

Irmãos, eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: Com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude.
Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta notícia. Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz.
A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos, vos louva, ó Senhor, o coro dos apóstolos.
Naquele tempo, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.
Caríssimos irmãos e irmãs! Celebramos hoje a festa do martírio do apóstolo e evangelista São Mateus. Infelizmente nos foram transmitidas pouquíssimas referências a respeito da pessoa do apóstolo e evangelista São Mateus. Tanto a Sagrada Escritura quanto a Tradição da Igreja nos deram pouquíssimas referência sobre a sua vida e sobre o seu martírio.
O próprio Mateus, de uma forma muito sintética, narrou em seu Evangelho o momento em que Jesus o chamou para fazer parte dos Doze Apóstolos, da seguinte forma: “Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus” (Mt 9, 9). Como ele foi extremamente lacônico nas referências feitas a si mesmo no seu Evangelho podemos dizer que Mateus era um judeu, morador de Cafarnaum, e que trabalhava numa banca da coletoria de impostos do rei Herodes e do Império Romano. Certamente Mateus já havia ouvido falar de Jesus e, provavelmente, o tenha visto antes, pois ambos moravam na mesma cidade de Cafarnaum. Provavelmente, antes de ter se encontrado com Jesus, Mateus devia ter sentido alguma curiosidade em conhecê-lo, por tudo aquilo que se andava dizendo a seu respeito. Em todo caso, a sua profissão de cobrador de impostos o fazia, com certeza, sentir-se envergonhado diante deste homem de Deus e achar-se indigno de aproximar-se dele! Pois, os cobradores de impostos eram tidos como homens impuros e pecadores públicos.
Entretanto, certo dia, quando Jesus passava bem em frente ao seu posto de trabalho, Mateus ficou profundamente tocado pela pessoa de Jesus, sentindo-se maravilhado por ter-lhe dirigido a palavra. Houve, naquele momento, uma imediata sintonia de pensamentos entre ambo. Bastou Jesus lhe convidar ao seguimento para despertar nele uma resposta imediata e sem hesitação, pois, com toda prontidão, simplesmente “ele levantou-se e seguiu a Jesus” (Mt 9, 9). Assim como ele foi firme e pronto para seguir Jesus, Mateus foi também na sua conversão. Pois, dentre todos os apóstolos, ele exercia uma profissão execrada e rejeitada pelos judeus, tida como atividade que o transformava em pecador público. Assim sendo, junto com o chamado de Jesus ao ministério apostólico, também veio o convite a uma profunda e radical conversão de vida, sentindo-se abraçado pela misericórdia de Cristo.
Depois do seu chamado e de sua conversão Mateus ofereceu aos colegas de trabalho um banquete de despedida. Então, “alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: ‘Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores’? Jesus ouviu a pergunta e respondeu: ‘Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores'” (Mt 9, 11-13). Na verdade, caros irmãos, estas palavras de Jesus calaram fundo no coração de Mateus, que as guardou com muita gratidão; por ter sido agraciado por este amor de misericórdia do Salvador e Redentor Jesus Cristo, ao ter-lhe dito: “Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9, 13).
Depois do Pentecostes, Mateus permaneceu um certo tempo em Jerusalém, junto com os outros apóstolos. A seguir, segundo uma tradição antiga, pregou o Evangelho – que ele mesmo deixou por escrito em língua hebraica – primeiramente na região da Judéia, e posteriormente nas regiões da Macedônia, da Pérsia e da Etiópia. Assim sendo, ao lado dos outros apóstolos ele anunciou o Evangelho de Cristo em todos os lugares que ele conseguiu chegar. E para poder anunciar o Evangelho que ele mesmo ouviu da boca de Jesus, São Mateus colocou-o por escrito, redigindo o “Evangelho segundo São Mateus”, que foi posteriormente incluído na Sagrada Escritura.
Assim, junto com os outros apóstolos, São Mateus pregou o Evangelho de Cristo a todos os povos e nações, como disse o profeta: “Os céus proclamam a glória do Senhor; o seu som ressoa e se espalha em toda a terra; e chega aos confins do universo a sua voz” (Sl 18, 2; 5). Afadigando-se desta forma, Mateus entregou-se todo inteiro pela causa de Cristo e pelo seu Evangelho, até o final de sua vida! Em todo caso, conforme uma Lenda medieval, do Beato Tiago de Voragine (1293), chamada “Lenda Áurea”, ele teria sido martirizado na Etiópia, ao defender Santa Efigênia. Sendo, assim, coroado com um glorioso martírio na Etiópia.
Em todo caso, caros irmãos, em todos os lugares onde Mateus anunciou o Evangelho ele fundou novas igrejas e testemunhou com sua vida a vocação que recebera de Jesus, conforme o testemunho do apóstolo Paulo,: “Pois, cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude” (Ef 4, 7; 11-13).
Contudo, o maior legado de Mateus à Igreja de Deus foi, sem dúvida, a redação do seu Evangelho, chamado “Evangelho Segundo São Mateus”. Por isso, queremos louvar a Deus pelo seu testemunho apostólico e pela sua vida dedicada ao anúncio do Evangelho de Cristo, dizendo: “A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos, vos louva, ó Senhor, o coro dos apóstolos” (acl. ao Ev.).
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