

Ó gálatas insensatos, quem é que vos fascinou? Diante de vossos olhos, não foi acaso representado, como que ao vivo, Jesus Cristo crucificado? Só isto quero saber de vós: Recebestes o Espírito pela prática da Lei ou pela fé através da pregação? Sois assim tão insensatos? A ponto de, depois de terdes começado pelo espírito, quererdes terminar pela carne? Foi acaso em vão que sofrestes tanto? Se é que foi mesmo em vão! Aquele que vos dá generosamente o Espírito e realiza milagres entre vós, faz isso porque praticais a Lei ou porque crestes, através da pregação?
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou! Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos. para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança. e o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.
Abri-nos, ó Senhor, o coração para ouvirmos a palavra de Jesus!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos adverte dizendo que a piedade cristã e a oração somente são aceitas e aprovadas por Deus se elas estiverem ancoradas firmemente naquela fé verdadeira, que foi revelada por Jesus Cristo e transmitida pelos Apóstolos. E além desta fidelidade e retidão de fé, seria necessário que os fiéis cristãos fossem praticantes dos preceitos evangélicos e perseverantes na orações. Neste caso, Deus não deixaria de recompensá-los na glória eterna e nem deixaria de atendê-los em suas necessidades aqui nesta vida, vendo a sua humildade e a sua firme perseverança na hora de fazer as suas preces!
Portanto, caros irmãos, a Liturgia da Palavra quer nos persuadir de que a nossa oração deveria ter dois elementos fundamentais para que Deus viesse ao encontro de nossas preces e súplicas, dando-nos aquilo que lhe pedimos. Primeiramente, a nossa fé deveria ser reta e em perfeita conformidade com o Evangelho de Cristo, que nos foi ensinado pelos apóstolos; como disse Paulo: “Diante de vossos olhos, não foi acaso representado, como que ao vivo, Jesus Cristo crucificado” (Gl 3, 1)? E o segundo elemento a ser considerado seria em relação ao modo de fazermos nossas orações. Pois, para que as nossas orações atingissem o coração e os ouvidos de Deus seria necessário que elas viessem revestida de humildade, de pureza de intenções e de uma firme e persistente confiança em Deus. Seria mais ou menos isto que Jesus quis nos transmitir, quando ele disse: “Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá” (Lc 11, 9-10).
Deste modo, poderíamos dizer que somente aqueles que acolhessem o Evangelho pregado pelos apóstolos teriam as condições necessárias para conhecer o Deus verdadeiro, e teriam aquelas graças necessárias para aderirem a ele, com uma fé inabalável. Por isso, seria necessário que todos os cristãos abandonassem as suas antigas crenças, quer sejam judeus ou pagãos, e abraçassem a fé no Senhor Jesus Cristo, o Redentor e o Salvador! Aderindo a ele desta forma, todos os fiéis cristãos teriam, assim, acesso ao Deus único e verdadeiro! Por isso, era tão importante, segundo Paulo, manter-se fiel a Cristo e ao Evangelho pregado pelos apóstolos. Pois, somente assim Deus haveria de derramar o seu Espírito sobre os seus seguidores, concedendo-lhes as graças necessárias para alcançarem a vida e a salvação eterna; como disse Paulo: “Ó gálatas insensatos, quem é que vos fascinou? Diante de vossos olhos, não foi acaso representado, como que ao vivo, Jesus Cristo crucificado? Aquele que vos dá generosamente o Espírito e realiza milagres entre vós, faz isso porque praticais a Lei ou porque crestes, através da pregação” (Gl 3, 1; 5)?
Entretanto, irmãos caríssimos, foi este mesmo Deus a quem Jesus Cristo revelou aos seus discípulos, e que estimulava-os a buscá-lo em suas orações, dizendo-lhes: “Pois eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” (Lc 11, 9-13).
E assim, caros irmãos, supliquemos a Deus as luzes de sua Palavra para que sejamos dignos de sermos filhos de Deus e obtermos a glória da vida eterna, dizendo: “Abri-nos, ó Senhor, os nossos corações, para ouvirmos a palavra que nos salva” (At 16, 14)!
Por fim, irmãos caríssimos, abramos nossos ouvidos e os nossos corações para acolhermos a oração do profeta Zacarias, o pai de João Batista. Pois, naquela oração Zacarias trazia bem diante de seus olhos a imagem de Jesus Cristo Senhor nosso, aquele que veio a este mundo para ser o nosso Deus Redentor e Salvador! Por isso, voltemo-nos ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e o invoquemos com fé e confiança, dizendo-lhe: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou! Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos, para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam” (Lc 1, 68-71).
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