

Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas e a quem devas mostrar que teu julgamento não foi injusto. A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente. Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder; e nos que te conhecem, castigas o seu atrevimento. No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração: pois quando quiseres, está ao teu alcance fazer uso do teu poder. Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores.
Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração! As nações que criastes virão adorar e louvar vosso nome. Sois tão grande e fazeis maravilhas: vós somente sois Deus e Senhor! Vós, porém, sois clemente e fiel, sois amor, paciência e perdão. Tende pena e olhai para mim!* Confirmai com vigor vosso servo.
Irmãos: O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.
Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra: pois revelas, ó Pai, os mistérios do teu Reino aos pequenos!
Naquele tempo: Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ O dono respondeu: ‘Não! pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!'” Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”. Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste Domingo quer revelar-nos os mistérios do coração de Deus que é ao mesmo tempo justo e misericordioso. Ao mesmo tempo em que os Senhor julga e trata a todos nós com justiça e equidade – considerando nossos atos e as nossas intenções -, ele também nos julga e nos trata com indulgência e bondade – considerando nossas limitações e fragilidades. Por isso, enquanto vivemos neste mundo o Senhor trata a todos com bondade e indulgência. Porém, ao deflagrar o Juízo Final ele há de condenar os maus a um castigo implacável e os justos serão salvos ao seu Reino Eterno!
Em tudo, caros irmãos, o Senhor se mostra superior às suas criaturas, tratando a todos nós com delicadeza e bondade, moderando a sua força e o seu poder. Por isso, o sábio profeta, encantado com as maravilhas do Senhor em toda sua grandeza e simplicidade, pois ele sabe moderar com perfeição a justiça com a sua clemência e o seu poder com suavidade e brandura; como disse o sábio Salomão: “A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente. Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder; e nos que te conhecem, castigas o seu atrevimento. No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração: pois quando quiseres, está ao teu alcance fazer uso do teu poder. Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores” (Sb 12, 16-19).
O profeta Davi, num dos mais belos salmos, elevava ao Senhor um cântico de louvor pela sua imensa bondade e pelo cuidado que ele dispensava aos simples e humildes, dizendo: “Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Sois tão grande e fazeis maravilhas: vós somente sois Deus e Senhor! Vós, porém, sois clemente e fiel, sois amor, paciência e perdão. Tende pena e olhai para mim! Confirmai com vigor vosso servo” (Sl 85, 5; 10; 15-16).
São Paulo, seguindo este mesmo raciocínio, nos instruía e nos encorajava a perseverarmos no caminho do bem e na prática das boas obras, apesar de nossas fragilidades; visto que, o Senhor derrama sobre nós as suas graças, infundindo em nossos corações o Espírito Santo que nos fortalece e nos ilumina, dizendo: “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos” (Rm 8, 26-27).
Finalmente, caros irmãos, o nosso Senhor Jesus Cristo veio em nosso socorro ensinando-nos com todo carinho e bondade, dando-nos o seu Evangelho e o conhecimento dos mistérios de seu pensamento, dizendo: “Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra: pois revelas, ó Pai, os mistérios do teu Reino aos pequenos” ( Mt 11, 25)! E quando ele se pôs a ensinar os mais complexos e elevados mistérios divinos e os desígnios de Deus a nosso respeito, ele falou-nos de um modo muito simples e acessível, fazendo uso de comparações e parábolas. Por isso, toda vez que ele falava sobre o Reino do céus, ele utilizava-se de metáforas e parábolas, como disse Mateus: “Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo” (Mt 13, 34-35).
E, deste modo, quando Jesus quis explicar os mistérios da justiça e da misericórdia em seu Reino, ele fez uso da “parábola do trigo e do joio”. E, por fim, ele mesmo apresentou o sentido espiritual desta parábola, dizendo:“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13, 37-43). Assim será, portanto, no Juízo Final: os justos serão resgatados e salvos pelo Senhor, que os conduzirá ao seu Reino Eterno; e os maus serão condenados à eterna danação, sendo lançados na fornalha de fogo; como disse o Senhor, o Justo Juiz!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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