1Irmãos, quero lembrar-vos o Evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.
Os céus proclamam a glória do Senhor, * e o firmamento, a obra de suas mãos; 3o dia ao dia transmite esta mensagem, * a noite à noite publica esta notícia. 4Não são discursos nem frases ou palavras, * nem são vozes que possam ser ouvidas; 5seu som ressoa e se espalha em toda a terra, * chega aos confins do universo a sua voz.
Sou o caminho, a verdade e a vida, diz Jesus; Filipe, quem me vê, igualmente vê meu Pai!
Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me, eu estou no Pai, e o Pai está em mim.
Caríssimos discípulos e discípulas do Cristo Ressuscitado! Celebramos hoje a festa dos santos apóstolos Filipe e Tiago. Por isso, a Liturgia da Palavra deixa de lado o tema pascal para celebrar a memória destes dois santos apóstolos, que fizeram parte do grupo dos Doze Apóstolos, fundadores da Igreja Católica.
A respeito destes dois apóstolos temos poucas referências históricas além daquelas que os livros sagrados do Novo Testamento nos oferecem. Filipe era natural de Betsaida, da Galileia, bem próximo de Nazaré. Ele foi um dos primeiros a ser chamado por Jesus, como disse João no seu Evangelho: “No dia seguinte, Jesus decidiu partir para a Galileia e encontrou Filipe. Jesus, então, disse-lhe: ‘Vem e segue-me”‘ (Jo 1, 43)! A seguir, Filipe fez um vigoroso ato de fé diante de Natanael, reconhecendo que Jesus era o Messias prometido por Deus, dizendo-lhe: “Encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, bem como os profetas” (Jo 1, 45). Posteriormente, ele exerceu o ministério apostólico, conforme o historiador Eusébio de Cesareia, na região da Grécia, Síria e Frígia. Teve no final da vida um glorioso martírio na cidade de Hierápolis.
São Tiago, por sua vez, foi apresentado na lista dos Doze Apóstolos como “Tiago, filho de Alfeu e irmão de Judas Tadeu” (Mt 10, 3). Ele era de Nazaré, da Galileia, também chamado Tiago Menor, para distingui-lo do outro Tiago. Era, além de apóstolo, irmão do Senhor! Paulo, na primeira carta aos Corintos, dizia que Tiago fora privilegiado com uma aparição muito particular de Jesus ressuscitado, dizendo: “Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos” (1Cor 15, 7). A tradição o identificou com aquele Tiago, o Justo, e o irmão do Senhor, que presidiu a Igreja de Jerusalém e que escreveu uma epístola. Foi martirizado por apedrejamento no tempo do Sumo Sacerdote Anás II, no ano de 62. Posteriormente, a Liturgia Romana uniu a data da comemoração destes dois santos apóstolos, Filipe e Tiago Menor, num mesmo dia.
Na Liturgia da Palavra, tanto o Evangelho anunciado por nosso Senhor Jesus Cristo, quanto o Evangelho pregado pelos Apóstolos, ambos seriam perfeitamente iguais! Tanto um quanto o outro ensinavam e anunciavam o mesmo assunto, que consistia em apresentar a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, na sua condição humana e na sua natureza divina; revelando, assim, os fundamentos do mistério da salvação. Por isso, Jesus disse aos apóstolos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. E disse a Filipe: “Quem me vê, igualmente vê meu Pai” (Jo 14, 6b.9c)! E, logo a seguir, ele se deu a conhecer, revelando a sua condição divina, dizendo: “Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me, eu estou no Pai, e o Pai está em mim” (Jo 14, 9-11).
Seguindo este mesmo padrão estabelecido por Jesus, vemos que o Evangelho de Paulo – e de todos os Apóstolos -, ia na mesma linha de Jesus Cristo. O tema central e fundamental do Evangelho pregado pelos Apóstolos consistia, basicamente, no anúncio da Pessoa Divina e Humana de nosso Senhor Jesus Cristo. E este Evangelho pregado pelos Apóstolos, que ficou registrado na Sagrada Escritura, tornou-se o “catecismo” da Igreja Apostólica, no qual todos os pregadores da Palavra de Deus deveriam se ater e permanecer fiéis. Bem como, todos os fiéis cristãos, discípulos do Senhor, deveriam crer, com fé firme e perseverante. Pois, era a fé neste Evangelho que estava baseada a nossa salvação!
Portanto, esta foi a orientação que o Apóstolo Paulo deu aos Corintos, dizendo em nome de todos os outros apóstolos: “Irmãos, quero lembrar-vos o Evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão” (1Cor 15, 1-2).
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