

Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e que o teu coração repouse no bem nos dias da tua juventude; segue as aspirações do teu coração e os desejos dos teus olhos; fica sabendo, porém, que de tudo isso Deus te pedirá contas. Tira a tristeza do teu coração, e afasta a malÃcia do teu corpo, pois a adolescência e a juventude são vaidade. Lembra-te do teu Criador nos dias da juventude, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: “Não sinto prazer neles”; – antes que se obscureçam o sol, a luz, a lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; quando os guardas da casa começarem a tremer, e se curvarem os homens robustos; quando as poucas mulheres cessarem de moer, e ficarem turvas as vistas das que olham pelas janelas e se fecharem as portas que dão para a rua; quando enfraquecer o ruÃdo do moinho, e os homens se levantarem ao canto dos pássaros, e silenciarem as vozes das canções, e houver medo das alturas e sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira floresce, o gafanhoto se arrasta e a alcaparra perde o seu gosto, porque o homem se encaminha para a morada eterna, e os que choram já rondam pelas ruas; – antes que se rompa o cordão de prata e se despedace a taça de ouro, a jarra se parta na fonte, a roldana se arrebente no poço, – antes que volte o pó à terra, de onde veio, e o sopro de vida volte a Deus que o concedeu. Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade.
Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós. Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigÃlia de uma noite que passou. Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.
Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho, a luz e a vida imperecÃveis.
Naquele tempo, todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discÃpulos: “Prestai bem atenção à s palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Mas os discÃpulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos leva a refletir sobre a vida humana de Cristo, que era muito semelhante à vida humana de todos os homens e mulheres que vieram neste mundo. Jesus identificou-se a nós em tudo, menos no pecado e na insensatez. Ele teve os seus momentos de alegria e de sucesso, na sua obra de evangelização, mas teve também os momentos de infortúnios, de tristeza e de sofrimento, morrendo na Cruz. Por isso, todos nós podemos encontrar nele um perfeito modelo de vida, pois ele se manteve sóbrio, sábio e santo, tanto nos tempos de alegria, quanto nos tempos de adversidades.
O Evangelho que acabamos de ouvir nos coloca diante destas ambiguidades da vida, que Jesus também passou. O Evangelho nos mostra Jesus sendo admirado e ovacionado pelas multidões, no auge de seu sucesso; e ao mesmo tempo, o próprio Jesus pôs-se a profetizar sobre as humilhações e sofrimentos que ele haveria de passar, no final de sua vida. Antes de Jesus falar aos apóstolos sobre as humilhações e sofrimentos, o evangelista Lucas fez um breve comentário sobre a situação favorável que eles estavam passando naquele momento. Por isso, ele disse: “Todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia” (Lc 9, 43). E logo a seguir, Jesus profetizou a respeito de seus sofrimentos, dizendo: “Então Jesus disse a seus discÃpulos: ‘Prestai bem atenção à s palavras que vou dizer: ‘O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens'” (Lc 9, 44). Porém, os apóstolos não estavam em condições de compreender o significado destas palavras, pois eles não acreditavam que Jesus se submeteria a tamanha humilhação e desonra. Por isso, disse o evangelista: “Mas os discÃpulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto” (Lc 9, 45).
Estas palavras de Jesus demonstravam toda a sua sabedoria e a sua prudência. Ele não se deixava iludir pelas vaidades mundanas, e nem se empolgava demais com o sucesso dos seus empreendimentos. Ele tinha sempre os olhos fixos para os tempos difÃceis e para aqueles dias de tribulações. Assim como alertava o sábio e sensato Eclesiastes, que dizia: “Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e que o teu coração repouse no bem nos dias da tua juventude. Lembra-te do teu Criador nos dias da juventude, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: ‘Não sinto prazer neles’. Antes que volte o pó à terra, de onde veio, e o sopro de vida volte a Deus que o concedeu. Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade” (Ecl 11, 9; 12, 1; 7-8).
Jesus Cristo foi para nós um verdadeiro mestre na sabedoria de vida. Ele foi à nossa frente, dando-nos o seu exemplo. Pois, Jesus, quando estava colhendo os melhores sucessos na sua obra de evangelização, sempre tinha o pensamento ligado à queles momentos últimos de sua vida; pois, ele sabia muito bem que foi para isto que ele fora enviado ao mundo! Por isso, ele soube encarar os momentos de dor e humilhação com uma coragem e uma dignidade extraordinária, por ter se preparado bem para este momento; e, acima de tudo, porque ele sabia que esta era a sua grande missão neste mundo: a sua paixão e morte na cruz! Esta era, por certo, a vontade do Pai! E ele haveria encará-la com toda dignidade e coragem, agarrando-se nas mãos do Pai!. Por isso, o nosso Senhor Jesus Cristo, que enfrentou a morte com tamanha dignidade e confiança, tornou-se o nosso Redentor e Salvador, conforme as palavras de Paulo, que dizia: “Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho, a luz e a vida imperecÃveis” (2Tm 1,10).
Enfim, Jesus Cristo, sendo o nosso Redentor e Salvador, sempre haveria de nos acompanhar e de nos amparar neste estreito e árduo caminho de salvação, sobretudo na hora da morte, para nos conduzir à s suas moradas eternas no céu, conforme as palavras do profeta, que dizia: “Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós. Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: ‘Voltai ao pó, filhos de Adão!’ Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigÃlia de uma noite que passou. Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza” (Sl 89, 2-4; 14; 17)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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