

Assim diz o Senhor: “Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos fereseus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.
O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem. Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”. Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. Com suas asas haverá de proteger-te, com seu escudo e suas armas, defender-te. Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; nem a peste que caminha pelo escuro, nem a desgraça que devasta ao meio-dia. Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem.
O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
Caríssimos irmãos e irmãs! Celebramos hoje nesta liturgia os Santos Anjos da Guarda! Esta festa litúrgica nos faz lembrar que em tempos mais remotos se tinha uma maior devoção à estas criaturas angelicais, que nos foram dadas por Deus para estarem ao nosso lado para nos acompanhar no caminho de salvação, para nos proteger diante de nossos inimigos invisíveis e dos perigos desta vida.
Tanto na devoção popular em nossas famílias católicas, quanto na catequese paroquial, nós aprendíamos, quando criança, a invocar o auxílio do Anjo da Guarda e a reconhecê-lo, com fé, que eles estavam ao nosso lado. A Liturgia da Palavra de hoje nos faz alusão a três passagens da Sagrada Escritura que indicam a existência deste seres espirituais, os santos Anjos da Guarda, que estariam sempre ao nosso lado para nos proteger diante dos perigos no caminho de salvação, e para nos guardar das insídias invisíveis do Maligno tentador!
No Livro do Êxodo, Deus disse que estava enviando o seu anjo ao Povo Eleito, para conduzi-lo e protegê-lo no caminho à Terra Prometida, dizendo: “Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários” (Ex 20-22). Esta alusão ao Anjo da Guarda, que foi enviado ao Povo Eleito para protegê-lo e conduzi-lo à Terra Prometida, faz-nos crer que Deus enviou, da mesma forma, o seu Anjo para nos proteger e nos conduzir no caminho de salvação, rumo ao Reino Celeste!
Davi, no Salmo 90, revelou-nos que Deus deixara, junto de cada um em particular, o seu Anjo da Guarda, para protege-lo contra o maligno e guardá-lo em todos os caminhos da vida, dizendo: “O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem. Pois quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, diz ao Senhor: ‘Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente’. Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. Com suas asas haverá de proteger-te. Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem” (Sl 90, 1-4; 10-11).
E as revelações mais ternas e fascinantes sobre os santos anjos da guarda nos foram dadas por aquelas palavras de Jesus, a respeito das crianças e de seus anjos da guarda. Porém, antes de falar sobre os anjos, que as crianças tinham ao seu lado, para as proteger contra o maligno e as maldades do mundo, Jesus fez um apelo para que todos nós, discípulos do Senhor, nos façamos semelhantes às crianças, na sua inocência diante do mal e na sua simplicidade de vida. “Pois, quem se faz pequeno como uma criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus” (Mt 18,4-5; 10).
Deste modo, caros irmãos, diante destas palavras de Jesus, poderíamos concluir que se Deus nos enviou um anjo para nos guardar na infância, nada impedia que este mesmo anjo nos acompanhasse ao longo de toda a nossa vida, neste mundo, para nos proteger e guardar no caminho do bem e da santidade que nos conduz à salvação. Pois, estes anjos, conforme as palavras de Jesus, tanto servem a Deus como nossos protetores, quanto servem a Deus como nossos advogados para nos defender diante da sua face.
Assim como estes santos anjos nos protegem contra o mal e contra os inimigos invisíveis, eles também nos auxiliam, de um modo muito sutil e suave, no caminho do bem, iluminando-nos com a graça divina e inspirando em nossa mente a santa palavra de Deus. Por isso, eles são os nossos primeiros catequistas que, interiormente e suavemente, nos instruem nos mistérios de Deus, fazendo-nos compreender que “o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus” ( Mt 4, 4).
E, para concluir esta reflexão, rezemos aquela oração na qual invocamos a proteção do Anjo da Guarda e as luzes de suas inspirações, dizendo: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador. Se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém”.
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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