

Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor. Reparai que consideramos como bem-aventurados os que perseveraram. Ouvistes falar da perseverança de Jó e conheceis o êxito que o Senhor lhe deu — pois o Senhor é rico em misericórdia e compassivo. Sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outra forma de juramento. Antes, que o vosso sim seja sim, e o vosso não, não. Então não estareis sujeitos a julgamento.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores! Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão. O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.
Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade!
Naquele tempo, Jesus foi para o território da Judeia, do outro lado do rio Jordão. As multidões se reuniram de novo, em torno de Jesus. E ele, como de costume, as ensinava. Alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” Os fariseus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”.
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo! A Liturgia da Palavra que acabamos de ouvir nos ensina que o homem e a mulher que estão casados devem perseverar na união conjugal e na fidelidade matrimonial, da mesma forma como eles devem permanecer firmes e fiéis na sua união com Deus e na prática dos seus mandamentos. Pois, as normas que Jesus deu sobre o matrimônio necessariamente devem ser consideradas por todos os cristãos, discípulos do Senhor, para que perseverem, em sua vida doméstica, no amor, na verdade e na santidade, como disse o Evangelista: “Vossa palavra é a verdade; santificai-nos na verdade” (Jo 17, 17)!
Jesus Cristo nos ensinou em seu Evangelho que o relacionamento conjugal e o vínculo matrimonial, entre o homem e a mulher que se casaram para fundar uma família, é matéria essencial de seu Evangelho. As determinações doutrinais de Jesus Cristo sobre a fidelidade e sobre indissolubilidade do vínculo matrimonial faziam parte de seu Evangelho. Pois, segundo Jesus Cristo, esta doutrina estava em plena conformidade com a vontade divina do Deus Criador. E, assim sendo, tudo aquilo que Deus estabelecera como norma de vida no momento da criação, ninguém, nem o próprio Jesus Cristo, estava, absolutamente, autorizado a modificá-lo! Ou melhor, nenhum homem, nem Moisés e nem Jesus Cristo podiam dar normas que contrariassem aquilo que o Deus Criador havia estabelecido lá no início, no momento da criação. Por isso, Jesus retomou as determinações do Criador ao falar sobre o relacionamento conjugal entre o homem e a mulher, confirmando a vontade divina sobre a fidelidade conjugal e a indissolubilidade do matrimônio.
Jesus Cristo deixou bem claro a todos os seus ouvintes – e para toda a humanidade – que a sua doutrina evangélica sobre o matrimônio, que estabelecia um pacto indissolúvel entre os esposos, estava comprometida com as determinações divinas sobre o matrimônio, desde a criação do mundo. Por isso, ele disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mc 10, 6-9)!
E para que não ficasse nenhuma dúvida sobre esta matéria que acabara de ensinar em público, Jesus Cristo retomou o mesmo assunto com os Apóstolos, em particular, ao chegar em casa. Isto ele o fez para que os seus discípulos compreendessem que aquilo que ele estava falando era um assunto sério; e que o adultério sempre seria um pecado grave, que deveria ser combatido na sua Igreja. Pois, tal comportamento provocaria um estado permanente de pecado, comprometendo seriamente a salvação dos fiéis adúlteros, sobretudo daqueles que tiverem se divorciado. Por isso, Jesus lhes disse: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério” (Mc 10, 11-12).
Assim sendo, caros irmãos, tão importante quanto a fidelidade e a unidade de amor que os casais cristãos deveriam ter entre si, da mesma forma, deveria haver um empenho perseverante deste casal de estabelecer nesta comunidade doméstica um amor intenso com Deus, mantendo-se fiéis aos seus mandamentos. Além disto, poderíamos ainda acrescentar que, tanto a fidelidade conjugal entre marido e mulher, quanto a fidelidade de amor para com Deus, exigem do casal cristão muita perseverança e um sincero espírito de sacrifício, como disse São Tiago: “Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor. Reparai que consideramos como bem-aventurados os que perseveraram. Ouvistes falar da perseverança de Jó e conheceis o êxito que o Senhor lhe deu — pois o Senhor é rico em misericórdia e compassivo” (Tg 5, 10-11).
Por isso, caros irmãos, se alguma falha ocorrer neste sentido e se algum pecado grave for cometido, estejamos todos prontos ao arrependimento, retomando o bom caminho da santidade e da fidelidade conjugal, como disse o salmista: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores! Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão. O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo”. (Sl 102, 2-4; 8).
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