

Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza; foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que a ele pertencem. A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz. Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade; tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; vão julgar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos.
Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido.
Quem me ama, realmente, guardará minha palavra, e meu Pai o amará e a ele nós viremos.
Naquele tempo, disse Jesus: “Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa’? Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’ Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos exorta a sermos humildes e obedientes, fazendo todas as coisas com um espírito de serviço e de amor a Deus. Realizando as nossas tarefas e obrigações desta forma, e resguardando-nos na justiça e na santidade, sermos agradáveis ao Senhor e receberemos dele a graça de sua proteção e da sua salvação. Deste modo. “a vida dos justos estará nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá” (Sb 3, 1)!
O nosso Senhor Jesus Cristo, no Evangelho que acabamos de ouvir, deu-nos uma firme recomendação de sermos humildes e obedientes, se quisermos ser reconhecidos por Deus como bons discípulos e servos do Senhor. Ou seja, todo aquele que quisesse se tornar um autêntico discípulo do Senhor, deveria guardar a sua palavra com toda solicitude e diligência, praticando-a na justiça e na santidade, como um humilde servo que realiza tudo aquilo que seu Senhor lhe ordenou. Como disse Jesus em outro momento: “Quem me ama, realmente, guardará minhas palavras, e meu Pai o amará e nele faremos nossa morada” (Jo 14, 23).
E assim, caros irmãos, depois de termos feito tudo o que o Senhor nos ordenou, com sincera humildade, devemos dizer, como o próprio Jesus Cristo nos sugeriu que disséssemos: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17, 10). Portanto, com estas palavras, haveríamos de expressar ao nosso Senhor Jesus Cristo toda a nossa disponibilidade e solicitude em servi-lo, cumprindo a sua vontade. E isto nós o fazemos deste modo, pois sabemos que o nosso Senhor não se deixa vencer em generosidade, vendo com agrado a nossa disposição em servi-lo, ele não deixará de nos recompensar com todos os seus dons, fazendo-nos participar de sua glória e de sua bem-aventurança eterna.
Como falava, outrora, o sábio profeta do Livro da Sabedoria, a respeito das pessoas que serviam a Deus com toda solicitude, empenhando-se numa vida de justiça e santidade, ele dizia: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz. Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade; tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; vão julgar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre” (Sb 3, 1-8).
Portanto, caros irmãos, o justo e humilde servo do Senhor pode acreditar, com firme esperança, que ele será acolhido por Deus na bem-aventurança eterna, depois de sofrer resignadamente as provações e dificuldades desta vida, conforme as palavras do Salmista, que disse: “Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! Pois, o Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta” (Sl 33, 3; 16-18).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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