

Irmãos, agora, sem depender do regime da Lei, a justiça de Deus se manifestou, atestada pela Lei e pelos Profetas; justiça de Deus essa, que se realiza mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que têm a fé. Pois diante desta justiça não há distinção: todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, realizada em Jesus Cristo. Deus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé. Assim, Deus mostrou sua justiça em ter deixado sem castigo os pecados cometidos outrora, no tempo de sua tolerância. Assim ainda ele demonstra sua justiça no tempo presente, para ser ele mesmo justo, e tornar justo aquele que vive a partir da fé em Jesus. Onde estaria, então, o direito de alguém se gloriar? — Foi excluído. Por qual lei? Pela lei das obras? — Absolutamente não, mas, sim, pela lei da fé. Com efeito, julgamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei judaica. Acaso Deus é só dos judeus? Não é também Deus dos pagãos? Sim, é também Deus dos pagãos. Pois Deus é um só.
Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece! Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero. No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minh’alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora. No Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção!
Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Naquele tempo, disse o Senhor: “Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão alguns deles, a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário. Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração. Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”. Quando Jesus saiu daí, os mestres da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa, por qualquer palavra que saísse de sua boca.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos quer revelar alguns aspectos fundamentais do mistério de nossa redenção e da justificação de nossos pecados. As leituras que ouvimos nos apresentam os diversos passos que devemos seguir para obter a libertação e a purificação de nossos pecados. E assim, uma vez redimidos e justificados de nossos pecados, o Senhor nosso Deus deixaria de infligir sobre nós o justo castigo, dando-nos, assim, a gloriosa salvação, no Reino dos céus!
Os Apóstolos nos ensinaram que a partir do momento em que Adão e Eva prevaricaram contra Deus, lá no Paraíso, eles pecaram e cometeram aquele pecado que os Padres da Igreja denominaram de “pecado original”. Desde então, o pecado entrou no mundo e a humanidade ficou sujeita à escravidão do pecado e do Maligno. Como disse São Paulo: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus” (Rm 3, 23). Nem o regime da Lei de Moisés consegui evitar que o homem continuasse pecando. E assim, como consequência disto, somente restou-nos o justo castigo de Deus. Assim, para nos livrar deste justo castigo, Deus enviou a este mundo o seu Filho Jesus Cristo, como nosso Redentor e Salvador. E para obter a redenção e a justificação de nossos pecados era necessário que nos uníssemos a Jesus Cristo pela fé, como disse Paulo: “Com efeito, julgamos que o homem é justificado pela fé em Jesus Cristo, sem a prática da Lei judaica. Acaso Deus é só dos judeus? Não é também Deus dos pagãos? Sim, é também Deus dos pagãos. Pois Deus é um só” (Rm 3, 28-30).
Deste modo, Deus, na sua grande misericórdia, criou para nós um plano de redenção e de salvação. Por isso, Deus Pai decretou, antes da criação do mundo, que o seu Filho Jesus Cristo haveria de morrer, como um cordeiro inocente, e haveria de derramar o seu sangue num sacrifício de expiação dos nossos pecados. Ou seja, a humanidade haveria de receber o perdão de seus pecados e seria redimida de suas iniquidades pelo Sangue de nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo! “Pois, Deus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé” (Rm 3, 25).
Entretanto, caros irmãos, conforme o plano divino, somente se podia obter a graça da redenção dos pecados e a salvação eterna, se nós seguíssemos alguns passos que foram pré-determinados por Deus, o nosso Pai.
O primeiro passo consistia no reconhecimento dos pecados cometidos, num sincero arrependimento. No Evangelho que ouvimos Jesus nos apresentou este primeiro passo, levando os fariseus e os mestres da Lei a se lembrarem de seus pecados, ajudando-os a fazer o exame de consciência, para despertar neles a compunção e o arrependimento, dizendo-lhes: “Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração. Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar” (Lc 11, 47-48; 52).
O passo seguinte consistia na declaração dos próprios pecados a Deus, numa humilde prece ao Senhor, reconhecendo a sua fragilidade diante do mal. Como disse Davi: “Das profundezas eu clamo a vós, Senhor escutai a minha voz! Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero. No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. No Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção” (Sl 129, 1-4; 7)!
A seguir, depositando nas mãos do Senhor os nossos pecados, com fé e pelo sacramento da penitência, devemos acreditar que ele nos haverá de perdoar de todos os nossos pecados, justificando-nos e dando-nos a graça da absolvição. Tudo isto acontece em nós, de acordo com as palavras de Paulo, que disse: “A justiça de Deus, que se realiza mediante a fé em Jesus Cristo, foi dada a todos os que têm a fé. Por isso, a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, realizada em Jesus Cristo. Deus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé” (Rm 3, 2; 24-25).
Por fim, o último passo consistia na perseverança de uma vida na justiça e na santidade, permanecendo firmes no caminho de salvação, em estreita comunhão de fé com Jesus Cristo, nosso Redentor e Salvador! Deste modo estaríamos aptos a receber a graça da salvação e a ressurreição para a vida eterna, como disse Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( Jo 14, 6).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
WhatsApp us