

“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito, e que eles violaram, mas eu fiz valer a força sobre eles, diz o Senhor. Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, diz o Senhor: imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo. Não será mais necessário ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor!’; todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado”.
Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados. Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!
Tu és Pedro e sobre esta pedra eu irei construir minha Igreja. E as portas do inferno não irão derrotá-la!
Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir à Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus mas sim as coisas dos homens!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos confirmou de que aquela Nova Aliança de Deus com o Povo de Israel, que fora prometida a Jeremias e a vários outros antigos profetas, veio, na verdade, a acontecer muitos anos mais tarde, com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! Então, quando o Senhor nosso Deus veio visitar o seu povo, colocando-se no meio dele, na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, ele realizou pessoalmente aquela Nova Aliança com o seu Povo. E foi o próprio Jesus Cristo, no Evangelho que acabamos de ouvir, quem nos deu alguns detalhes sobre os mistérios desta Nova Aliança que ele realizou com o Novo Povo de Deus!
Muitos profetas, depois do exílio do Povo Judeu na Babilônia, profetizaram a respeito de uma nova alianças que Deus haveria de realizar com o Povo de Israel. Pois, aquela antiga aliança feita com Moisés no deserto caducou, devido à infidelidade do povo. Por isso, Deus mandou dizer ao profeta Jeremias: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito, e que eles violaram, mas eu fiz valer a força sobre eles, diz o Senhor” (Jr 31, 31-32).
Porém, esta nova aliança seria realizada em bases novas, estabelecendo uma relação muito mais íntima entre Deus e o seu povo. E tal aliança transformaria os corações das pessoas; pois, os seus pecados seriam perdoados e, assim, depois de serem justificados, todos receberiam graças e dons divinos para cumprirem os mandamentos e servirem a Deus em justiça e santidade! Por isso, o Senhor disse-lhes, por meio de Jeremias: “Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, diz o Senhor: imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo. Todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado” (Jr 31, 33-34).
E além disto, para confirmar as palavras de Jeremias, o Espírito Santo falou pelo profeta Davi, dizendo que esta aliança tinha a graça e o poder de regenerar e renovar os coração dos homens. E, uma vez purificados de seus pecados, seriam fortalecidos pela graça divina para viverem uma vida de santidade, conforme as palavras do profeta, que disse: “Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido” (Sl 50, 12-14; 19).
Em todo caso, tudo isto que Jeremias e os profetas antigos prometeram a respeito desta nova aliança, se realizou plenamente em nosso Senhor Jesus Cristo! Na passagem do Evangelho que nós ouvimos, nos foi apresentado alguns detalhes sobre o modo como Jesus haveria de realizar esta Nova Aliança. Assim, primeiramente, este pacto da Nova Aliança haveria de se realizar na paixão e morte na cruz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! E este sacrifício de Cristo na cruz seria assistido por todo o povo de Israel e haveria de ser testemunhado por Pedro e por todos os seus apóstolos. Por isso, ao profetizar sobre estes acontecimentos, “Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir à Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16, 21).
Além disto, Jesus Cristo demonstrou que o pacto da Nova Aliança haveria de se realizar na fé dos apóstolos, professada por Pedro, conforme o testemunho do Evangelho que ouvimos: “Então Jesus lhes perguntou: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’ Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’. Respondendo, Jesus lhe disse: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu”” (Mt 16, 15-17).
E, logo a seguir, depois que Pedro professou a sua fé no Senhor Jesus Cristo, reconhecendo-o como o Messias e Filho de Deus, Jesus Cristo confirmou esta Nova Aliança com o seu Povo, tendo Pedro e os Doze Apóstolos como colunas do Novo Povo de Deus, que seria a sua Igreja! Tudo isto foi estabelecido por Jesus Cristo, ao proferir as seguintes palavras a Pedro: “Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 18-19).
Portanto, caríssimos irmão, conforme a profecia de Jeremias: “Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel. Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito” (Jr 31, 31-32).
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