

A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram. Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta. Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela em breve há de viver despreocupado. Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.
Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água! Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam. Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! A minh’alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios. Penso em vós no meu leito, de noite, nas vigílias suspiro por vós! Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto!
Irmãos: não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram. Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. Exortai-vos, pois, uns aos outros, com essas palavras.
É preciso vigiar e ficar de prontidão; pois não sabeis em que dia o Senhor há de vir!
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar dos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra deste domingo nos ensina que os cristãos sábios e prudentes, que estiverem vigilantes e unidos a Cristo – pela fé e pela esperança – devem se preparar diligentemente para a sua morte pessoal, com sabedoria, prudência e vigilância. Pois, somente os que estão repletos desta sabedoria que vem de Deus vigiam com prudência sobre a sua própria conduta de vida, tornando-se aptos a encontrar-se com Senhor, naquele grande dia quando ele vier.
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, nos revelou como deverá ser o destino de cada um, na hora da sua morte, quando Deus o chamar. Ele deixou bem claro – através de uma parábola muito simples e de fácil compreensão -, que devemos estar preparados para aquele momento derradeiro de nossa vida, aguardando-o com toda vigilância. Pois, somente os que assim se comportarem, serão salvos e viverão definitivamente no Reino de Deus. Estas foram uma das últimas palavras de Jesus, que dizia: “É preciso vigiar e ficar de prontidão; pois não sabeis em que dia o Senhor há de vir” (Mt 24, 42a.44)!
E, todos os insensatos, mundanos e relaxados, seriam abandonados neste mundo das trevas e dos abismos exteriores, como disse o próprio Jesus na sua parábola, a respeito daquelas cinco virgens frívolas e insensatas: “Enquanto as insensatas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora” (Mt 25, 10-13).
São Paulo, por sua vez, exortava com todas as forças os irmãos tessalonicenses a se prepararem bem àquele momento derradeiro e tão importante para todas as pessoas que estão neste mundo. Paulo fala com toda a autoridade apostólica, como quem recebeu do Senhor a revelação e o conhecimento sobre a ressurreição dos mortos; tanto a respeito daquela ressurreição particular, na hora da morte, quanto aquela universal, do último dia. Deste modo, falando da ressurreição particular dos mortos, ele dizia: “Irmãos: não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte” (1Ts 4, 13-14). Com estas palavras Paulo disse que os fiéis cristãos que viessem a morrer unidos a Cristo, teriam a graça de ressuscitarem imediatamente para junto de Deus, no céu!.
Porém, além desta ressurreição particular, haveria uma ressurreição universal, na qual o Senhor e Salvador, o Justo Juiz, haveria de recolher em torno de si, tanto os vivos quanto o que já morreram. Assim, todos seriam arrebatados definitivamente para junto de si, no seu Reino da eterna glória. E sobre esta ressurreição universal, tanto dos vivos quanto dos mortos, aconteceria naquele último dia, quando o Senhor Jesus haverá de vir, em poder e glória, para ser o Justo Juiz de todos os homens, conforme as suas palavras: “Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4, 16-17).
Aí, então, naquele momento derradeiro, todos os fiéis cristãos que, com sabedoria e prudência, se prepararam para receber o Senhor e Salvador Jesus Cristo, poderão cantar o seguinte hino: “Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água! Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder” (Sl 62, 1-3).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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