançando no fogo dos infernos todos os malvados impenitentes. Por isso, Jesus fez este impressionante e forte apelo de conversão, para que os seus discípulos fizessem tudo o que fosse possível para evitar este tenebroso castigo, dizendo: “Pois, se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se paga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga'” (Mc 9, 44-48).
Por fim, caros irmãos, tomemos bem a sério estas advertências que recebemos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como disse São Paulo: “Acolhei a palavra de Deus, não como palavra humana, mas como mensagem de Deus, o que ela é, em verdade” (1Ts 2, 13)!
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