

Irmãos, eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. Pois já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? Mas se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança.
Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções. Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria. Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Naquele tempo, Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus?Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Palavra de Deus que ouvimos nesta Liturgia quer despertar em nós um desejo ardente de buscar o Reino dos Céus. A grande mensagem do Evangelho de Jesus Cristo consistia em anunciar as grandes promessas divinas aos seus discípulos, declarando-os como os herdeiros da vida eterna. Esta mensagem, portanto, declarava que eles haveriam de receber a vida eterna no Reino de Deus como recompensa de sua boa conduta de vida, se eles perseverassem, até o final de suas vidas, na fé, na esperança e no amor a Cristo e ao seu Evangelho!
A Palavra de Deus diz que existia um paradoxo enorme entre esta vida atual, que vivemos aqui neste mundo, e aquela vida futura, no Reino dos Céus. Isto nos foi dito de diversas formas, nas leituras que acabamos de ouvir. No Evangelho que ouvimos, Jesus contou a parábolas da semente de mostarda, dizendo: “O Reino de Deus é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos” (Lc 13, 19). Ou seja, somente depois que a minúscula semente de mostarda for lançada à terra e vier a morrer, ela se transformaria numa frondosa árvore. Isto significa que a nossa vida aqui neste mundo é insignificante, temporária e frágil, como a semente de mostarda. Mas depois da morte ela iria se desabrochar e se transformar numa vida nova, atingindo uma condição de vida exuberante e gloriosa, como a árvore de mostarda.
A outra parábola era a seguinte: “O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” Lc 13, 21). Ou seja, somente depois de passar pelo fogo, a massa de farinha fermentada se transformaria num pão delicioso. Assim, de modo semelhante, deverá acontecer conosco depois de passarmos pela morte. Seremos, então, transformados e ressuscitaremos para uma vida nova, cheia de delícias e felicidades, no Reino dos céus!
Deste modo, caros irmãos, depois de Jesus anunciar os mistérios do Reino de Deus àquelas pessoas simples e humildes que o ouviam, ele elevou os olhos aos céus e fez a seguinte oração, dizendo: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores” (Mt 11, 25)!
O Salmista, por sua vez, tirou a seguinte conclusão diante das parábolas de Jesus: Esta vida neste mundo, certamente, é cheia de aflições e perturbações, semelhante ao escravo que vive no cativeiro. Porém, quando Deus nos chamar para a outra vida, alcançaremos a nossa libertação, para vivermos livres na Terra Prometida, que Deus preparou para nós. Pois, segundo o salmista: “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções. Entre os gentios se dizia: ‘Maravilhas fez com eles o Senhor! Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria'” (Sl 125, 1-3)!
E as palavras do Apóstolo Paulo são muito mais claras, ao nos apresentar quão maravilhosa e gloriosa é a herança que nos foi preparada por Deus, e que ansiosamente esperamos um dia alcançar. Pois é na esperança que aguardamos o Reino dos céus, com dizia São Paulo aos cristãos de Roma: “Irmãos, eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. Pois já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? Mas se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança” (Rm 8, 18; 23-25).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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