

Irmãos, É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que Cristo não será de nenhum proveito para vós, se vos deixardes circuncidar. Mais uma vez, atesto a todo homem circuncidado que ele está obrigado a observar toda a Lei. Vós que procurais a vossa justificação na Lei, rompestes com Cristo, decaístes da graça. Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança. Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pela caridade; observar ou não a circuncisão não tem valor algum.
Senhor, que desça sobre mim a vossa graça e a vossa salvação que prometestes! Não retireis vossa verdade de meus lábios, pois eu confio em vossos justos julgamentos! Cumprirei constantemente a vossa lei; para sempre, eternamente a cumprirei! É amplo e agradável meu caminho, porque busco e pesquiso as vossas ordens. Muito me alegro com os vossos mandamentos, que eu amo, amo tanto, mais que tudo! Elevarei as minhas mãos para louvar-vos e com prazer meditarei vossa vontade.
A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.
Naquele tempo, enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos exorta a perseverarmos fielmente na Palavra do Senhor e nos seus preceitos, sem deixar-nos seduzir pelo fingimento e pela hipocrisia. Pois, aqueles que se preocupam apenas com os seus atos exteriores e se descuidam dos interiores, querem ser bem vistos pelos homens, mas não se importam com a sua salvação e nem procuram agradar a Deus, que tudo vê e julga com justiça.
No Evangelho que acabamos de ouvir, nós vemos Jesus entrando em polêmica com um fariseu, contestando o modo dos fariseus e mestres da Lei de interpretarem e aplicarem a Lei de Moisés. Pois, segundo Jesus, os fariseus interpretavam de forma distorcida a Lei, e a aplicavam de forma hipócrita. Pois, os fariseus e mestres da Lei, com o passar dos tempos, eles começaram a dar grande valor às atitudes exteriores e às práticas rituais da Lei; mostrando-se sempre muito mais preocupados em dar satisfação de seus atos aos homens, do que a Deus. Por outro lado, eles não se importavam com o seu interior, descuidando-se das coisas espirituais, sem se preocupar com aquilo que Deus via. Por isso, Jesus disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós” (Lc 11, 39-41). Ou seja, a Lei de Deus tinha a finalidade primordial de provocar no homem a prática das boas obras e evitar todo tipo de pecado. Portanto, eles estavam, de fato, desvirtuando e pervertendo a Lei de Deus, ao tratarem-na com fingimento e hipocrisia, distorcendo o verdadeiro sentido dos mandamentos divinos.
E, para corrigir tais distorções, Jesus denunciou a hipocrisia e o fingimento dos fariseus e dos mestres da Lei, que tinham o mau costume de esconderem as suas impurezas e iniquidades por trás de uma falsa santidade e pureza de costumes. Eles, portanto, faziam tudo isto para serem vistos e louvados pelos homens, sem se importarem com aquilo que Deus via neles. Por isso, diante de Deus nada disto funcionava; pois, “a palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4, 12).
São Paulo, caros irmãos, estava muito preocupado com os cristãos da Galácia, sobretudo com aqueles vindos do judaísmo, que ameaçavam abandonar o cristianismo e retornar às praticas da Lei judaica. Estes cristãos estavam muito confusos e perturbados diante das pregações feitas por certos cristão judaizantes, que propunham um retorno às práticas, aos ritos e aos preceitos judaicos, que tinham sido abolidos por Cristo e pelos apóstolos. Por isso, Paulo lhes disse: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que Cristo não será de nenhum proveito para vós, se vos deixardes circuncidar. Vós que procurais a vossa justificação na Lei, rompestes com Cristo, decaístes da graça. Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança” (Gl 5, 1-2; 4-5).
Tanto Jesus Cristo, quanto São Paulo, caros irmãos, queriam que os seus discípulos fossem íntegros na sua conduta, seguindo os mandamentos divinos com todo o rigor, para serem agradáveis aos olhos de Deus e obterem dele a salvação, mesmo que isto pudesse desagradar aos homens, tornando-os, assim, alvo da ira de seus inimigos. E para alcançar tal retidão de vida, o profeta implorava a Deus, dizendo:“Senhor, que desça sobre mim a vossa graça e a vossa salvação que prometestes! Não retireis vossa verdade de meus lábios, pois eu confio em vossos justos julgamentos! Cumprirei constantemente a vossa lei; para sempre, eternamente a cumprirei! É amplo e agradável meu caminho, porque busco e pesquiso as vossas ordens. Muito me alegro com os vossos mandamentos, que eu amo, amo tanto, mais que tudo” (Sl 118, 41; 43-45; 47)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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