
Irmãos, não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, — pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei. De fato, os mandamentos: “Não cometerás adultério”, “Não matarás”, “Não roubarás”, “Não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento se resumem neste: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.
Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos! Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.
Felizes sereis vós, se fordes ultrajados, por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus.
Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje, nos incita a nos tornarmos verdadeiros cristãos, desafiando-nos a praticar as obras que nos permitam alcançar o grau de discípulos de Cristo, tais como: desapegar-nos dos bens que possuímos neste mundo, afastando-nos de toda cobiça e observar os seus mandamentos e conselhos evangélicos. E, além disto, Jesus queria que os seus fiéis discípulos não o seguissem apenas por alguns momentos, mas por toda a vida, até o fim, para serem dignos de fazer parte do seu Reino Eterno!
Jesus, no Evangelho que ouvimos, disse que existiam três condições necessárias para que nos tornássemos autênticos discípulos de Cristo. A primeira condição seria a seguinte: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26). E a segunda condição seria: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27). E por último, a terceira condição seria: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 33)!
Estas condições, acima elencadas por Jesus Cristo, eram, na verdade, muito exigentes; e deixavam a todos os seus ouvintes bem espantados e apreensivos; visto que elas tocavam em questões básicas da vida das pessoas aqui neste mundo. Por isso, logo a seguir, Jesus alertou-os a refletirem bem, antes de darem este passo. Portanto, deviam calcular bem estas condições que estavam sendo propostas; e também deviam verificar se estavam dispostos a assumi-las até o fim de suas vidas. Por isso, Jesus disse: “Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar” (Lc 14, 28-30)!
Portanto, caros irmãos, para seguir Jesus Cristo como seu discípulo era necessário renunciar, ou desapegar-se, de seus familiares, dos confortos da vida, e dos bens materiais; carregando, assim, com coragem a sua cruz cada dia! E São Pedro acrescentou ainda um outro elemento, dizendo: “Felizes sereis vós, se fordes ultrajados, por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus” (1Pd 4, 14).
Este heroico espírito de sacrifício e de renúncia, que Jesus propôs aos seus discípulos, seriam aqueles gestos concretos no qual manifestaríamos o nosso amor maior e preferencial a Deus e ao Senhor e Salvador Jesus Cristo, em detrimento do amor próprio e de nossos familiares. Estaríamos, assim, renunciando a estes bens deste mundo, para poder, com maior liberdade, amar a Deus acima de todas as coisas! Deste modo, cumpriríamos perfeitamente todos os seus mandamentos e os seus sábios conselhos, como disse o profeta: “Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Ele é correto, generoso e compassivo, como a luz brilha nas trevas para os justos. Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez” (Sl 111, 1; 4-5; 9).
Assim, caros irmãos, renunciando às coisas que Jesus nos propôs, não nos deixaríamos escravizar pelos bens que possuímos e nem amaríamos apenas aos nossos familiares. Estaríamos, deste modo, abertos e livres para um amor fraterno bem mais amplo e intenso, como disse São Paulo aos cristão de Roma: “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, — pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei” (Rm 13, 8; 10).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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