

O Senhor falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo. Depois, Moisés voltava para o acampamento, mas o seu jovem ajudante, Josué, filho de Nun, não se afastava do interior da Tenda. Moisés permaneceu diante de Deus invocando o nome do Senhor. Enquanto o Senhor passava diante de Moisés, ele o invocava, proclamando: “O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações, e perdoa culpas, rebeldias e pecados, mas não deixa nada impune, pois castiga a culpa dos pais nos filhos e netos, até à terceira e quarta geração!” Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”. Moisés esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.
O Senhor realiza obras de justiça e garante o direito aos oprimidos; revelou os seus caminhos a Moisés, e aos filhos de Israel, seus grandes feitos. O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes. Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem.
A semente é de Deus a palavra, Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.
Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão a fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos fala a respeito do tratamento que Deus deu aos seus amigos que foram eleitos para serem os seus pontífices e profetas diante do povo. Verificamos que havia um evidente tratamento diferenciado que o Senhor Deus reservava a Moisés e Aarão, em relação ao povo hebreu; revelando-lhes, os Dez Mandamentos da Lei de Deus! Por outro lado, o Senhor Jesus Cristo teve uma atitude semelhante em relação aos Doze Apóstolos. Jesus sempre reservou aos apóstolos um tratamento privilegiado, explicando-lhes reservadamente o sentido espiritual de seu Evangelho e os mistérios do Reino dos céus!
Portanto, caros irmãos, conforme as leituras que ouvimos, Deus tinha uma intimidade muito estreita com Moisés, falando com ele face a face. Do mesmo modo, verificamos que Jesus tratava os seus apóstolos com uma maior intimidade e familiaridade, ao ponto de explicar-lhes pacientemente, com toda clareza a mensagem evangélica e espiritual das parábolas, revelando-lhes os mistérios da salvação e do seu Reino Eterno. Assim sendo, lá no tempo antigo, no caso de Moisés, foi dito que “o Senhor falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo” (Ex 33, 11). Aqui, nos tempos mais recentes, no evangelho de Mateus, nós vimos que o Senhor Jesus Cristo falava de forma semelhante com os seus apóstolos, reservando-lhes um tratamento todo especial, da seguinte forma: “Jesus, então, deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: ‘Explica-nos a parábola do joio!”‘ (Mt 13, 36)!
A seguir, vimos Moisés dirigindo-se a Deus, implorando a proteção divina ao Povo Eleito, dizendo-lhe: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua” (Ex 34, 9). Por sua vez, os discípulos se dirigiram a Jesus, reconhecendo-o como o sábio Mestre divino, dizendo-lhe:“Senhor, explica-nos a parábola do joio!” (Mt 13, 36). E assim, anuindo ao seu pedido, Jesus se pôs a explicar as parábolas a respeito do Reino, com toda delicadeza e paciência aos seus apóstolos!
Outrora, Moisés, diante do Senhor, permanecia em profunda oração, dizendo: “O Senhor é um Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações, e perdoa culpas, rebeldias e pecados, mas não deixa nada impune, pois castiga a culpa dos pais nos filhos e netos, até à terceira e quarta geração” (Ex 34, 6-7)! Agora, Jesus Cristo diante dos apóstolos, vendo a atitude atenta e solícita deles, pôs-se a explicar a Parábola do Joio, dizendo: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão a fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13, 37-43).
E por fim, Jesus concluiu a sua pregação, apresentando aos apóstolos um breve resumo do sentido espiritual da parábola do “Joio e do Trigo”, dizendo-lhes: “A semente é a palavra de Deus; Cristo é o semeador; e todos aqueles que o encontram receberão a vida eterna” (Acl. ao Ev.).
Deste modo, caros irmãos, concluamos esta nossa reflexão com as palavras do Salmista, que dizia em meio à sua oração: “O Senhor realiza obras de justiça e garante o direito aos oprimidos; revelou os seus caminhos a Moisés, e aos filhos de Israel, seus grandes feitos. O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem. Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem” (Sl 102, 6-8; 11-13)!
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