

“Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti. O Senhor entrará em posse de Judá, como sua porção na terra santa, e escolherá de novo Jerusalém. Emudeça todo mortal diante do Senhor, ele acaba de levantar-se de sua santa habitação”.
A minh’alma engrandece ao Senhor, e se alegrou o meu espÃrito em Deus, meu Salvador, pois, ele viu a pequenez de sua serva, eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos. Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. De bens saciou os famintos e despediu, sem nada, os ricos. Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.Â
Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus!
Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando à s multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aà fora, e querem falar contigo”. Jesus perguntou à quele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discÃpulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A festividade da Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria no Templo tem a sua origem nos tempos mais remotos da Igreja Católica. No Oriente, a Igreja Ortodoxa celebrava esta festa mariana como uma das mais importantes celebrações litúrgicas, chamando-a de “A Entrada da Mais Sagrada Mãe de Deus no Templo”.
Esta festividade, caros irmãos, teve sua origem num documento apócrifo, escrito por volta do ano 200 depois de Cristo, no assim chamado: “Evangelho de Tiago”. De acordo com estes relatos, os pais da virgem Maria, Joaquim e Ana, que não podiam ter filhos, receberam uma mensagem dos céus de que teriam uma filha. Como agradecimento pela graça da filha que lhes veio, eles a levaram ainda pequena para o Templo de Jerusalém, para consagrá-la a Deus. Versões posteriores, muito veneradas e aceitas pela Igreja, diziam que a Virgem Maria, inspirada pelo Espirito Santo, tomara a iniciativa de se consagrar inteiramente a Deus, apresentando-se aos serviços no Templo. Por volta do século VI, a festa litúrgica da Apresentação de Maria no Templo já fazia parte do calendário litúrgico da Igreja.
Esta festa, contudo, pretendia estabelecer uma relação muito estreita entre Maria SantÃssima e o Templo de Jerusalém. Assim como ela trouxe o seu filho Jesus em seu ventre – fazendo com que seu corpo se tornasse um verdadeiro templo de Deus -, da mesma forma como o Templo de Jerusalém era considerada a morada de Deus neste mundo. Por isso, as mesmas palavras que o profeta Zacarias disse a respeito do Templo de Jerusalém, poderiam ser perfeitamente aplicadas à Virgem Maria, quando disse: “Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti” (Zc 2, 14-15).
E, logo após a anunciação do Anjo Gabriel, Maria elevou a Deus uma oração de louvor, por ter sido agraciada por Deus, trazendo em seu ventre o Salvador e Filho de Deus, dizendo: “A minh’alma engrandece ao Senhor, e se alegrou o meu espÃrito em Deus, meu Salvador, pois, ele viu a pequenez de sua serva, eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome” (Lc 1, 46-49)!
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, reconheceu que Maria era, de fato, a sua mãe, por duplo sentido: o primeiro sentido se deu no fato de ele reconhecer que aquela mulher que estava lá fora era, de fato, a sua a sua mãe santÃssima, a qual merecia todo respeito e consideração. E o segundo sentido, foi quando Jesus declarou que a sua mãe Maria SantÃssima adquirira este tÃtulo de ser a sua mãe, por ter sido aquela que cumpriu a vontade de Deus com a máxima perfeição. Diante desta circunstância, Jesus aproveitou-se da presença de sua mãe e de seus irmãos para evangelizar os seus discÃpulos, dizendo: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discÃpulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12, 48-50).
Portanto, caros irmãs com estas palavras o Senhor nosso Jesus Cristo, o filho de Maria e Filho de Deus, quis dizer que todo aquele que praticar com perfeição a palavra de Deus, pode ser equiparado à dignidade de sua mãe santÃssima. Por isso, Jesus disse: “Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus” (Lc 11, 28)!
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