

Irmãos, “Quem semeia pouco colherá também pouco e quem semeia com largueza colherá também com largueza”. Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento; pois Deus “ama quem dá com alegria”. Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para toda obra boa, como está escrito: “Distribuiu generosamente, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre”. Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará o pão como alimento, ele mesmo multiplicará as vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça.
Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos! Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente! Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro. Seu coração está tranquilo e nada teme, e confusos há de ver seus inimigos. Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.
Aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje gira em torno do santo mártir Lourenço, que exerceu o ministério diaconal na Igreja de Roma, destacando-se na caridade aos pobres e na profissão de fé corajosa, merecendo obter a coroa do martírio. A Liturgia da Palavra, portanto, faz o elogio de seu ministério diaconal da caridade e de seu corajoso e fiel martírio.
São Lourenço, o santo que celebramos hoje, viveu no século III d.C. Nascido na Espanha em uma época em que os cristãos eram perseguidos. Tornou-se diácono da Igreja de Roma e administrador dos bens da Igreja. Em 258 d.C., foi emitido o édito do imperador Valeriano, no qual todos os bispos, os presbíteros e os diáconos deveriam ser condenados à morte.
No meio desta sangrenta perseguição, as autoridades romanas queriam obter do diácono Lourenço, que era o responsável pela administração dos bens da Igreja Romana, informações sobre os bens e as propriedades da Igreja. Lourenço, então, se apresentou com uma grande multidão de pobres, aleijados e cegos, dizendo-lhes: “Estes são os tesouros da Igreja”. Logo a seguir Lourenço sofreu o martírio, quatro dias após a morte do Papa Sisto II. Era o dia 10 de agosto, e ele foi queimado em uma grelha. Tornando-se, assim, um dos mártires mais venerados na Igreja Católica.
Para recordar as grandes obras de caridade e de amor aos pobres do Diácono São Lourenço, foi-nos apresentada a Carta de São Paulo aos Corintos, na qual ele fazia o elogio de toda obra de generosidade e caridade aos pobres e necessitados, dizendo: “Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento; pois Deus “ama quem dá com alegria”. Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para toda obra boa, como está escrito: “Distribuiu generosamente, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre” (2Cor 9, 7-9). Neste caso, São Paulo, servindo-se do pretexto da coleta que ele estava realizando entre os cristãos da Ásia e da Macedônia, em favor dos irmãos de Jerusalém, ele os convocava a se exercitarem nas virtudes da generosidade, da liberalidade e na confiança na providência divina.
Portanto, tudo o que o Diácono Lourenço realizou naquela antiga Igreja Romana estava em conformidade com as mais legítimas determinações apostólicas. E este comportamento de São Lourenço vinha respaldado pelas palavras do profeta que dizia: “Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente” (Sl 111, 5-6)!
E sobretudo, para fazer o elogio de sua corajosa profissão de fé pelo martírio, a Liturgia da Palavra nos lembrou as palavras de Jesus, que nos garantiu que não nos deixaria desamparados nas trevas deste mundo, se estivéssemos andando na luz da vida, dizendo: “Aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida” ( Jo 8, 12). Com isto Jesus quis dizer que os seus discípulos que caminhassem na luz da fé e da graça divina não seriam desamparados nas trevas da morte!
Deste modo, irmãos caríssimos, Jesus quis estimular os seus discípulos a priorizarem a vida eterna junto de Deus, afim de que a buscassem com todo afinco, relativizando os próprios bens e a própria vida aqui neste mundo, dizendo: “Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12, 25-26).
Diante disto, podemos dizer que o Diácono São Lourenço tornou-se um ícone deste autêntico discípulo do Senhor! Depois de dedicar-se integralmente em favor dos pobres da Igreja de Roma, o Diácono São Lourenço deu a todos nós um testemunho de amor a Cristo, praticando os mais elevados valores evangélicos, entregando sua vida num glorioso martírio.
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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