

Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo tirarei um galho da copa do cedro, do mais alto de seus ramos arrancarei um broto e o plantarei sobre um monte alto e elevado. Vou plantá-lo sobre o alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de sua ramagem as aves farão ninhos. E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço”.
Como é bom agradecermos ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus AltÃssimo! Anunciar pela manhã vossa bondade, e o vosso amor fiel, a noite inteira. O justo crescerá como a palmeira, florirá igual ao cedro que há no LÃbano; na casa do Senhor estão plantados, nos átrios de meu Deus florescerão. Mesmo no tempo da velhice darão frutos, cheios de seiva e de folhas verdejantes; e dirão: “É justo mesmo o Senhor Deus: meu Rochedo, não existe nele o mal!”
Irmãos: Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; pois caminhamos na fé e não na visão clara. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor. Por isso, também nos empenhamos em ser agradáveis a ele, quer estejamos no corpo, quer já tenhamos deixado essa morada. Aliás, todos nós temos de comparecer às claras perante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa — prêmio ou castigo — do que tiver feito ao longo de sua vida corporal.
A Palavra de Deus é a semente; o Cristo é o semeador; e todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.
Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discÃpulos, explicava tudo.
CarÃssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste Domingo nos revela o modo como o Reino de Deus foi sendo implantado aqui neste mundo, por obra de nosso Senhor Jesus Cristo e pelo EspÃrito Santo. Porém, como disse São Paulo, todos aqueles que fizerem parte deste Reino aqui neste mundo estão peregrinando para o Reino dos Céus. E, pelo fato de que este Reino de Deus – que se encontra aqui neste mundo – seja uma realidade espiritual e invisÃvel, Jesus e os profetas se serviram do recurso de linguagem das parábolas e das metáforas para explicar os mistérios deste Reino de Deus.
Por isso, São Marcos dizia em seu Evangelho: “Desta forma, Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discÃpulos, explicava tudo” (Mc 4, 33-34). Assim sendo, caros irmãos, conforme uma antiga interpretação feita pelo bispo São Cromácio de Aquileia (Séc. V) sobre as parábolas das sementes, nós devemos entender que a semente de mostarda ou a semente de trigo, significavam o próprio Jesus Cristo e o seu Evangelho, que, uma vez anunciado neste mundo, seria semelhante à semente lançada na terra. Assim como disse Jesus: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou” (M 4, 26-29).
Assim como Jesus Cristo significava a semente, a Igreja deveria significar a planta que desabrochou daquela semente. Conforme o significado das parábolas de Jesus, a Igreja de Cristo, que iria se espalhar pelo mundo afora com a pregação dos Apóstolos, haveria de florescer e desabrochar em todo o lugar onde a Palavra de Cristo fosse disseminada. Desta forma, se pode entender facilmente que o Reino de Deus se manifestaria na Igreja, como aquela árvore frondosa, mesmo sendo um humilde pé de mostarda, como disse Jesus: “O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra” (Mc 4, 31-32).
Ou ainda, como dizia um liturgista antigo: “A Palavra de Deus é a semente; o Cristo é o semeador; e todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou” (Cfr. Lc 8, 11).
O Profeta Ezequiel também utilizou-se de parábolas para explicar os mistérios do Reino de Deus. A Igreja, o novo Povo de Deus, seria aquela árvore frondosa plantada no meio da cidade de Deus, como disse o profeta: “Vou plantá-lo sobre o alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de sua ramagem as aves farão ninhos. E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor” (Ez 17, 23-24). Ou ainda, esta árvore seria o justo, o discÃpulo de Cristo, que se tornaria uma frondosa árvore na casa do Senhor, como disse o profeta: “O justo crescerá como a palmeira, florirá igual ao cedro que há no LÃbano; na casa do Senhor estão plantados, nos átrios de meu Deus florescerão” (Sl 91, 13-14).Â
São Paulo nos exortou, em sua Carta aos Corintos, a perseverarmos nesta Igreja de Cristo, sabendo que estamos peregrinando neste mundo, rumo ao Reino dos Céus. Por isso, ele disse: “Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; pois caminhamos na fé e não na visão clara. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor” (2Cor 5, 6-8).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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