

Naquele tempo disse o Senhor a Moisés: “Então toda a comunidade de Israel reunida imolará o cordeiro ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerdes. Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘passagem’ do Senhor! E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor”.
Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor. É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.
Irmãos, o que eu recebi do Senhor, foi isso que eu vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.
Louvor e honra a vós, Senhor Jesus. O Espírito do Senhor sobre mim fez a sua unção, enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação!
Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” Respondeu Jesus: “Agora não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”. Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”. Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.
Jesus Cristo instituiu a Eucaristia de seu Corpo e de seu Sangue, como o sacrifício da Nova Aliança!
Caríssimos irmãos, em Cristo nosso Senhor e Redentor! Hoje, nesta Quinta-feira Santa, celebramos três eventos muito importantes de nossa fé em Jesus Cristo, o nosso Senhor: 1º – As últimas palavras que Jesus disse aos seus Apóstolos, reunidos no Cenáculo! 2º – A instituição da Eucaristia, como Sacrifício da nova Aliança, no Corpo e no Sangue de Jesus! 3º – O preceito da humildade e da caridade no exercício do ministério apostólico, através do simbolismo do “Lava-pés”!
1º – Estando, neste momento, todos ali reunidos no Cenáculo, junto à mesa, em presença de Cristo, foram proclamadas as últimas palavras de Cristo aos seus Apóstolos. Jesus, de forma solene quis que estas palavras tivessem um significado todo especial para a sua Igreja. Eram como que um resumo do seu Evangelho e que deveriam ser guardadas com muito carinho pelos seus discípulos.
Neste momento solene, Jesus fez um longo discurso, recordando aos seus discípulos o seu Evangelho, dizendo-lhes: “O Espírito do Senhor está sobre mim e ele me ungiu para anunciar aos pobres a alegria do Evangelho” (Lc 4, 18)! “Pois, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 3). Deste modo, as palavras e os gestos que Jesus dirigiu aos apóstolos naquela noite no Cenáculo foram de fundamental importância para a sua futura Igreja. Daquele momento em diante, os apóstolos deveriam estar bem atentos com tudo o que aconteceria em relação à pessoa de Jesus.
2º – Quando Jesus se reuniu com seus Apóstolos no Cenáculo, em Jerusalém, eles pensaram que iriam celebrar a páscoa judaica, seguindo os ritos instituídos por Moisés, como Jesus sempre fizera antes. Pois, conforme as palavras do Senhor: “Toda a comunidade de Israel reunida imolará o cordeiro ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerdes. Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘passagem’ do Senhor” (Ex 12, 6 -7, 11)!
Porém, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, Jesus Cristo não seguiu os ritos instituídos por Moisés, mas realizou ritos novos, instituídos pelo próprio Jesus. Assim, modificando substancialmente o ritual da Páscoa Judaica, eles não comeram, naquela ceia pascal, um cordeiro. Pois, o Cordeiro Pascal deveria ser o próprio Jesus, que iria ser imolado logo a seguir, na sua paixão e morte na Cruz. Por isso, Jesus instituiu um novo rito pascal que deveria ser, a partir daquele momento, a memória perpétua da nova Aliança e do novo Sacrifício do Cordeiro Divino. Este Cordeiro de Deus seria imolado, logo a seguir, em favor de toda a humanidade, no sacrifício da Cruz.
Neste novo rito pascal Jesus não tomou um cordeiro, mas tomou o pão e o vinho – em lugar do cordeiro imolado -, para significarem o seu corpo e o seu sangue. Como disse Davi a respeito deste sacrifício de Jesus: “Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor. Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor” (Sl 115, 13; 17). E a seguir, o profeta anunciou que este memorial de Cristo seria um verdadeiro sacrifício, no qual o Cordeiro de Deus estaria sendo imolado, ao proferir as seguintes palavras: “É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor” (Sl 115, 15-16).
Assim sendo, durante a ceia, “na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória” (1Cor 11, 23-24). E a seguir, ele transformou o vinho em seu sangue, dizendo: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11, 25-26). Esta seria, para sempre, a celebração da Páscoa do Senhor Jesus! Este seria o Sacrifício Eucarístico que doravante a Igreja do Senhor Jesus deveria celebrar, em sua memória, para sempre, até o dia em que ele vier!
3º – E por fim, Jesus realizou a solene cerimônia do “Lava-pés”! Então, depois da ceia, Jesus lavou os pés dos apóstolos para dar-lhes o seu último recado! Por isso, Jesus pediu que eles guardassem com muito carinho este gesto, pois tal gesto tinha um significado evangélico muito grande! Pois, este ato de lavar os pés deveria ser a atitude de todo ministro da Nova Aliança, no exercício do seu ministério apostólico. Todos os apóstolos e ministros do Senhor deveriam ser imitadores de Cristo, em seu ministério, primando pela humildade, pela caridade e pela prontidão em servir. Assim sendo,“depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13, 12-15).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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