

Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos. Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas. Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor, Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas. Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.
Que alegria, quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi.
O amor de Deus se realiza em todo aquele, que guarda sua palavra fielmente.
Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos alerta sobre uma questão muito delicada e complexa. Ela nos diz que a conduta de vida dos cristãos e dos discípulos de Cristo, que vivem segundo o espírito, não pode ser do mesmo modo como levam as pessoas mundanas e seculares, que vivem segundo a carne. Pois os cristãos buscam as coisas celestes e eternas, e os mundanos buscam as coisas terrestres e temporais.
Jesus Cristo, no Evangelho que acabamos de ouvir, nos contou uma parábola para nos explicar estes mistérios da nossa vida neste mundo. Pois os critérios morais e éticos dos homens que vivem segundo os valores deste mundo são muito mais largos e permissivos do que os valores morais e éticos dos cristãos e discípulos de Cristo. Pois, estes têm o compromisso de se ater estritamente aos critérios morais de honestidade e de justiça em seus negócios. Já os que não creem e vivem uma vida mundana, ao sabor das paixões da carne, não estão comprometidos nem com a verdade, nem com a justiça e muito menos com a honestidade. Assim sendo, eles seguem critérios morais que lhes convém em cada circunstância. E, neste caso, quanto mais espertalhões eles forem, maiores vantagem eles terão nesta vida! Por isso, Jesus concluiu a sua parábola sobre o administrador desonesto, dizendo: “E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” (Lc 16, 7-8).
São Paulo, escrevendo a sua carta aos filipenses, alertou-os sobre a conduta de vida que eles deviam guardar, como cristãos – discípulos de Cristo -, e como cidadãos dos céus, dizendo: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos. Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor, Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas. Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor” (Fl 3, 17; 20-2. 4, 1).
Portanto, quem quiser permanecer na graça de Deus e na santidade, guardando a sua palavra, é necessário permanecer firme no seu amor. Pois, como disse São João: “O amor de Deus se realiza em todo aquele, que guarda sua palavra fielmente” (1Jo 2, 5).
E, ao mesmo tempo, Paulo aproveitou-se daquele momento para chamar a atenção de todos aqueles cristãos que estavam se comportando muito mal, levando uma vida relaxada e mundana, que os levaria a perder tudo o que esperavam do Senhor, dizendo: “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas” (Fl 3, 18-19).
Enfim, caros irmãos, comportando-nos como bons cristãos e como cidadãos da Jerusalém celeste, poderemos recitar juntos o seguinte salmo, cantando: “Que alegria, quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi” (Sl 121, 1-5).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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