

Irmãos, escutai o que declara o Espírito Santo: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como aconteceu na provocação, no dia da tentação, no deserto, onde vossos pais me tentaram, colocando-me à prova, embora vissem as minhas obras, durante quarenta anos. Por isso me irritei com essa geração e afirmei: sempre se enganam no coração e desconhecem os meus caminhos. Assim jurei em minha ira: não entrarão no meu repouso”. Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade, levando-o a afastar-se do Deus vivo. Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser “hoje”, para que nenhum de vós se endureça pela sedução do pecado pois tornamo-nos companheiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até ao fim a nossa confiança inicial.
Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras. Quarenta anos desgostou-me aquela raça e eu disse: Eis um povo transviado, seu coração não conheceu os meus caminhos!’ E por isso lhes jurei na minha ira: “Não entrarão no meu repouso prometido!”
Jesus pregava a Boa-Nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo.
Naquele tempo, um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se queres tens o poder de curar-me”. Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. Então Jesus o mandou logo embora, falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje quer despertar em nós uma fé autêntica e sincera. Pois somente a fé que nos converte para Cristo pode nos dar a salvação; desde que permaneçamos nesta fé até o fim de nossa vida.
É tradição antiquíssima na Igreja, desde os tempos apostólicos, atribuir os salmos, os livros sapienciais e os escritos proféticos como palavras pronunciadas por boca do Espírito Santo; assim como os Evangelhos do Novo Testamento seriam palavras pronunciadas por Jesus Cristo, nosso Senhor. Por isso, toda vez que os Apóstolos e os nosso santos Padres Apostólicos, ou os escritores e doutores antigos faziam referência aos escrito do Antigo Testamento, sobretudo aos Salmos, entendiam que estavam se referindo às palavras inspiradas pelo Espírito Santo.
Portanto, caros irmãos, era o Espírito Santo quem exortava à fé e à uma conversão autêntica e sincera a Deus, dizendo: “Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras” (Sl 94, 6-9).
Assim como, lá no deserto, o Espírito Santo falara através de Moisés, acompanhado de muitos sinais, também Jesus Cristo anunciava o seu Evangelho, acompanhado de sinais maravilhosos. Do mesmo modo como as palavras e os sinais que foram dados pelo Espírito, naquele tempo lá no deserto, para a conversão do povo de Israel; agora, Jesus Cristo, ao anunciar o seu evangelho, acompanhado de sinais e prodígios, eram ditos daquela forma para obter a conversão e a salvação do novo Povo de Deus! certamente a reclamação do Espírito Santo foi a mesma de Jesus Cristo, ao encontrar tanta má disposição de conversão, do povo de Deus; tanto no tempo antigo, quanto nos tempos de Jesus, dizendo: “Irmãos, escutai o que declara o Espírito Santo: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como aconteceu na provocação, no dia da tentação, no deserto, onde vossos pais me tentaram, colocando-me à prova, embora vissem as minhas obras, durante quarenta anos. Por isso me irritei com essa geração e afirmei: sempre se enganam no coração e desconhecem os meus caminhos. Assim jurei em minha ira: não entrarão no meu repouso” (Hb 3, 7-11).
No Evangelho que ouvimos, Jesus voltou-se cheio de compaixão em direção a um leproso que, pondo-se de joelhos, demonstrava-lhe uma fé surpreendente em seus poderes divinos, dizendo-lhe: “Se queres tens o poder de curar-me”. Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: ‘Eu quero: fica curado!’ No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado” (Mc 1, 40-42). Por isso, apesar das resistências, as pessoas mais simples e humildes, maravilhadas com os milagres de Jesus, despertavam-se à fé em Cristo, vendo-o como um homem de Deus, munido de poderes divinos de curar todo tipo de enfermidades, como disse o Evangelista Mateus: “Jesus pregava a Boa-Nova do Reino de Deus e curava toda espécie de doenças entre o povo” ( Mt 4, 23).
E ao mesmo tempo Jesus exortava a todos a se livrarem de seus pecados, mediante um sincero arrependimento, dando sinais de verdadeira conversão, recordando aquelas palavras ditas pelo Espírito Santo: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Sl 94, 8). Portanto, “cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade, levando-o a afastar-se do Deus vivo” (Hb 3, 12).
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