

É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo. “Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, como luz, expandem-se meus juízos; quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais do que holocaustos”.
Falou o Senhor Deus, chamou a terra, do sol nascente ao sol poente a convocou. Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos. Não te diria, se com fome eu estivesse, porque é meu o universo e todo ser. Porventura comerei carne de touros? Beberei, acaso, o sangue de carneiros? Imola a Deus um sacrifício de louvor e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo. Invoca-me no dia da angústia, e então te livrarei e hás de louvar-me”. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
Irmãos, Abraão, contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: “Assim será a tua posteridade”. Não fraquejou na fé, à vista de seu físico desvigorado pela idade – cerca de cem anos – ou considerando o útero de Sara já incapaz de conceber. Diante da promessa divina, não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se na fé e deu glória a Deus, convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu. Essa sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça. Afirmando que a fé lhe foi creditada como justiça, a Escritura visa não só à pessoa de Abraão, mas também a nós, pois a fé será creditada também para nós, que cremos naquele que ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor. Ele, Jesus, foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação.
Foi o Senhor quem me mandou anunciar a boas notícias; proclamar a libertação aos pobres e aos que estão no cativeiro!
Naquele tempo, partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas, sim, os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.
Caríssimos discípulos e discípulas de nosso Senhor Jesus Cristo! A Liturgia da Palavra de hoje nos mostra que Deus pessoalmente chamou e elegeu os seus profetas e apóstolos para o seguirem e serem os seus missionários, como ministros da sua Palavra e do seu Evangelho. Foi o Senhor quem os instruiu e os enviou em missão, como mestres e doutores da Palavra de Deus! E assim, coube aos missionários e discípulos do Senhor colocarem-se inteiramente à sua disposição; guardarem com fidelidade o seu Evangelho; pondo-se, assim, a caminho para evangelizar!
A nossa religião cristã, que Cristo veio trazer a este mundo, consistia, basicamente, no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, em dar ouvidos ao seu Evangelho e testemunhar a sua Palavra de vida! Com efeito, o profeta Oséias, um antigo discípulo do Senhor, já dizia: “É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor” (Os 6, 3). Deste modo, tudo teria o seu início na iniciativa de Cristo, ao fazer o “chamamento” para “segui-lo”. Assim, todos aqueles que recebessem esta convocação de Cristo, deveriam refletir consigo mesmos, e dar-lhe uma resposta de adesão de fé, seguindo-o! E por fim, todos aqueles que o seguissem, receberiam as graças necessárias para o seguimento, pois, como disse o Senhor: “A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus” (Sl 49, 23).
Entretanto, existem, várias opções possíveis de se responder ao chamado de Cristo. Vejamos algumas respostas apresentadas na passagem do Evangelho que acabamos de ouvir. Uma delas, poderia ser aquela de Mateus. Pois, o próprio Mateus, ao ser chamado por Jesus para segui-lo, prontamente e sem titubear, ele se colocou a disposição de Jesus, seguindo-o; conforme o seu próprio testemunho, que disse: “Naquele momento partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus” (Mt 9, 9).
O outro modo de responder ao seu chamado para segui-lo, foi aquele dos companheiros de Mateus, os coletores de impostos e pecadores públicos. Todos estes, convocados para um jantar com Jesus Cristo, na casa de Mateus, se fizeram presente. Embora sentindo-se desafiados por esta figura carismática e misteriosa, não se dispuseram a seguir Jesus naquele momento, mas, protelaram o seu seguimento para mais tarde. Como disse Mateus: “Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos” (Mt 9, 10). E Jesus deixou implícito o seu chamado aos cobradores de impostos, dizendo-lhes: “De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9, 13).
Uma outra reação diante do chamado de Jesus para segui-lo, pode ser aquela dos fariseus, que ali apareceram. Estes, como pessoas enxeridas e abelhudas, com a intensão de denegrir Jesus, começaram a criticá-lo. Quando foram confrontados por Jesus, se sentiram desafiados a ter que dar-lhe uma resposta, diante de um implícito chamado que Jesus lhes fazia, para segui-lo. Porém, estes, se sentindo de tal modo “justos”, não se achavam dignos de compartilhar da companhia de Jesus – que se metia a comer com os pecadores -; por isso, rejeitaram imediatamente a proposta de seguir Jesus. Conforme o testemunho de Mateus: “Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: ‘Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?’ Jesus ouviu a pergunta e respondeu: ‘Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas, sim, os doentes. Aprendei, pois, o que significa: Quero misericórdia e não sacrifício. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores’” (Mt 9, 11-12).
Por fim, queremos apresentar o grande, talvez o maior dos discípulos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: o nosso pai na fé, Abraão! Ele foi o primeiro a ser chamado a segui-lo e que deu um testemunho fabuloso de fé, de esperança e de amor a Deus, respondendo prontamente ao chamado do Senhor, como disse Paulo: “Abraão, contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: ‘Assim será a tua posteridade’. Diante da promessa divina, não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se na fé e deu glória a Deus, convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu. Essa sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça” (Rm 4, 18; 20-22).
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