

Irmãos, de fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria. A pregação a respeito da cruz é uma insensatez para os que se perdem, mas para os que se salvam, para nós, ela é poder de Deus. Com efeito, está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e frustrarei a perspicácia dos inteligentes”. Onde está o sábio? Onde o mestre da Lei? Onde o questionador deste mundo? Acaso Deus não mostrou a insensatez da sabedoria do mundo? De fato, na manifestação da sabedoria de Deus, o mundo não chegou a conhecer Deus por meio da sabedoria; por isso, Deus houve por bem salvar os que creem por meio da insensatez da pregação. Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é dito fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
Ó justos, alegrai-vos no Senhor! aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça. O Senhor desfaz os planos das nações e os projetos que os povos se propõem. Mas os desígnios do Senhor são para sempre, e os pensamentos que ele traz no coração, de geração em geração, vão perdurar.
Vigiai e orai para ficardes de pé, ante o Filho do Homem!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra da celebração de hoje é uma verdadeira proclamação do Evangelho da Salvação. Tanto Jesus Cristo, quanto o Apóstolo Paulo nos exortam a entrar no caminho de salvação, para, assim, entrar no Reino dos Céus. Eles nos exortam a estarmos vigilantes e em prontidão para que recebamos com toda dignidade e fé o Filho do Homem quando ele vier em sua glória, como disse Jesus: “Vigiai e orai para ficardes de pé, ante o Filho do Homem” (Lc 21, 36)!
Como de costume, Jesus preferia criar uma parábola para explicar os mistérios da salvação e do Reino dos Céus. Por isso, ele começou logo dizendo: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas” (Mt 25, 1-4). Ou seja, as jovens previdentes representavam aquelas pessoas que estariam repletas das boas obras e da graça divina; caminhando nesta vida iluminadas pela fé e pela sabedoria de Deus. As imprevidentes, por sua vez, representariam aquelas pessoas que estariam vazias de boas obras e da graça divina. Estas jovens estariam repletas de futilidades e preocupações mundanas, vivendo nas trevas da ignorância e da insensatez deste mundo, sem se preocuparem com as realidades espirituais e com a sua vida eterna!
Quando, finalmente, haveria de chegar aquela hora derradeira, aquela hora de entrar no Reino dos Céus, as previdentes seriam imediatamente conduzidas para o banquete eterno, junto com o Noivo, o bendito Salvador e Salvador Jesus Cristo! As imprevidentes tentariam, de última hora, arranjar algumas coisa para que pudessem merecer a entrada no Reino dos Céus; porém, infelizmente, elas acabariam sendo vergonhosamente barradas na porta, do modo como Jesus disse: “Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!'” (Mt 25, 11-12).
E assim, no final da parábola, Jesus apresentou a mensagem evangélica a todos nós, dizendo o seguinte: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora” (Mt 25, 13). Ou como ele disse em outro momento: “Vigiai e orai para ficardes de pé, ante o Filho do Homem” (Lc 21, 36)!
São Paulo, na introdução da sua Primeira Carta aos Corintos, apresentou um resumo do seu Evangelho. Ali ele disse que a sua pregação era muito simples e humilde, e estreitamente ligada ao mistério da salvação que Cristo, que ele realizou mediante a sua morte na Cruz e a sua Ressurreição! Paulo, então, declarou dizendo que a sua pregação consistia na mensagem da “Boa-Nova da Salvação” (1Cor 1, 17)! Ou melhor, “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria. A pregação a respeito da cruz é uma insensatez para os que se perdem, mas para os que se salvam, para nós, ela é poder de Deus” (1Cor 1, 17-18).
Com estas palavras São Paulo quis explicar aos cristãos de Corinto que a sua pregação consistia em convocá-los à salvação eterna, para que todos aqueles que se convertessem e acreditassem na sua pregação, pudessem entrar no Reino dos Céus. Por isso, ele disse: “De fato, na manifestação da sabedoria de Deus, o mundo não chegou a conhecer Deus por meio da sabedoria; por isso, Deus houve por bem salvar os que creem por meio da insensatez da pregação. Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1, 21-24).
Portanto, todos nós que abraçamos a Sabedoria de Deus e acreditamos no Cristo Crucificado, podemos dar glórias a Deus, dizendo: “Ó justos, alegrai-vos no Senhor! aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça” (Sl 32, 1-2; 4-5).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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