

A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. Quanto a ti, Filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são um povo rebelde. Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio. À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro, pelo qual sairás; deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro. Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel”. Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no muro. Saí ao escuro, carregando a bagagem às costas, diante deles. De manhã, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Filho do homem, não te perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo? Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio. O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá ao escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto para não ver com seus olhos o país”.
Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás; irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel. Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se.
Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: “Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?” O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos oferece um testemunho muito forte da parte de Deus, ameaçando-nos com castigos e tormentos se levarmos uma vida de pecados e iniquidades, guardando rancor daqueles que nos ofenderam. Deus, como justo juiz, haverá de punir severamente os desobedientes, os delinquentes e os que não guardam os preceitos do Senhor. Inclusive, como disse Jesus, seriam excluídos da misericórdia de Deus todos aqueles que não tiverem misericórdia, por se negarem a dar o perdão a quem os ofendeu!
A Sagrada Escritura nos mostra que no Antigo Testamento, o Povo de Israel era ameaçado por Deus de sofrer a invasão de povos estrangeiros que os atormentariam com a guerra, com a escravidão e com o exílio. Todos estes castigos aconteceriam sobre o Povo Eleito, se este abandonasse o Deus verdadeiro, adorando ídolos; e se eles se rebelassem contra os mandamentos da Lei de Deus. Os castigos divinos seriam infligidos sobre os judeus pela exclusão da Terra Prometida, sofrendo, assim, os terrores da guerra, da miséria, da escravidão e do exílio.
Conforme as palavras do Profeta, que denunciava Israel em seus pecados, lhes disse: “Eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás; irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel. Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se” (Sl 77, 56-62)
Por isso, nos tempos do profeta Ezequiel, Deus havia decidido exterminar o Reino de Israel, fazendo com que os sobreviventes fossem exilados e entregues à escravidão em terras estrangeiras. Assim sendo, o profeta Ezequiel disse: “A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: ‘Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. Quanto a ti, Filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles'” (Ez 12, 2-3).
Da mesma forma como o profeta fugiu como um exilado, aconteceria em breve com todo o Reino de Israel, conforme as palavras do Senhor, que disse: “Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio” (Ez 12, 10-11).
Jesus Cristo, no Novo Testamento, nos revelou que Deus, o Justo Juiz, reservou para toda a humanidade, um castigo medonho contra todos aqueles que cometessem pecados e iniquidades, sem fazerem penitência e sem se arrependerem. Além disto, eles seriam excluídos do Reino dos Céus e seriam atormentados eternamente nos infernos, se, porventura, guardassem rancor em seus corações e não perdoassem de coração sincero os irmãos que os ofenderam. Pois, assim como o Deus de misericórdia perdoa aqueles que o ofendem, também nós deveríamos ser misericordiosos, perdoando a quem nos ofendeu.
Deste modo, para explicar o perdão misericordioso de Deus por nós e estimular-nos a perdoar os nossos irmãos da mesma forma, Jesus contou a seguinte parábola, dizendo: “O Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados” (Mt 18, 23). E prosseguindo na parábola, Jesus disse que este rei havia perdoado a dívida de um de seus empregados, que era, na verdade, uma enorme fortuna. Mas, depois disto, este empregado foi muito cruel com um irmão dele, que lhe devia uma quantia insignificante. Então, o rei vindo a saber disto, disse: “Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida” (Mt 18, 32-34). E por fim, Jesus fez a aplicação da parábola, dizendo: “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão” (Mt 18 35).
Com estas palavras, caros irmãos, o Senhor Jesus nos ensinou que o perdão dado aos que nos ofendem é uma das condições fundamentais para que sejamos admitidos no Reino dos Céus. Por isso, ó Senhor nosso Deus de misericórdia, dai-nos a graça de perdoar a quem nos ofendeu, segundo a vossa vontade, e “fazei brilhar o vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos” ( Sl 118, 135)!
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