

Isto diz o Senhor: “Pelos três crimes de Israel, pelos seus quatro crimes, não retirarei a palavra: porque eles vendem o justo por dinheiro e o indigente, pelo preço de um par de chinelos; pisam, na poeira do chão, a cabeça dos pobres, e impedem o progresso dos humildes; filho e pai vão à mesma mulher, profanando meu santo nome; deitando-se junto a qualquer altar, usando roupas que foram entregues em penhor, bebem vinho à custa de pessoas multadas, na casa de Deus. Entretanto, eu tinha aniquilado, diante deles, os amorreus, homens espadaúdos como cedros e robustos como carvalhos, destruindo os frutos na ramada e arrancando-lhes as raízes. Fui eu que vos fiz sair da terra do Egito e vos guiei pelo deserto, durante quarenta anos, para ocupardes a terra dos amorreus. Pois bem, eu vos calcarei os pés, como calca o chão a carroça carregada de feixes; o mais ágil não conseguirá fugir, o mais forte não achará força, o valente não salvará a vida; o arqueiro não resistirá de pé, o corredor veloz não terá pernas para escapar, nem se salvará o cavaleiro; o mais corajoso dentre os corajosos fugirá nu, naquele dia”, diz o Senhor.
“Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! Quando vias um ladrão, tu o seguias e te juntavas ao convívio dos adúlteros. Tua boca se abriu para a maldade e tua língua maquinava a falsidade. Assentado, difamavas teu irmão, e ao filho de tua mãe injuriavas. Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos. Entendei isto, todos vós que esqueceis Deus, para que eu não arrebate a vossa vida, sem que haja mais ninguém para salvar-vos! Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
Naquele tempo, Vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Um outro dos discípulos disse a Jesus: “Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai”. Mas Jesus lhe respondeu: “Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje faz-nos um grande apelo de conversão. Os profetas antigos, ao denunciarem os pecados do povo de Israel, não tinham a intenção de condená-lo, mas fazê-lo tomar consciência de suas iniquidades, e levá-los à conversão. Contudo, ao mesmo tempo eles advertiam todas as pessoas que teimassem em perseverar no pecado, seguramente o Senhor haveria de castigá-los de forma implacável, recaindo sobre eles a ira de Deus. Jesus, no Evangelho, fez a mesma coisa. Aos que se apresentavam para segui-lo como discípulos, Jesus exigia deles uma verdadeira conversão e uma entrega total de suas vidas! E aos que se mostrassem pusilânimes ou fingidos Jesus os rejeitava!
As palavras que Deus inspirou ao profeta Amós para falar ao povo de Judá foram muito diretas, claras e sem rodeios. Ele acusava o povo dos maiores crimes, para que todos caíssem em si e reconhecessem o quanto tinham decaído e desandado nos caminhos do Senhor. Junto com as denúncias dos pecados, acompanhava uma exortação à penitência e à conversão. Por isso o profeta dizia: “Pelos três crimes de Israel, pelos seus quatro crimes, não retirarei a palavra: porque eles vendem o justo por dinheiro e o indigente, pelo preço de um par de chinelos; pisam, na poeira do chão, a cabeça dos pobres, e impedem o progresso dos humildes; filho e pai vão à mesma mulher, profanando meu santo nome; deitando-se junto a qualquer altar” (Am 2, 6-8). E, logo a seguir, o profeta Amós fez-lhes graves ameaças de castigos implacáveis, contra todo o povo, dizendo: “Pois bem, eu vos calcarei aos pés, como calca o chão a carroça carregada de feixes; o mais ágil não conseguirá fugir, o mais forte não achará força, o valente não salvará a vida” (Am 2, 13-14).
Depois destas palavras, Deus lhes lançou, ainda, um juízo implacável e eterno contra os iníquos e perversos, que não se convertessem em tempo, dizendo: “Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo. Entendei isto, todos vós que esqueceis Deus, para que eu não arrebate a vossa vida, sem que haja mais ninguém para salvar-vos” (Sl 49, 21-22)! E o profeta Davi, unindo-se ao profeta Amós, também fez um apelo muito forte de conversão, lembrando aqueles tempos difíceis do deserto, dizendo: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba” (Sl 94, 8)!
Entretanto, o Senhor dava garantias de salvação a todos os que se arrependessem e voltassem ao bom caminho, dizendo: “Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus” (Sl 49, 23).
Na breve passagem do Evangelho de Mateus, que acabamos de ouvir, vimos Jesus em meio à sua grande atividade missionária, anunciando a todos o seu Evangelho de conversão e de salvação. Ele se mostrava muito atento em acolher as multidões que vinham ao seu encontro, mas também atendia com muita cortesia as pessoas em particular.
O evangelista disse que, “num certo dia, Jesus, vendo-se rodeado por uma grande multidão, mandou passar para a outra margem do lago” (Mt 8, 18). Ou seja, parecia que Jesus havia deixado de lado as multidões, sem dar-lhes a devida atenção, fazendo menção de ir para um outro lugar, afim de encontrar-se com outras pessoas. Com esta atitude Jesus queria, provavelmente, demonstrar que ele não alimentava muitas esperanças de conversões nas suas pregações feitas às multidões. E sentia-se mais esperançoso com a conversão das pessoas que fossem abordadas individualmente; dando a entender que nesta forma de abordar as pessoas, ele podia desafiá-las a um maior comprometimento, levando-as a segui-lo com maior sinceridade e determinação. Por isso, logo a seguir, passou a dar uma atenção muito especial a dois indivíduos que se apresentaram para ser seus discípulos.
Assim sendo, primeiramente um mestre da Lei apresentou-se a Jesus para ser seu discípulo, dizendo-lhe: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás” (Mt 8, 19). Jesus não o acolheu logo como seu discípulo, mas também não o rejeitou. Apenas lhe alertou dizendo que esta decisão deveria ser sincera e bem intencionada, pois, todo aquele que viesse a assumir este ministério, teriam que imitá-lo em tudo. “Por isso, Jesus lhe respondeu: ‘As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça'” (Mt 8, 20). Ao outro indivíduo, que Jesus chamou para ser seu discípulo; este, contudo, quis protelar as coisas de forma indefinida, inventando uma desculpa esfarrapada, dizendo que primeiro queria enterrar os pais. Por isso, Jesus lhe respondeu com toda firmeza, exigindo dele um prontidão no seguimento, dizendo-lhe: “Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos” (Mt 8, 22).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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