

Noemi tinha um parente por parte do marido, homem poderoso e muito rico, da família de Elimelec, chamado Booz. Rute, a moabita, disse à sua sogra: “Permite que eu vá ao campo apanhar espigas, onde possa encontrar quem se mostre clemente para comigo”. Noemi respondeu: “Vai, minha filha”. Rute foi, pois, colher espigas num campo atrás os ceifeiros. Aconteceu que aquele era justamente o campo de Booz, parente de Elimelec. E Booz disse a Rute: “Ouve, minha filha, não vás apanhar espigas a outro campo, e não te afastes daqui, mas junta-te às minhas servas. Observa onde estão ceifando e vai atrás delas; pois ordenei aos meus servos que ninguém te moleste. Quando tiveres sede, vai aos cântaros e bebe da água de que bebem os meus servos”. Então Rute, caindo-lhe aos pés, inclinou-se profundamente e disse: “Como pude encontrar graça a teus olhos, e te dignaste fazer caso de mim, uma mulher estrangeira?” Respondeu-lhe Booz: “Contaram-me tudo o que fizeste por tua sogra, depois da morte de teu marido: como deixaste teus pais e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que antes não conhecias”. Então Booz tomou Rute e recebeu-a como esposa. Uniu-se a ela e o Senhor concedeu-lhe a graça de conceber e dar à luz um filho. As mulheres diziam a Noemi: “Bendito seja o Senhor, que não permitiu que faltasse um sucessor à tua família e quis que o seu nome se conservasse em Israel, para que tenhas quem console a tua alma e te sustente na velhice, porque nasceu um menino de tua nora, que te ama e é para ti melhor que sete filhos”. E Noemi tomou o menino, colocou-o no colo, e serviu-lhe de ama. As vizinhas congratulavam-se com ela, dizendo: “Nasceu um filho a Noemi!”, e deram-lhe o nome de Obed. Ele foi o pai de Jessé, pai de Davi.
Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem! A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa. Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.
Vós tendes um só Pai, que está no céu, vosso guia é um somente, é o Messias.
Naquele tempo, Jesus falou às multidões e a seus discípulos: “Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas. Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso Guia, Cristo. Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos exorta a vivermos de acordo com as sábias orientações que recebemos do Senhor nosso Deus, observando os seus mandamentos e servindo-o na humildade e na fidelidade. E então, servindo o Senhor deste modo, ele nos recompensará com suas bênção e graças aqui neste mundo, e depois, na vida futura, haveremos de ser exaltados pelo Senhor na glória de seu Reino Eterno!
O autor sagrado que compôs o Livro de Rute quis dar-nos um belo testemunho de uma mulher estrangeira e pagã, chamada Rute, que havia se casado com um judeu e que se convertera à fé judaica. Depois da morte do marido, ela que era moabita, veio a se estabelecer na cidade de Belém de Judá, junto com sua sogra Noemi. Rute, por ter-se destacado no meio do povo de Israel por sua conduta exemplar, comportando-se como uma mulher amável e humilde, temente a Deus e cumpridora dos mandamentos divinos e das tradições judaicas, foi muito bem acolhida pelo povo de Israel. Por isso, Booz, parente de sua sogra Noemi, ao tomar conhecimento de Rute, lhe disse: “Contaram-me tudo o que fizeste por tua sogra, depois da morte de teu marido: como deixaste teus pais e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que antes não conhecias” (Rt 2, 11).
Deus vendo esta conduta irrepreensível de Rute, quis cobri-la de suas bênçãos, derramando as suas graças sobre Rute e sobre toda a família de Noemi, sua sogra. Então Booz, homem rico e parente de Noemi, habitante de Belém, que tinha direitos de resgate sobre Rute, decidiu casar-se com ela. “Então, Booz tomou Rute e recebeu-a como esposa. Uniu-se a ela e o Senhor concedeu-lhe a graça de conceber e dar à luz um filho. As mulheres diziam a Noemi: ‘Bendito seja o Senhor, que não permitiu que faltasse um sucessor à tua família e quis que o seu nome se conservasse em Israel, para que tenhas quem console a tua alma e te sustente na velhice, porque nasceu um menino de tua nora, que te ama e é para ti melhor que sete filhos’. E deram-lhe o nome de Obed. Ele foi o pai de Jessé, pai de Davi” (Rt 4, 13-17).
Booz e Rute, então, colocando-se diante do Senhor Deus de Israel, cheios de alegria e gratidão, louvavam ao Senhor, dizendo: “Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem! Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida” (Sl 127, 1-2; 4-5).
No Evangelho que ouvimos, encontramos uma situação totalmente adversa e contrária ao que nós vimos no Livro de Rute. Nesta passagem do Evangelho, Jesus Cristo advertia os seus discípulos a respeito do comportamento inadequado e hipócrita dos sumos sacerdotes, dos mestres da Lei e dos fariseus, que se apresentavam como pessoas íntegras e irrepreensíveis diante do povo, com a autoridade de interpretar e ensinar a Lei de Deus, mas eles mesmos, pessoalmente, não tinham nenhuma disposição de praticar aquilo que ensinavam aos outros. Por isso, de nada lhes servia tal conhecimento das coisas de Deus, por causa deste comportamento fingido e hipócrita; pois eles queriam apenas ser bem vistos pelos homens, sem se importarem em agradar a Deus, que era o objetivo principal da Lei e da religião judaica. Por isso, disse Jesus: “Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros” (Mt 23, 2-5).
Entretanto, bem outra deveria ser a atitude dos seus discípulos, se eles quisessem agradar ao Senhor e servi-lo de todo o coração! Visto que, todo bom discípulo deveria ter sempre os seus olhos voltados ao Pai do céu, a quem deveriam fazer todo esforço em agradá-lo, sem se importarem com os comentários dos homens; como disse Jesus: “Mas vós não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros” (Mt 23, 3-5).
E a seguir, Jesus determinou aos seus discípulos que ninguém atribuísse a si mesmo uma condição superiora aos outros irmãos, para evitarem todo tipo de presunção e de vaidade mundana. Afim de que todos reconhecessem que Jesus Cristo era o único Pastor supremo de sua Igreja! Por isso, Jesus disse: “Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso Guia, Cristo.” (Mt 23, 8-10).
E finalmente, Jesus concluiu o seu discurso, dizendo: “Portanto, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado” (Mt 23, 11-12). Pois, todos aqueles que soubessem manter-se, aqui neste mundo, numa conduta de vida humilde e simples – suportando, inclusive, maus-tratos e humilhações -, estes, sem dúvida, seriam exaltados na vida futura do Reino dos céus, junto de Deus!
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