

Assim fala o Senhor: “Ai de Assur, vara de minha cólera, bastão em minhas mãos, instrumento de minha indignação! Eu o envio contra uma nação Ãmpia e ordeno-lhe, contra um povo que me excita à ira, que o submeta à pilhagem e ao saque, que o calque aos pés como lama nas ruas. Mas ele assim não pensava, seu propósito não era esse; pelo contrário, sua intenção era esmagar e exterminar não poucas nações. Pois diz o rei da AssÃria: ‘Realizei isso pela força da minha mão e com minha sagacidade, pois tenho experiência; aboli as fronteiras dos povos, saqueei seus tesouros, e derrubei de golpe os ocupantes de altos postos; minha mão empalmou como um ninho a riqueza dos povos; e como se apanha uma ninhada de ovos, assim ajuntei eu os povos da terra, e não houve quem batesse asa ou abrisse o bico e desse um pio’. Mas acaso gloria-se o machado, em detrimento do lenhador que com ele corta? Ou se exalta a serra contra o serrador que a maneja? Como se a vara movesse quem a levanta e um bastão erguesse aquele que não é madeira. Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo”.
Eis que oprimem, Senhor, vosso povo e humilham a vossa herança; estrangeiro e viúva trucidam, e assassinam o pobre e o órfão! Eles dizem: “O Senhor não nos vê e o Deus de Jacó não percebe!” Entendei, ó estultos do povo; insensatos, quando é que vereis? O que fez o ouvido, não ouve? Quem os olhos formou, não verá? Quem educa as nações, não castiga? Quem os homens ensina, não sabe? O Senhor não rejeita o seu povo e não pode esquecer sua herança: voltarão a juÃzo as sentenças; quem é reto andará na justiça.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos ensina e nos revela os mistérios mais elevados sobre a natureza de Deus, sobre a sua imensa sabedoria, sobre a providência divina e sobre os mistérios do seu Reino. Mesmo que pareça que Deus tenha se ausentado do mundo, e que tenhamos sido abandonados por ele aqui, deixando-nos a mercê dos Ãmpios e dos prepotentes; contudo, ele continua mantendo uma presença espiritual e permanente neste mundo, sobretudo amparando e instruindo os pequenos e humildes, bem como envolvendo de cuidados o seu Povo.
A Palavra de Deus que nos foi dirigida pelo profeta IsaÃas serviu como uma prova perfeita para demonstrar a presença espiritual e providente de Deus neste mundo. O profeta IsaÃas demonstrou que Deus tinha plena ciência de tudo o que se passava entre os homens, e que tudo estava ao seu dispor e conhecimento, de acordo com a sua vontade e a sua divina providência. Por isso, Deus disse, por meio do profeta, que ele estava se servindo do rei Assur como um mero instrumento em suas mãos, para punir o seu povo, por causa de suas impiedades e de suas maldades. Por isso disse o Senhor, por meio do profeta IsaÃas: “Ai de Assur, vara de minha cólera, bastão em minhas mãos, instrumento de minha indignação! Eu o envio contra uma nação Ãmpia e ordeno-lhe, contra um povo que me excita à ira, que o submeta à pilhagem e ao saque, que o calque aos pés como lama nas ruas” (Is 10, 5-6).
Porém, quando Assur, cheio de presunção se ensoberbecera em demasia, atribuindo à si os grandes feitos bélicos, e de ter subjugado meio mundo por meio de seu braço poderoso, Deus, então, mandou dizer-lhe: “Mas acaso gloria-se o machado, em detrimento do lenhador que com ele corta? Ou se exalta a serra contra o serrador que a maneja? Como se a vara movesse quem a levanta e um bastão erguesse aquele que não é madeira. Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo” (Is 10, 15-16).
Por sua vez, caros irmãos, o profeta Davi começou a consolar os pobres e humildes do seu povo, repreendendo-os pela falta de fé e confiança em Deus, por acharem que o Senhor os tivesse abandonado nas mãos dos Ãmpios e dos malfeitores, dizendo: “Entendei, ó estultos do povo; insensatos, quando é que vereis? O que fez o ouvido, não ouve? Quem os olhos formou, não verá? Quem educa as nações, não castiga? Quem os homens ensina, não sabe? O Senhor não rejeita o seu povo e não pode esquecer sua herança: voltarão a juÃzo as sentenças; quem é reto andará na justiça” (Sl 93. 8-10; 14-15).
Já no Evangelho que acabamos de ouvir, irmãos carÃssimos, nós fomos surpreendidos por Jesus Cristo com um dos mais belos discursos proferidos por ele em toda a sua pregação evangélica. Em pouquÃssimas palavras Jesus fez um breve resumo de seu Evangelho! Então, na presença de todos os seus discÃpulos, Jesus elevou a Deus um hino de louvor no qual ele bendizia ao Pai por ter escolhido e providenciado homens verdadeiramente simples e humildes, sem muito estudo e formação intelectual para dar-lhes a conhecer a mais elevada sabedoria divina e revelar-lhe os mistérios do Reino de Deus, dizendo: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11, 25-26).
A seguir, prosseguindo em seu discurso, Jesus revelou alguns dos pontos fundamentais destes mistérios divinos que estavam sendo manifestados aos apóstolos, dizendo: “Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11, 26-27). Deste modo, num momento de grande inspiração divina, Jesus revelou aos seus discÃpulos o quanto ele, o Filho, e Deus Pai estavam felizes e exultantes em poder instruir os pequenos e humildes; e poder, assim, compartilhar com eles os mistérios mais elevada e sublime da sabedoria divina; transformando estes pobres discÃpulos em mestres e doutores nos mistérios do Reino de Deus e da salvação dos homens!
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