

Irmãos, pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o evangelho me dá. Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possÃvel. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele. Acaso não sabeis que os que correm no estádio correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se sujeita a uma disciplina rigorosa em relação a tudo, e eles procedem assim, para receberem uma coroa corruptÃvel. Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptÃvel! Por isso, eu corro, mas não à toa. Eu luto, mas não como quem dá murros no ar. Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter proclamado a boa-nova aos outros, eu mesmo seja reprovado.
Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo! Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo! vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor! Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar! Felizes os que em vós têm sua força, e se decidem a partir quais peregrinos! O Senhor Deus é como um sol, é um escudo, e largamente distribui a graça e a glória. O Senhor nunca recusa bem algum àqueles que caminham na justiça.
Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Naquele tempo, Jesus contou uma parábola aos discÃpulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Um discÃpulo não é maior do que o mestre; todo discÃpulo bem formado será como o mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos apresenta, primeiramente, algumas condições que são necessárias para que sejamos bons discÃpulos de Cristo, servindo-o na santidade. E, a seguir, ela nos revelou alguns requisitos necessários para que sejamos autênticos anunciadores do seu caminho de vida e salvação e ministros da sua Palavra. Pois, ele nos deu o conhecimento de seu Evangelho e o exemplo de sua conduta de vida! Por isso, devemos estar sempre prontos a dizer-lhe: “Senhor, vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade” (Jo 17, 17)!
No Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus nos advertiu dizendo que se nós quisermos ensinar aos outros o caminho da vida e da salvação seria necessário que antes fôssemos instruÃdos na ciência e nos mistérios deste caminho. E, neste caso, precisarÃamos ser instruÃdos por um bom mestre, que nos iluminasse no conhecimento desta sabedoria e deste caminho de vida. AÃ, então, tanto nós mesmos, quantos os nossos discÃpulos poderiam juntos prosseguir neste caminho de vida e salvação, sem atropelos e sem confusão. Por isso, Jesus disse: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Um discÃpulo não é maior do que o mestre; todo discÃpulo bem formado será como o mestre” (Lc 6, 39-40). E Jesus se apresentou como este Mestre versado na sabedoria de Deus e nos mistérios de sua Palavra; pois ele tanto ensinava por meio de palavras, bem como pelo seu exemplo de vida!
Então, Jesus completou o seu discurso com uma outra parábola, dizendo: “Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Lc 6, 41-42). Ou seja, com estas palavras Jesus quis dizer que todos aqueles que tiverem o encargo de ensinar aos outros o caminho de vida e da salvação, deveria estar, primeiramente, bem atento com a sua própria conduta de vida, para não cair na hipocrisia; que o levaria a se meter a ensinar aos outros aquilo que ele mesmo não estivesse disposto a praticar. Pois, no caso de tentar corrigir os outros em seu mau procedimento, estes poderiam retrucar, incriminando-o de estar praticando o mesmo mal, tornando-se infrutÃfera a sua correção. Desta forma, ambos se desviariam do caminho de vida e de salvação!
São Paulo, usando o seu próprio exemplo de vida, e por outras palavras, pretendia dizer as mesmas coisas que Jesus falou. São Paulo se apresentou aos cristãos de Corinto como aquele que se colocou a serviço de Cristo, para anunciar-lhes o Evangelho de salvação. Primeiramente ele declarou que não estava anunciando o Evangelho de Cristo por iniciativa própria, mas por um chamado que ele recebera do Senhor, dizendo: “Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado” (1Cor 9, 16-17).
E a seguir, o apóstolo Paulo disse que estava trabalhando nesta tarefa da evangelização sem receber nenhum salário. Porém, ele dizia que sentia-se muito bem recompensado, de uma parte, se conseguisse alcançar a salvação de alguns. E além disto, ele confiava nas promessas de Jesus – a quem ele servia – de que haveria de receber uma coroa de glória no Reino dos céus, como recompensa de suas labutas. Por isso, ele disse: “Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o evangelho me dá. Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possÃvel. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Quanto a nós, a coroa que buscamos é incorruptÃvel” (1Cor 9, 18-19; 22; 25)! Da mesma forma dizia o profeta: “A minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo! Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar” (Sl 83, 3; 5)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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