

Senhor, avisaste-me e eu entendi; fizeste-me saber as intrigas deles. Eu era como manso cordeiro levado ao sacrifício, e não sabia que tramavam contra mim: “Vamos cortar a árvore em toda sua força, eliminá-lo do mundo dos vivos, para seu nome não ser mais lembrado”. E tu, Senhor dos exércitos, que julgas com justiça e perscrutas os afetos do coração, concede que eu veja a vingança que tomarás contra eles, pois eu te confiei a minha causa.
Senhor meu Deus, em vós procuro o meu refúgio: vinde salvar-me do inimigo, libertai-me! Não aconteça que agarrem minha vida como um leão que despedaça a sua presa, sem que ninguém venha salvar-me e libertar-me! Julgai-me, Senhor Deus, como eu mereço e segundo a inocência que há em mim! Ponde um fim à iniquidade dos perversos, e confirmai o vosso justo, ó Deus-justiça, vós que sondais os nossos rins e corações O Deus vivo é um escudo protetor, e salva aqueles que têm reto coração. Deus é juiz, e ele julga com justiça, mas é um Deus que ameaça cada dia.
Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor! Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e produzem muitos frutos; estes serão perseverantes até o fim!
Naquele tempo, ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. E cada um voltou para sua casa.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavras nos apresenta o nosso Senhor Jesus Cristo como vítima de incompreensões e hostilidades ao desempenhar o seu ministério profético entre os seus irmãs. Ele se ternou um sinal de contradição ao apresentar aos judeus a Palavra de Deus. Da mesma forma como Jesus foi tratado pelas autoridades de Jerusalém, também, outrora, os profetas e o próprio Jeremias foram maltratados, hostilizados e perseguidos por eles.
Jesus tinha plena consciência de que haveria de sofre uma dura oposição de seus adversários, no momento em que ele começasse a se manifestar ao mundo, revelando a sua face messiânica e divina. Pois, os malfeitores naturalmente não suportariam conviver com um justo, um santo e um homem de Deus. Pois, as palavras e o teor de vida de Jesus provocava irritações e desconfortos no coração dos ímpios, por se sentirem repreendidos em sua malícia. Os mentirosos e os hipócritas não suportavam ser contrariados e desmascarados pela verdade do seu Evangelho. Jesus sabia perfeitamente que haveria de encontrar muitas oposições e hostilidades por tais pessoas que viviam nas trevas do pecado; assim como as trevas não suportam a luz. Era, portanto, inevitável que ele se tornasse alvo de hostilidades e perseguições, bem como de toda sorte de maledicências, como acontecera, anteriormente, com todos os profetas em Israel.
Jeremias foi aquele profeta que mais se assemelhou a Jesus Cristo no seu ministério profético. Sem que tivesse dado qualquer motivo, Jeremias conseguira atrair sobre si a fúria e o ódio de seus inimigos pelo simples fato de ser profeta e comprometido com a Palavra de Deus. Ele foi por Deus iluminado e advertido sobre as intrigas de seus adversário, pois, “o Senhor me avisou e eu entendi; fizeste-me saber das intrigas deles. Eu era como manso cordeiro levado ao sacrifício, e não sabia que tramavam contra mim: ‘Vamos cortar a árvore em toda sua força, eliminá-lo do mundo dos vivos, para seu nome não ser mais lembrado’” (Jr 11, 18-19). Mas o profeta não perdeu a esperança de ser amparado pelo Senhor, pois ele havia colocado em suas mãos a sua causa. Por isso, ele dizia: “E tu, Senhor dos exércitos, que julgas com justiça e perscrutas os afetos do coração, concede que eu veja a vingança que tomarás contra eles, pois eu te confiei a minha causa” (Jr 11, 20).
O salmista elevou a Deus uma oração implorando a Deus a sua proteção, diante da fúria de seus inimigos. Pois o justo que se propõe viver na santidade e na justiça, sofre inúmeras provocações e afrontas dos ímpios e dos malvados. Por isso, ele disse: “Senhor meu Deus, em vós procuro o meu refúgio: vinde salvar-me do inimigo, libertai-me! Não aconteça que agarrem minha vida como um leão que despedaça a sua presa, sem que ninguém venha salvar-me e libertar-me! Ponde um fim à iniquidade dos perversos, e confirmai o vosso justo, ó Deus-justiça, vós que sondais os nossos rins e corações. O Deus vivo é um escudo protetor, e salva aqueles que têm reto coração” (Sl 7, 2-3; 10-11). E para confirmar estas palavras de Davi, Jesus disse: “Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e produzem muitos frutos; estes serão perseverantes até o fim” (Lc 8, 15)!
O nosso Salvador Jesus Cristo, sendo justo, manso e humilde, enquanto pregava no Templo de Jerusalém, era alvo dos mais contraditórios comentários. Sendo ele o Mestre da verdade e o Profeta que falava com autoridade a Palavra de Deus, tornou-se logo um sinal de contradição entre as multidões que o ouviam, tornando-se alvo de hostilidades dos seus inimigos e das autoridades religiosas judaicas. “Por isso, ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: ‘Este é, verdadeiramente, o Profeta’. Outros diziam: ‘Ele é o Messias’. Mas alguns objetavam: ‘Porventura o Messias virá da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?’ Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele” (Jo 7, 40-44).
Por fim, Nicodemos, homem justo e temente a Deus, que fazia parte do grupo dos fariseus e das autoridades em Jerusalém, depois de tentar defender Jesus, também tornou-se alvo de hostilidades dos seus próprios companheiros, que lhe disseram, com uma certa irritação e hostilidade: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta” (Jo 7, 52-53).
Enfim, podemos dizer que todo aquele que permanecer firme e confiante na poderosa mão divina, a exemplo de Jesus Cristo, não tem nada a temer, como disse o Senhor: “Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e produzem muitos frutos; estes serão perseverantes até o fim” (Lc 8, 15)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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