

O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. Sim, o Senhor Deus é meu auxiliador; quem é que me vai condenar?
Por vossa causa é que sofri tantos insultos e o meu rosto se cobriu de confusão; eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador; e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim! O insulto me partiu o coração. Eu esperei que alguém de mim tivesse pena; procurei quem me aliviasse e não achei! Deram-me fel como se fosse um alimento, em minha sede ofereceram-me vinagre! Cantando, eu louvarei o vosso nome e, agradecido, exultarei de alegria! Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres e não despreza o clamor de seus cativos.
Salve, Cristo, Luz da vida, companheiro na partilha! Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros.
Naquele tempo, um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: “O que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O mestre manda dizer: O meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”. Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.
Caríssimos servos e servas do Servo Sofredor! A Liturgia da Palavra desta Quarta-feira da Semana Santa, nos coloca bem no início da grande Paixão de Cristo. Nas leituras que nós acabamos de ouvir, vimos que os inimigos de Jesus já não conseguiam mais esconder o seu ódio por ele. Todos o rodeavam, com olhares ameaçadores, lançando sobre ele palavras de insultos, acusações caluniosas e ofensas. E um de seus discípulos, Judas Iscariotes, covardemente uniu-se aos seus inimigos para trair e conspirar contra Jesus
O discurso de ódio de seus inimigos, recheado de calúnias e de insultos contra Jesus, conseguiu convencer as multidões! Inclusive consegui convencer um de seus discípulos, Judas Iscariotes, para se colocar do lado dos perseguidores e caluniadores, para conspirar contra Jesus. No entanto, o próprio Jesus, sem se perturbar e sem se intimidar pelas ameaças de seus inimigos, se sentia, em todo caso, angustiado com esta situação absurda que se abateu sobre ele. Este bando de canalhas lhe haviam preparado uma emboscada, sem que ele tivesse feito nada por merecer tal humilhação e maus-tratos!
Judas Iscariotes, que se fizera amigo e discípulo de Jesus e que fora chamado por Cristo para ser um dos Doze Apóstolos; e, além disto, ele tivera a graça de conviver com Jesus por três anos. E agora, furtivamente, pervertera-se completamente! Deixando-se levar pelo Maligno e por seus maus pensamentos, tornou-se o inimigo mais perverso e covarde de Jesus. Este homem, dissimulado e hipócrita, fingindo-se de amigo, não teve receio em trair Jesus, levando-o à morte! Jesus mesmo deixou claro o quão monstruoso era o seu pecado, e o quanto indignado ele estava com este gesto de Judas. Por isso, Jesus disse: ”’Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair’. Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?’ Jesus respondeu: ‘Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!’ Então Judas, o traidor, perguntou: ‘Mestre, serei eu?’ Jesus lhe respondeu: ‘Tu o dizes’” (Jo 13, 21-25).
Entretanto, caros irmãos, Jesus suportou tudo isto com uma resignação perfeita, depositando tudo nas mãos de Deus! O profeta Isaías, como que vislumbrando este momento perturbador do Servo de Deus e do nosso Senhor Jesus Cristo, disse: “O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. Sim, o Senhor Deus é meu auxiliador; quem é que me vai condenar” (Is 50, 5-9)?
Os inimigos buscavam pretextos para acusá-lo, para cobri-lo de insultos e levá-lo, assim, à morte. Como profetizou Davi, dizendo: “Por vossa causa é que sofri tantos insultos e o meu rosto se cobriu de confusão; eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador; e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim” (Sl 68, 8-10)!
Contudo, apesar de tudo isto, elevando os olhos aos céus, Jesus Cristo dirigiu ao Pai a seguinte oração, dizendo: “Cantando, eu louvarei o vosso nome e, agradecido, exultarei de alegria! Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres e não despreza o clamor de seus cativos” (Sl 68, 31-34). Por isso, caros irmãos, o aclamemos, dizendo: “Salve, Cristo, Luz da vida, companheiro na partilha! Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros” (Acl. ao Ev.).
WhatsApp us