

Caríssimos, esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros, não como Caim, que, sendo do Maligno, matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida. E vós sabeis que nenhum homicida conserva a vida eterna dentro de si. Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos. Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas, diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de Deus permanecer nele?Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! Aí está o critério para saber que somos da verdade e para sossegar diante dele o nosso coração, pois, se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus.
Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos! Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, Ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho. Entrai por suas portas dando graças, e em seus átrios com hinos de louvor; dai-lhe graças, seu nome bendizei! Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!
Um dia sagrado brilhou para nós: nações, vinde todas adorar o Senhor: pois hoje desceu grande luz sobre a terra.
Naquele tempo, Jesus decidiu partir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse: “Segue-me”. Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi” Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira?’ Coisas maiores que esta verás!” E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
Caríssimos irmãos, A Liturgia da Palavra nos mostra que os Apóstolos, com o auxílio da graça divina, desde os primeiros instantes foram capazes de realizar atos de fé extraordinários, demonstrando que, logo nos primeiros encontros com Jesus, eles o reconheceram em seus aspectos sobrenaturais e espirituais, professando a sua fé na divindade de Cristo! E, junto com a fé, os apóstolos compreenderam a mensagem de bondade e de amor que Jesus Cristo transmitia.
Deste modo, caros irmãos, os primeiros apóstolos – Filipe e Bartolomeu – que entraram em contato com Jesus sentiram-se profundamente impressionados com a sua extrema bondade e amabilidade no trato com os outros, levando-os a estabelecer com ele um diálogo respeitoso e sincero. Além disto, como estes homens eram judeus piedosos, perceberam imediatamente os traços místicos e sobrenaturais que emanavam daquele homem de Deus tão extraordinário que eles viam pela primeira vez. Tudo isto fez com que Jesus pudesse facilmente despertar naqueles homens – Filipe e Bartolomeu – uma fé singela e sincera, levando-os a querer testemunhar a todos aquilo que estava presenciando naquele momento; para que pudessem compartilhar com todos os homens justos e piedosos a alegria de terem encontrado o Senhor, dizendo: “Um dia sagrado brilhou para nós! Nações, vinde todas adorar o Senhor: pois desceu grande luz sobre a terra” (Acl. ao Ev.).
Assim, estes primeiros apóstolos, Filipe e Bartolomeu, iluminados por uma fé sobrenatural, acreditaram e reconheceram que este Jesus era o prometido por Moisés e pelos profetas. Acreditaram e deram um admirável testemunho de fé em Jesus Cristo, reconhecendo-o como o “Messias” prometido, como o “filho de Davi” e como o “Filho de Deus”, conforme a profissão de fé de Natanael – também chamado de Bartolomeu -, que disse: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1, 49). E estes Apóstolos, apesar das provações posteriores, perseveraram até fim de suas vidas nesta fé e neste amor a Cristo, dando um testemunho ao mundo inteiro desta sua fé em Jesus Cristo, reconhecendo-o como o Messias e o Filho de Deus.
Mais tarde, o apóstolo São João dando o seu testemunho de fé, disse em sua carta que os cristãos deviam perseverar na fé que receberam dos apóstolos, sem se descuidarem da caridade e do amor ao próximo, assim como os próprios apóstolos aprenderam de Jesus, desde o primeiro instante. Pois, depois de terem aderido com fé a Jesus Cristo eles mantiveram uma comunhão de amor com Jesus e um vínculo de amor fraterno entre o grupo dos apóstolos. Conformando, assim, as suas vidas com o Evangelho de Cristo, os apóstolos exortavam a todos a viverem a caridade e o amor mútuo. Por isso disse João: “Caríssimos, esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1Jo 3, 11-12).
E para confirmar os seus irmãos na caridade fraterna, como um dos fundamentos do Evangelho de Cristo, São João disse ainda: “Quem não ama, permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida. E vós sabeis que nenhum homicida conserva a vida eterna dentro de si. Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos. Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade” (1Jo 3, 11; 14-18)!
Portanto, assim como o amor ao próximo era fundamental para se obter a salvação, também era a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, expressa por gestos de piedade e de amor a Deus, como exortava o profeta Davi, dizendo: “Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos! Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente” (Sl 99, 2; 5)!
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