

Irmãos, considerai vós mesmos, como fostes chamados por Deus. Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres. Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu para si o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação, para que, como está escrito, “quem se gloria, glorie-se no Senhor”.
Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens. Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria. No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Por isso o nosso coração se alegra nele, seu santo nome é nossa única esperança.
Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: `Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence.’ Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!'”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra da celebração de hoje nos coloca diante dos mistérios do plano divino de salvação, que foi criado por Deus Pai. Nós verificamos, nas leituras que acabamos de ouvir, que o Senhor nosso Deus tinha o seu jeito próprio de realizar o seu plano de salvação, seguindo um projeto muito bem traçado por ele, para realizá-lo em favor de toda a humanidade.
Contudo, Caros irmãos, como este projeto divino de salvação era muito complexo e misterioso, o Senhor decidiu revelar-nos os mistérios deste seu projeto de salvação por meio de parábolas. Assim, servindo-se deste recurso de linguagem, o Senhor e Salvador Jesus Cristo fez com que compreendêssemos com grande facilidade os mistérios mais complexos a respeito de nossa salvação e do plano divino de salvação a ser realizado por meio de nosso Salvador Jesus Cristo! Então, com este modo de falar em parábolas, nós conseguiríamos compreender melhor aquelas realidades espirituais e misteriosas, ao serem apresentadas por meio de imagens de coisas concretas e materiais.
Assim sendo, poderíamos interpretar a parábola do Evangelho que acabamos de ouvir, tirando a seguinte conclusão: O Plano de Salvação criado por Deus consistia na transferência da humanidade que estaria, atualmente, vivendo aqui neste mundo, para um outro mundo espiritual e divino, que Jesus chamava de “Reino dos Céus”! Então, tendo isto presente, poderíamos entender da seguinte forma as palavras de Jesus, que disse: “O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!'” (Mt 25, 20-21).
Além disto, caros irmãos, junto com este plano de salvação apresentado por Cristo, estava incluído um “plano de condenação” para aqueles que se opusessem à vontade salvífica de Deus, ou não realizassem aquelas obras necessárias para que eles pudessem dignamente serem recebidos por Deus, no seu Reino Eterno! Isto nós poderíamos concluir a partir das palavras de Jesus, que constam na sua parábola, na qual ele dizia o seguinte: “O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence.’ Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes'” (Mt 25, 26-30)
São Paulo, na sua Carta aos Corintos, ao apresentar aos fiéis cristãos de Corinto o seu Evangelho de Salvação, ele disse que Deus tinha um jeito muito peculiar de realizar o seu plano de redenção e de salvação. E Paulo garantia aos seus ouvintes, que este jeito de Deus realizar a salvação, fora revelado por Jesus Cristo aos seus apóstolos – e a ele em particular -, como sendo a mais elevada sabedoria de Deus, e que ela tinha o poder de salvar as pessoas que a compreendessem e nela acreditassem! Porém, conforme as palavras de Paulo, o anúncio dos mistérios de nossa salvação poderiam, por vezes, causar nas pessoas uma certa perplexidade, algumas dificuldades de compreensão e inclusive um certo escândalo.
Porém, por mais que isto pudesse parecer estranho e confuso, o Senhor nosso Deus havia traçado um plano de salvação que devia ser realizando por nosso Salvador Jesus Cristo, passando por meio da humilhante paixão e morte na cruz! Não haveria outro caminho a ser seguido! Por isso, Paulo disse: “Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu para si o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação, para que, como está escrito, “quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 1, 27-31).
Uma vez tendo compreendido estas palavras de Cristo e de Paulo, poderemos todos juntos aclamar o Senhor, dizendo: “Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens. Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria. No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção” (Sl 32, 12-13; 18-20)!
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