

Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés, no deserto de Farã, dizendo: “Envia alguns homens para explorar a terra de Canaã, que vou dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo, e que todos sejam chefes”. Ao fim de quarenta dias, eles voltaram do reconhecimento do país, e apresentaram-se a Moisés, a Aarão e a toda a comunidade dos filhos de Israel, em Cades, no deserto de Farã. E, diante dos filhos de Israel, começaram a difamar a terra que haviam explorado. Então, toda a comunidade começou a gritar, e passou aquela noite chorando. O Senhor falou a Moisés e Aarão, e disse: “Até quando vai murmurar contra mim esta comunidade perversa? Eu ouvi as queixas dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Por minha vida, diz o Senhor, juro que vos farei assim como vos ouvi dizer! Neste deserto ficarão estendidos os vossos cadáveres. Todos vós que fostes recenseados, da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim, não entrareis na terra na qual jurei, com mão levantada, fazer-vos habitar, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Carregareis vossa culpa durante quarenta anos, que correspondem aos quarenta dias em que explorastes a terra, isto é, um ano para cada dia; e experimentareis a minha vingança. Eu, o Senhor, assim como disse, assim o farei com toda essa comunidade perversa, que se insurgiu contra mim: nesta solidão será consumida e morrerá'”.
Pecamos como outrora nossos pais, praticamos a maldade e fomos ímpios. Mas bem depressa esqueceram suas obras, não confiaram nos projetos do Senhor. No deserto deram largas à cobiça, na solidão eles tentaram o Senhor. Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; Até pensava em acabar com sua raça, não se tivesse Moisés, o seu eleito, interposto, intercedendo junto a ele, para impedir que sua ira os destruísse.
Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia.
Naquele tempo, Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. Eis que uma mulher cananeia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. A mulher insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!” Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!” E desde aquele momento sua filha ficou curada.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos apresenta uma situação admiravelmente paradoxal, revelando-nos que Deus trata os seus filhos com justiça e misericórdia. De um lado, vimos os filhos de Israel, depois de averiguarem secretamente as condições dos cananeus, tiveram uma atitude covarde e perversa diante de Deus. Por isso, eles foram severamente castigados pela justiça divina. Por outro lado, vimos uma filha dos cananeus, pagã, ao demonstrar uma fé sincera e humilde em Jesus Cristo, reconhecendo-o como Senhor e filho de Davi, ela foi recompensado com a cura da enfermidade de sua filha E, além da cura, ela obteve a promessa de sua salvação. Sendo, assim, acolhida pela abundância da misericórdia divina!
Deste modo, na leitura do Livro dos Números, nós vimos ali uma das passagens mais lamentáveis e vergonhosas do Povo de Deus, no deserto. Poucos dias depois de terem feito a Aliança com Deus, diante do monte Sinai, eles chegaram próximo daquela região que Deus lhes havia prometido em herança, a Terra Prometida. Depois de terem enviado as pessoas encarregadas para fazer a inspeção daquela região, “ao fim de quarenta dias, eles voltaram do reconhecimento do país, e apresentaram-se a Moisés, a Aarão e a toda a comunidade dos filhos de Israel, em Cades, no deserto de Farã. E, diante dos filhos de Israel, começaram a difamar a terra que haviam explorado. Então, toda a comunidade começou a gritar, e passou aquela noite chorando” (Nm 13, 25-26; 14, 1).
Deus, ouvindo estes lamentos totalmente injustificáveis e perversos, ficou cheio de ira e de indignação contra o seu povo. Diante disto, ele decidiu infligir contra o seu Povo Eleito um dos mais severos castigos, dizendo-lhes: “‘Por minha vida, diz o Senhor, juro que vos farei assim como vos ouvi dizer! Neste deserto ficarão estendidos os vossos cadáveres. Todos vós que fostes recenseados, da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim, não entrareis na terra na qual jurei, com mão levantada, fazer-vos habitar, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Carregareis vossa culpa durante quarenta anos, que correspondem aos quarenta dias em que explorastes a terra, isto é, um ano para cada dia; e experimentareis a minha vingança. Eu, o Senhor, assim como disse, assim o farei com toda essa comunidade perversa, que se insurgiu contra mim: nesta solidão será consumida e morrerá'” (Nm 14, 28-35). “Pois eles esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; e o Senhor até pensava em acabar com sua raça” (Sl 105, 21; 23).
Por outro lado, na passagem do Evangelho que acabamos de ouvir, nós vimos uma mulher cananeia, educada no paganismo, que teve uma atitude surpreendente em relação a Jesus Cristo, nosso Senhor. Esta mulher, sendo estrangeira e pagã, devia ter recorrido, anteriormente, aos médicos ou curandeiros, mas nenhum deles conseguira curar a sua filha daquele mal que ela sofria.
Mas, depois de ouvir falar de Jesus, que diziam a seu respeito: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo” (Lc 7, 16). Acreditando sinceramente em seus poderes divinos de curar as pessoas, a mulher cananeia foi ao encontro de Jesus, e, declarando a sua fé em Jesus Cristo, pôs-se a gritar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” (Mt 15, 22). Sem dar-lhe atenção, Jesus começou a testar a sua fé e a sua humildade, usando uma linguagem veladamente discriminatória e ofensiva, dizendo: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. A mulher, sem deixar-se abater por estas palavras de Jesus, humildemente insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos” (Mt 15, 24-27)! Jesus, uma vez convencido de sua fé e de sua humildade, disse-lhe: “‘Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres’! E desde aquele momento sua filha ficou curada” (Mt. 15, 28).
E todos aqueles que viram estes prodígios realizados por Cristo, todos aclamavam, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia” (Lc 7, 16).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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