

O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas, o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassÃvel como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. Sim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?
Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração. Inclinou para mim seu ouvido, no dia em que eu o invoquei. Prendiam-me as cordas da morte, apertavam-me os laços do abismo; invadiam-me angústia e tristeza: eu então invoquei o Senhor “Salvai, ó Senhor, minha vida!” O Senhor é justiça e bondade, nosso Deus é amor-compaixão. É o Senhor quem defende os humildes: eu estava oprimido, e salvou-me. Libertou minha vida da morte, enxugou de meus olhos o pranto e livrou os meus pés do tropeço. Andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos.
Meus irmãos: que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; se então alguém de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos”, e: “Comei à vontade”, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso? Assim também a fé: se não se traduz em obras, por si só está morta. Em compensação, alguém poderá dizer: “Tu tens a fé e eu tenho a prática!” Tu, mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras!
Eu de nada me glorio, a não ser da cruz de Cristo; vejo o mundo em cruz pregado e para o mundo em cruz me avisto.
Naquele tempo, Jesus partiu com seus discÃpulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discÃpulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discÃpulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”. Então chamou a multidão com seus discÃpulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.
CarÃssimos irmãos e irmãs! As leituras da Liturgia da Palavra deste Domingo, cada uma ao seu modo, tem o propósito de nos levar a crer firmemente em Cristo Senhor, o Crucificado, como o nosso Redentor; que derramou o seu Sangue para a remissão de nossos pecados! Pois, foi o próprio Jesus quem nos ensinou esta doutrina de fé, que a redenção dos nossos pecados deveria passar necessariamente pela sua paixão e morte de Cruz. Revelando-nos, então, que ele haveria de assumir o sacrifÃcio da Cruz para redimir-nos de todo pecado! E o apóstolo Paulo, comprometido inteiramente com a Cruz de Cristo, deu o seguinte testemunho: “Eu de nada me glorio, a não ser da cruz de Cristo; vejo o mundo em cruz pregado e eu estou crucificado para o mundo” (Gl 6, 14).
O profeta IsaÃas, contemplando misticamente Jesus Cristo na sua paixão, revelou-nos o que se passava na mente de Jesus, enquanto ele estava sendo atormentado e maltratado cruelmente pelos seus algozes. O profeta mostrou-nos que Jesus Cristo, o Messias, suportou todos aqueles tormentos com muita fé e resiliência, colocando tudo nas mãos do Senhor, que o haveria de defender e salvar. Por isso, ele disse: “O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas, o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassÃvel como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A meu lado está quem me justifica” (Is 50, 5-8).
Jesus Cristo, então, levando os apóstolos a um lugar à parte, pôs-se a ensiná-los nos mistérios de sua paixão, morte e ressurreição. Era um assunto extremamente delicado e complexo. Por isso, antes de falar sobre os sofrimentos e as humilhações, Jesus se revelou na sua condição gloriosa e divina, ao fazer-lhes a seguinte pergunta: “‘E vós, quem dizeis que eu sou?’ Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias’. Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias” (Mc 8, 29-31).
Diante desta explicação profética sobre a sua paixão, morte e ressurreição, Jesus declarou que esta seria a forma como Deus Pai havia providenciado o caminho de redenção e de salvação de toda a humanidade. Por isso, logo a seguir, Jesus fez aquelas duas afirmações muito práticas, dizendo aos seus discÃpulos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la” (Mc 8, 34-35).
São Tiago, em sua carta, nos disse que a fé cristã verdadeira – aquela que tem o poder de nos salvar – tem um aspecto teórico e um aspecto prático. E ele advertia dizendo que o bom e fiel cristão, que tivesse a intenção de se salvar, precisava ter estes dois aspectos da fé. O aspecto teórico consistia no conhecimento da Palavra e na profissão de fé em Deus, na oração e nos exercÃcios de piedade. Já o aspecto prático da fé seriam as boas obras da caridade, o cumprimento dos mandamentos, bem como, saber suportar com paciência os sofrimentos e tribulações. Por isso ele disse: “Meus irmãos: que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Assim também a fé; se ela não se traduz em obras, por si só está morta” (Tg 2, 14; 17). Portanto, a fé cristã precisa ter os elementos teóricos e práticos para que ela nos leve a produzir frutos de salvação!
Enfim, o Salmista nos deu um belo testemunho de fé e de confiança em Deus. Pois, ele acreditava que o Senhor tinha o poder de o proteger diante dos perigos da vida e de lhe conceder a salvação eterna, diante da morte, dizendo: “Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração. Inclinou para mim seu ouvido, no dia em que eu o invoquei. Prendiam-me as cordas da morte, apertavam-me os laços do abismo; invadiam-me angústia e tristeza: eu então invoquei o Senhor “Salvai, ó Senhor, minha vida!” Eu estava oprimido, e salvou-me” (Sl 114, 1-5).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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