

O Senhor falou a Moisés no monte Sinai, dizendo: O quinquagésimo ano será para vós um ano de jubileu: não semeareis, nem colhereis o que a terra produzir espontaneamente, nem colhereis as uvas da vinha não podada; pois é um ano de jubileu, sagrado para vós, mas podereis comer o que produziram os campos não cultivados. Nesse ano de jubileu cada um poderá retornar à sua propriedade. Se venderes ao teu conterrâneo, ou dele comprares alguma coisa, que ninguém explore o seu irmão; de acordo com o número de anos decorridos após o jubileu, o teu conterrâneo fixará para ti o preço de compra, e de acordo com os anos de colheita, ele fixará o preço de venda. Quanto maior o número de anos que restarem após o jubileu, tanto maior será o preço da terra; quanto menor o número de anos, tanto menor será o seu preço, pois ele te vende de acordo com o número de colheitas. Não vos leseis uns aos outros entre irmãos, mas temei o vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus”.
Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos. Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações. A terra produziu sua colheita: o Senhor e nosso Deus nos abençoa. Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a terra!
Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles!
Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus.
Caríssimos irmãos em nosso Senhor Jesus Cristo! A Liturgia da Palavra nos fala sobre a instituição mosaica da festa do Ano Jubilar, que deveria ser celebrado a cada cinquenta anos em Israel. Era uma festa relacionada à vida agrária para promover a fraternidade e a justiça social em Israel. E no Evangelho nós nos deparamos com uma das mais vergonhosas e cruéis injustiças cometidas em Israel, quando Herodes mandou decapitar João Batista.
Deus instituiu em Israel desde o princípio, além das festividades anuais, um Ano Jubilar a cada cinquenta anos. Conforme a Sagrada Escritura, “o Senhor falou a Moisés no monte Sinai, dizendo: O quinquagésimo ano será para vós um ano de jubileu. Contarás sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos, o que dará quarenta e nove anos. Então farás soar a trombeta no décimo dia do sétimo mês. No dia da Expiação fareis soar a trombeta por todo o país. Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação para todos os habitantes do país: será para vós um jubileu” (Lv. 25, 1; 8-11). Este jubileu deveria ser respeitado pelos judeus como uma ordem divina, pois o Senhor havia decretado este Ano Jubilar como um ano sagrado, dedicado ao Senhor.
Deus, ao instituir este Ano Sabático, pretendia despertar no seu povo eleito uma série de virtudes sociais e comunitárias muito importantes, tais como: a generosidade, o perdão, a liberalidade, a justiça, o desapego dos bens materiais e ,sobretudo, a confiança na providência divina. Virtudes estas, com certeza, muito difíceis de serem aplicadas, pois elas dependem, sobretudo, da boa vontade e da boa disposição de todos. Por isso, Deus fez a seguinte advertência: “Não vos leseis uns aos outros entre irmãos, mas temei o vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 25, 17). É claro que esta lei do Ano Jubilar teve as suas dificuldades, no decorrer dos anos, mas os judeus procuraram, na medida do possível, aplicá-la corretamente!
O Evangelho que nós ouvimos, caros irmãos, nos apresentou um assunto completamente diverso da leitura anterior, falando-nos a respeito de uma grave injustiça cometida contra João Batista. Nos foi apresentado, ali, o maravilhoso testemunho de fé e de fidelidade a Deus do grande profeta João Batista. Ele foi tratado da mesma forma que todos os verdadeiros profetas foram tratados. Ele foi o primeiro a aplicar em sua vida o Evangelho das bem-aventuranças, que dizia: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque deles há de ser o Reino dos céus” (Mt 5, 10)! Na verdade, João era odiado pelos iníquos Herodes e Herodíades, exatamente por ser justo e ser profeta. Ambos o odiavam e queriam matá-lo por que ele teve a santa audácia de adverti-los de estarem em uma convivência conjugal adúltera. Eles, Herodes e Herodíades, embora fossem judeus relapsos e perversos, continuavam sujeitos as Lei do Decálogo, que lhes proibia a prática do adultério.
João Batista, portanto, deu a sua vida defendendo a dignidade e a santidade do matrimônio, segundo a Lei divina e conforme o Evangelho de Cristo! “De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Pois João tinha dito a Herodes: ‘Não te é permitido tê-la como esposa’. Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta” (Mt 14, 3-5). Aparecendo-lhe a oportunidade, “Herodes mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus” (Mt 14, 10-12).
Os discípulos de João e os discípulos de Jesus, depois de darem a João Batista um digno sepultamento, elevaram a Deus um canto de louvor e gratidão por ter-lhes concedido a graça de um profeta tão justo e santo, dizendo: “Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos. Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações” (Sl 66, 1–5).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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