

Depois que o homem comeu da fruta da árvore, o Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”. Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.
Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece! Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero. No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minh’alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora. Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa.
Irmãos: Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. Por isso, não desanimamos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.
O príncipe deste mundo agora será expulso; e eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.
Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste domingo nos adverte e nos ensina que Satanás e seus demônios habitam, infelizmente, este nosso mundo tenebrosos. E, além disto, desde quando Adão e Eva pecaram, entrou no mundo o mal e o príncipe das trevas, Satanás. Isto fez com que Satanás e seus demônios se associassem com os homens iníquos. Desde então o Maligno tornou-se o príncipe deste mundo! Porém, Jesus Cristo veio até nós aqui neste mundo, para nos livrar de todo mal e do Maligno, afim de dar-nos a redenção e a salvação!
Pois, caros irmãos, estes seres malignos, que povoam este mundo, estão sempre prontos a nos tentar e nos seduzir para que pratiquemos o mal. Porém, Jesus Cristo nos garantiu que ele veio a este mundo especialmente para combater estes inimigos tenebrosos e para colocar-se ao nosso lado, para nos defender destes maus espíritos, como ele mesmo disse: “O príncipe deste mundo agora será expulso; e eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 31-32)!
Lá no inicio dos tempos, quando Deus perguntou à Eva porque ela transgrediu a sua ordem e cometeu o pecado, ela respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi” (Gn 3, 13). E, logo a seguir, Deus se dirigindo a Satanás, travestido de serpente, lhe disse: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 14-15). Desde então, Adão e Eva, junto com toda a sua descendência, por todos os tempos, teriam que conviver com estes perversos inimigos neste mundo: o Diabo e todo o seu exército de demônios, que estão sob o seu comando.
Quando Jesus Cristo veio a este mundo para nos salvar, ele mesmo tomou para si a missão de combater Satanás. Durante toda a sua vida pública nós o vimos num combate duríssimo e sem tréguas, contra o inimigo da humanidade. Os adversários de Jesus, os fariseus e os mestres da Lei – dominados pelos demônios -, começaram a injuriá-lo com uma absurda e infame acusação, dizendo que Jesus estaria expulsando os demônio pelos poderes de Satanás. “Pois, os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios” (Mc 3, 22). E Jesus, ouvindo esta infame distorção, com toda a mansidão, lhes respondeu: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído” (Mc 3, 23-26).
Porém, depois de dizer isto, aproveitando-se desta ocasião, Jesus revelou-lhes duas importantes verdades. Primeiramente ele deixou claro que Jesus Cristo era, na verdade, aquele homem forte, munido com poderes divinos para combater o dono da casa, que era o príncipe deste mundo, Satanás. E somente ele podia derrotá-lo e aniquilá-lo, quando disse: “Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa” (Mc 3, 27). E por fim, Jesus disse que a vitória final seria dele, ao dizer: “O príncipe deste mundo agora será expulso; e eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 31-32)!
A seguir, caros irmãos, Jesus lançou uma dura advertência contra todos aquele que blasfemassem contra o Espírito Santo, confundindo-o com Satanás; deixando bem claro que semelhante blasfêmia seria um pecado tão iníquo e perverso, que a pessoa que o cometesse não encontraria meios de se arrepender e nem seria perdoado por Deus, conforme as palavras de Cristo: “Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno” (Mc 3, 29).
Portanto, irmãos caríssimos, com toda coragem e confiança na proteção divina combatamos o iníquo tentador e perseveremos no caminho de salvação, como disse Paulo: “Por isso, não desanimamos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável” (2Cor 4, 16-17). Estejamos, portanto, sempre prontos e vigilantes, clamando a Deus pela nossa proteção e pela nossa salvação, dizendo: “Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece! Pois, eu vos temo e em vós espero” (Sl 129, 1-4).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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