

O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria; todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens; mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. E Adão exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem”. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.
Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem! A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa. Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida, para que vejas prosperar Jerusalém, e os filhos dos teus filhos. Ó Senhor, que venha a paz a Israel, que venha a paz ao vosso povo!Â
Irmãos: Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos.
Se amarmos uns aos outros, Deus em nós há de estar; e o seu amor em nós se aperfeiçoará.
Naquele tempo, Alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” Os fariseus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” Em casa, os discÃpulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”. Depois disso, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discÃpulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste domingo nos apresenta uma breve explicação sobre os fundamentos doutrinais do Sacramento do Matrimônio. E ela pretende ressaltar algumas virtudes e valores fundamentais do matrimônio cristão, como a fidelidade, a santidade e a comunhão de amor e de vida entre os esposos, que são, na verdade, os fundamentos constitutivos de uma famÃlia cristã.
Lá no inÃcio da criação, quando Deus criou os seres humanos aqui neste mundo, ele os fez homem e mulher. E, ao criar o homem, Deus logo percebeu que o homem não podia ficar só, pois precisava de uma companheira semelhante a ele, que lhe fizesse companhia e que pudesse auxiliá-lo em muitas coisas que ele não podia fazer sozinho. E dentre estas coisas que somente a mulher poderia realizar era o de gerar filhos, para que a humanidade se multiplicasse. Por isso, Deus disse: “‘Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele’. Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. E Adão exclamou: ‘Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem’. Por fim o próprio Deus concluiu, realizando uma aliança conjugal entre o casal, dizendo: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne'” (Gn 2, 24).
Aquela natural união conjugal entre o homem e a mulher foi elevada, posteriormente, por Jesus Cristo, pela força de sua graça, ao grau de sacramento. Desta forma, retomando aquela antiga e primordial aliança que Deus estabelecera entre Adão e Eva, ele a transformou, pelo vÃnculo e pela graça do sacramento do matrimônio, numa aliança muito mais firme e estável. Por isso, Jesus disse: “No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mc 10, 6-9)!
Assim sendo, caros irmãos, o casal cristão, unido pelo sacramento do matrimônio, seria revestido da graça divina para que ambos seguissem firmes no caminho de salvação, em justiça e santidade, unindo-se estreitamente a Jesus Cristo. Como disse o Apóstolo: “Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos” (Hb 2, 11). Por isso, marido e mulher unidos pelo vÃnculo do matrimônio, suportando juntos os sofrimentos e as provações da vida, estariam imitando a Cristo. Pois, como disse o Apóstolo, a vida e a salvação vieram por meio do Salvador Jesus Cristo, “por quem e para quem todas as coisas existem -, o qual desejou conduzir muitos filhos à glória – Jesus deveria levar o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos” (Hb 2, 10).
Desta forma, Jesus Cristo quis que esta união conjugal se tornasse, pelo vÃnculo do sacramento do matrimônio, o fundamento sólido da famÃlia cristã. Pois, por meio deste sacramento Deus concederia ao casal cristão aquelas graças necessárias para que ele pudesse desempenhar bem todas as responsabilidades da vida familiar e conjugal, ao longo de toda a vida, para alcançarem justos a sua salvação! Tornando-os, assim, bem dispostos em auxiliarem-se mutuamente nas necessidades desta vida, resguardando-se no amor e na paz. Como disse o profeta: “Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem! A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa. Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida, para que vejas prosperar Jerusalém, e os filhos dos teus filhos” (Sl 127, 1-6).
E este vÃnculo estreito da união conjugal deveria se consolidar no amor mútuo, como disse São João: “Se amarmos uns aos outros, Deus em nós há de estar; e o seu amor em nós se aperfeiçoará” (1Jo 4, 12).
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