

Os Ãmpios dizem: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”.
Por vosso nome, salvai-me, Senhor; e dai-me a vossa justiça! Ó meu Deus, atendei minha prece* e escutai as palavras que eu digo! Pois contra mim orgulhosos se insurgem, e violentos perseguem-me a vida: não há lugar para Deus aos seus olhos. Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta minha vida! Quero ofertar-vos o meu sacrifÃcio de coração e com muita alegria; quero louvar, ó Senhor, vosso nome, quero cantar vosso nome que é bom!Â
CarÃssimos: Onde há inveja e rivalidade, aà estão as desordens e toda espécie de obras más. Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacÃfica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz. De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres.
Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Naquele tempo, Jesus e seus discÃpulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discÃpulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Os discÃpulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutÃeis pelo caminho?” Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas à quele que me enviou”.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste Domingo nos coloca diante de um dos mistérios mais difÃceis de ser compreendidos e aceitos em nossa Igreja Católica, e que foi posto por Jesus Cristo como o fundamento de nossa fé e de nossa vida cristã. Tal mistério da sabedoria de Cristo consistia no fato de que todos os discÃpulos de Cristo, para obterem a salvação e a ressurreição no Reino dos céus, precisavam, primeiro, passar por muitos sofrimentos e provações. Deveriam, portanto, ser maltratados pelos Ãmpios, tanto de fora quanto de dentro da própria Igreja!. Assim como aconteceu com Jesus, era necessário que acontecesse com seus discÃpulos!
Para falar sobre este mistério, Jesus se retirou com os seus discÃpulos para um lugar à parte, longe do burburinho das multidões e das distrações do mundo. Pois, naquele tempo, “Jesus e seus discÃpulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discÃpulos. E dizia-lhes: ‘O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará’. Os discÃpulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar” (Mc 9, 30-32). Mesmo que os discÃpulos resistissem em compreender e aceitar tais profecias, Jesus insistia neste argumento pois ele entendia que o mistério de sua paixão, morte e ressurreição era matéria fundamental de sua doutrina e do seu Evangelho.
Os Apóstolos, diante desta doutrina de Jesus, acabaram se comportando muito mal. Além de resistirem contra a sabedoria ensinada pelo Mestre, começaram a deixar-se levar pelas paixões e tentações da inveja, da soberba e da rivalidade. “Pois pelo caminho eles tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos'” (Mc 9, 34-35)! Vendo o perigo ao qual estavam se expondo, Jesus aproveitou-se daquela circunstância para exortá-los á humildade, e que evitassem todo tipo de inveja, de soberba e de rivalidades.
Ao advertir os seus discÃpulos sobre estas coisas ele os estava prevenindo para que não se tornassem Ãmpios, mas permanecessem justos, assim como Jesus era justo. Pois, Jesus sabia muito bem que estes homens bons e justos estavam ainda muito frágeis diante destas graves tentações, que poderiam facilmente transformá-los em Ãmpios e maus discÃpulos. Por isso, tanto a sua doutrina sobre os mistérios da sua paixão, morte e ressurreição, bem como as suas exortações sobre a humildade e a mansidão serviriam muito bem para transformá-los em discÃpulos perfeitos e justos. Pois, estes mesmos homens seriam, futuramente, maltratados pelos Ãmpios, assim como Jesus seria maltratado e morto, visto que Jesus era o Justo por excelência. Deste modo, Jesus ia moldando o caráter destes homens para que eles se comportassem conforme o espÃrito de seu evangelho, levando-os a imitá-lo em tudo. Como disse São Paulo aos cristãos tessalonicenses: “Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo” ( 2Ts 2, 14).
Assim sendo, conforme as palavras do sábio profeta: “Os Ãmpios dizem em seus falsos raciocÃnios: ‘Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda. Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro” (Sb 2, 12; 18-20). Pois, os Ãmpios que perseguem os justos, eram, outrora, justos e conviviam fraternalmente com os justos. Entretanto, uma vez deixando-se seduzir pela inveja e pela soberba, se tornaram Ãmpios e começaram a hostilizar os justos. Por isso, estes Ãmpios perseguidores poderão ser tanto de fora da Igreja quanto de dentro dela!
Foi certamente de Jesus Cristo que Tiago aprendeu aquelas sábias palavras, quando disse: “Onde há inveja e rivalidade, aà estão as desordens e toda espécie de obras más. De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacÃfica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3, 16-18; 4, 16).
E assim, caros irmãos, tanto Jesus Cristo quanto os seus discÃpulos, depois de passarem por muitos sofrimentos, receberam a coroa da glória e da ressurreição. Desta forma, eles podiam cantar ao Senhor, dizendo: “Por vosso nome, salvai-me, Senhor; e dai-me a vossa justiça. Pois contra mim orgulhosos se insurgem, e violentos perseguem-me a vida: não há lugar para Deus aos seus olhos. Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta minha vida!” (Sl 53, 3-6)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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