

Irmãos, já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo Santo no Senhor. E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito.
Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o! Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!
Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creem sem ter visto.
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!”. Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei. “Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra leva-nos a refletir sobre o Apóstolo São Tomé, pois celebramos hoje a festa do seu martírio. São Tomé era um dos Doze Apóstolos que exerceu o seu ministério apostólicos em vários lugares do Oriente, indo até à Índia, onde terminou seus dias, num glorioso martírio.
São Tomé fez parte do grupo dos Doze Apóstolos que Jesus pessoalmente escolheu e designou para ser missionário de seu Evangelho. Temos, na verdade, pouquíssimas referências biográficas sobre ele. A própria Sagrada Escritura foi muito breve em relação a este Apóstolo, visto que ele apareceu apenas em quatro breves passagem dos Evangelhos. A primeira vez que Tomé foi apresentado na Sagrada Escritura aconteceu quando ele apareceu fazendo parte do grupo dos Doze Apóstolos (Cf. Mc 3, 16-19). A segunda, foi quando Jesus estava subindo a Jerusalém, junto com seus discípulos, e Tomé deu a entender que estava disposto a entregar a sua vida junto com Jesus, dizendo: “Vamos todos morrer junto com Ele” (Jo 11, 16). A terceira vez ele apareceu contestando Jesus Cristo, dizendo-lhe que ele não estava conseguindo saber qual era o caminho que Jesus estava os conduzindo. Pois, Jesus havia acabado de dizer que: “‘Para onde eu vou vocês conhecem o caminho’. Tomé, então, lhe disse: ‘Senhor nós não sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho? Jesus então lhe disse: ‘Eu sou o caminho a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim” (Jo 14, 4-6)! E a última vez que São Tomé foi mencionado nos Evangelhos, foi no momento das aparições de Jesus Ressuscitado (Cf. Jo 20, 24-29).
As relações de Tomé com Jesus Cristo, depois de sua ressurreição, foram extremamente significativas. Tomé mostrou-se singularmente resistente em aceitar a ressurreição de Jesus, demonstrando uma excepcional incredulidade em relação à divindade de Jesus. Por isso, o evangelista João deu grande relevo a este episódio, dizendo: “Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz esteja convosco’. Depois disse a Tomé: ‘Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel’ Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Jesus lhe disse: ‘Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!'” (Jo 24, 26-29).
Além destas referências da Sagrada Escritura, temos alguns testemunhos de antigas tradições que nos foram transmitidas tanto pelos nossos Padres da Igreja Católica no Ocidente, quanto da Igreja Ortodoxa no Oriente. Ambas diziam que São Tomé teria saído a evangelizar rumo ao Oriente, chegando a atingir os povos pagãos que habitavam nos confins do mundo, na região da Índia.
Estas tradições foram confirmadas posteriormente pelos missionários católicos, no século XVI, quando chegaram em Malabar, na Índia. Ali encontraram uma antiga comunidade cristã que se dizia fundada pelo Apóstolo Tomé. Os cristãos de Malabar diziam que ali São Tomé tinha sido martirizado, mostrando-lhes a cripta onde estavam depositadas as sua relíquias. Além disto, um fato recente e muito curioso veio a confirmar tal tradição. Ocorreu em dezembro de 2004 um grande tsunami na costa do Malabar, que devastou toda aquela região; porém o templo que guardava as relíquias de São Tomé ficou imune às ondas gigantescas, que destruíram todas as construções adjacentes, tendo permanecido intacto somente aquele templo.
Estes fatos confirmam, a certo modo, que o Apóstolo São Tomé exerceu com muita coragem e firmeza a sua missão de pregador do Evangelho de Cristo, tornando-se o fundador de igrejas em várias partes do Oriente e da Índia. Os cristãos que foram convertidos por São Tomé foram “integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo Santo no Senhor” (Ef 2, 20-21). E assim, todos nós somos levados a elevar a nossa voz em louvor ao Senhor e Salvador Jesus Cristo, junto com os cristãos das Índias Orientais do Malabar e o glorioso apóstolo São Tomé, dizendo: “Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o! Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel” (Sl 116(117),1-2)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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