
O Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi”. Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes.
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado. Nele também nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo.
Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo!
Naquele tempo, no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe:
“Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
Caríssimos irmãos e irmãs! Celebramos hoje a solene festa litúrgica da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria. Pois aquela que esteve sempre repleta do Espírito Santo e o Senhor estava sempre com ela, precisava ter sido preservada de todo o pecado desde a sua concepção. Por isso, o Anjo disse: “Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28)!
Esta festa litúrgica é relativamente antiga na Igreja Católica, que remonta ao tempo dos primeiros séculos da Igreja, no tempo dos santos Padres da Igreja – Santo Irineu de Lyon e Santo Ambrósio – que desenvolveram a doutrina da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Mãe de Cristo. Já naqueles tempos remotos havia uma celebração litúrgica na qual se invocava a Virgem Mãe Imaculada, por ter sido miraculosamente preservada do pecado original. Porém, no século XV, em 1477, o Papa Sixto IV, instituiu a festa litúrgica da Imaculada Conceição a ser celebrada no dia 8 de dezembro.
A devoção à Imaculada Conceição da Virgem Maria encontrou um grande incremento durante o século XIX, quando o Papa Pio IX definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, com a bula “Ineffábilis Deus”, publicado no dia 08 de dezembro de 1854. A partir de então esta doutrina da Imaculada Conceição de Maria tornou-se doutrina oficial da Igreja, sendo celebrada de forma vibrante e solene na celebração litúrgica do dia 8 de dezembro, ou no domingo seguinte.
A Igreja desenvolveu esta doutrina e devoção à Imaculada Conceição de Maria acreditando que era necessário que Maria, a Mâe de Jesus, tivesse sido preservada do pecado original – aquela mancha do pedado que todos nós herdamos do pecado de Adão e Eva – de uma forma única e sobrenatural, para que ela tivesse uma alma puríssima ao gerar em seu corpo o nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, a Liturgia da Palavra desta festividade faz a memória do triste evento da queda de nossos pais; daquele pecado de desobediência a Deus, que, por disposição divina, acabou sendo transmitido à toda a humanidade, no assim chamado: “Pecado Original”.
Maria sendo purificada do “Pecado Original” no primeiro instante de sua concepção, tornou-se imaculada de qualquer pecado, para poder resplandecer em toda a dignidade e santidade aquela que devia gerar o “Santo, Filho de Deus” (Lc 1, 35). Sendo purificada do pecado original, ela foi a primeira a ser salva e redimida pelo Redentor e Salvador nosso, Jesus Cristo! Por sua Imaculada Conceição, Maria se tornou a primeira testemunha e apóstola do Salvador, como disse o profeta: “O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai” (Sl 97, 2-4)!
Embora a Sagrada Escritura não faça nenhuma referência explícita sobre este evento da Imaculada Concepção de Maria, entretanto a Igreja, junto com os papas e os santos padres, entendeu que a Sagrada Escritura, de forma implícita, fazia referência a este dogma, quando o Anjo Gabriel, no momento da anunciação, saudou Maria, dizendo: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28)!
No entanto, tudo aquilo que Paulo disse que aconteceria aos cristãos no momento do seu batismo, nós podemos dizer que Maria foi agraciada e abençoada com um batismo todo especial, realizado pelo Espírito Santo, no momento de sua concepção, tornando-a santíssima e puríssima em sua alma e em seu corpo. Conforme as palavras de Paulo: “Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado” (Ef 1, 3-6).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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