

Jó abriu a boca e amaldiçoou o seu dia, dizendo: “Maldito o dia em que nasci e a noite em que fui concebido. Por que não morri desde o ventre materno, ou não expirei ao sair das entranhas? Por que me acolheu um regaço e seios uns me amamentaram? Estaria agora deitado e poderia descansar, dormiria e teria repouso, com os reis e ministros do paÃs, que construÃram para si sepulcros grandiosos; ou com os nobres, que amontoaram ouro e prata em seus palácios. Ou, então, enterrado como aborto, eu agora não existiria, como crianças que nem chegaram a ver a luz. Ali acaba o tumulto dos Ãmpios, ali repousam os que esgotaram as forças. Por que foi dado à luz um infeliz e vida à queles que têm a alma amargurada? Eles desejam a morte que não vem e a buscam mais que um tesouro; eles se alegrariam por um túmulo e gozariam ao receberem sepultura. Por que, então, foi dado à luz o homem a quem seu próprio caminho está oculto, a quem Deus cercou de todos os lados?”
A vós clamo, Senhor, sem cessar, todo o dia, e de noite se eleva até vós meu gemido. Chegue a minha oração até a vossa presença, inclinai vosso ouvido a meu triste clamor! Saturada de males se encontra a minh’alma, minha vida chegou junto à s portas da morte. Sou contado entre aqueles que descem à cova, toda gente me vê como um caso perdido! O meu leito já tenho no reino dos mortos, como um homem caÃdo que jaz no sepulcro, de quem mesmo o Senhor se esqueceu para sempre e excluiu por completo da sua atenção. Ó Senhor, me pusestes na cova mais funda, * nos locais tenebrosos da sombra da morte. Sobre mim cai o peso do vosso furor, vossas ondas enormes me cobrem, me afogam.
Veio o Filho do homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos.
Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para preparar hospedagem para Jesus. Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. Vendo isso, os discÃpulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruÃ-los?” Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. E partiram para outro povoado.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos coloca diante do drama da morte e da vida após a morte. Para Jó e para Davi, a morte era vista como um final obscuro e dramático da vida, que os conduzia à mansão dos mortos. Já para Jesus a morte era apenas uma passagem desta vida – embora repleta de angústias e de sofrimentos – para se alcançar a vida eterna, na mansão celeste junto de Deus, na bem-aventurança do Reino dos céus!
Jó, por sua vez, tendo caÃdo em desgraça, levava uma vida repleta de tribulações e sofrimentos. Por isso, ele amaldiçoava a vida que tinha, e desejava a morte. E para agravar as coisas ainda mais, o conhecimento que ele tinha sobre a vida após a morte era cheia de incertezas, que não passavam de um repouso inconsciente e perpétuo, que o deixava muito apreensivo e angustiado. Por isso, Jó se lamentava da vida, desejando a morte, pois, ele achava que a morte seria, irremediavelmente, o triste fim de todo homem, dizendo: “Maldito o dia em que nasci e a noite em que fui concebido. Por que não morri desde o ventre materno, ou não expirei ao sair das entranhas? Estaria agora deitado e poderia descansar, dormiria e teria repouso. Ali acaba o tumulto dos Ãmpios, ali repousam os que esgotaram as forças. Por que foi dado à luz um infeliz e vida à queles que têm a alma amargurada? Eles desejam a morte que não vem e a buscam mais que um tesouro; eles se alegrariam por um túmulo e gozariam ao receberem sepultura” (Jó 3, 3; 11; 13; 17; 20-22).
Davi, por sua vez, demonstrava que a sua esperança sobre a vida após morte não era muito diferente daquela de Jó. Ele acreditava que o fim da vida humana não estaria na morte, visto que a sua alma ficaria repousando no sepulcro, junto com seu corpo, num sono tenebroso e perpétuo. Por isso, ao ver que a morte se aproximava, Davi, repleto de angústia, elevou a Deus a seguinte oração, dizendo: “A vós clamo, Senhor, sem cessar, todo o dia, e de noite se eleva até vós meu gemido. Saturada de males se encontra a minh’alma, minha vida chegou junto à s portas da morte. O meu leito já tenho no reino dos mortos, como um homem caÃdo que jaz no sepulcro, de quem mesmo o Senhor se esqueceu para sempre e excluiu por completo da sua atenção. Ó Senhor, me pusestes na cova mais funda, nos locais tenebrosos da sombra da morte” (Sl 87, 2;4; 6-7).
Entretanto, carÃssimos irmãos, Jesus Cristo veia a este mundo para nos ensinar o Evangelho da esperança e da salvação! Ele veio a nós como o nosso Salvador; revestido de poderes divinos de nos salvar e de ensinar-nos o caminho da esperança na vida eterna, que se estende para além da morte! Aos justos e aqueles morressem em comunhão de fé com ele, seriam recompensados com uma vida bem-aventurada junto de Deus! Por isso, ele passou todo seu tempo anunciando o Evangelho do Reino dos céus, convocando as pessoas a crerem nele; a se afastarem dos seus pecados; e o seguirem com toda confiança; acompanhando-o no caminho em direção ao Reino Celeste. Portanto, nesta sua primeira vinda, Jesus não veio para condenar e nem para castigar os pecadores, mas “o Filho do homem veio a este mundo para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45).
Por isso, quando Jesus sentiu que estava chegando o final de sua jornada aqui neste mundo, caminhou a passos firmes rumo a Jerusalém, onde haveria de sofrer a sua morte. E para designar isto, o Evangelista Lucas fez o seguinte comentário: “Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para preparar hospedagem para Jesus. Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém” (Lc 9, 51-53). E, depois que João e Tiago, indignados e furiosos, lhe tivessem sugerido matar aqueles samaritanos, Jesus chamou-lhes a atenção para que se acalmassem, pois, isto não fazia parte de sua missão neste mundo, naquele momento. Então, Jesus lhes disse: “O Filho do Homem não veio para perder as vidas, mas para salvá-las” (Lc 9, 56). Por isso, caros irmãos, recordemos as palavras de Cristo, que disse: “Veio o Filho do homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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