

Abrão habitou na terra de Canaã, enquanto Ló se estabeleceu nas cidades próximas do Jordão e armou suas tendas até Sodoma. Ora, os habitantes de Sodoma eram péssimos e grandes pecadores diante do Senhor. E o Senhor disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: “Ergue os olhos e, do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente: toda essa terra que estás vendo, eu a darei a ti e à tua descendência para sempre. Tornarei tua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se alguém puder contar os grãos do pó da terra, então poderá contar a tua descendência. Levanta-te e percorre este país de ponta a ponta, porque é a ti que o darei”. Tendo desarmado suas tendas, Abrão foi morar junto ao carvalho de Mambré, que está em Hebron, e ali construiu um altar ao Senhor.
“Senhor, quem morará em vossa casa?” É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Que em nada prejudica o seu irmão, nem cobre de insultos seu vizinho; que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor não empresta o seu dinheiro com usura, nem se deixa subornar contra o inocente. Jamais vacilará quem vive assim!
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não deis aos cães as coisas santas nem atireis vossas pérolas aos porcos, para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem. Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram!”
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo! A Liturgia da Palavra nos apresenta, no Livro do Gênesis, as grandes promessas que Deus fez a Abrão. Na passagem do Livro do Gênesis de hoje, Deus prometeu-lhe uma terra imensa, tanto a ele quanto à sua descendência. Já no Evangelho, Jesus Cristo deu continuidade às suas sábias e evangélicas lições de vida, estimulando as pessoas a tomarem o caminho de vida e de salvação; prometendo-lhes a vida eterna no Reino dos céus se seguissem firmes pelo caminho estreito dos seus conselhos e preceitos.
Abrão, chegando em Canaã, continuou servindo ao seu Senhor, recebendo, por meio de sua orações, as bênçãos e revelações divinas. Embora ele pudesse ter se estabelecido em qualquer lugar naquele imenso território de Canaã, bem como poderia desfrutar dos confortos de uma cidade ali bem perto, em Sodoma, com havia feito Ló. Contudo, ele preferiu estabelecer-se num lugar humilde e retirado. Pois, ele sabia muito bem que na bela e opulenta Sodoma haveria de ser, seguramente, hostilizado por causa de sua fé e do seu estilo de vida. Pois, “os habitantes de Sodoma eram péssimos e grandes pecadores diante do Senhor” (Gn 13, 13). Ele percebeu que teria enormes dificuldades de continuar servindo ao Senhor, em meio ao burburinho da cidade, que levava um estilo de vida totalmente avesso ao dele. Por isso, ele se estabeleceu num lugar ermo, distante dos outros homens, para poder servir e adorar a Deus em paz e de todo coração. “Abrão foi, então, morar junto ao carvalho de Mambré, que está em Hebron, e ali construiu um altar ao Senhor” (Gn 13, 18).
Ali, em Hebron, Abrão estabeleceu a sua tenda e conduzia a sua vida sob os olhos do Altíssimo, preparando-se para morar eternamente com Deus, na sua casa, como dizia o profeta: “Senhor, quem morará em vossa casa?” É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Que em nada prejudica o seu irmão, nem cobre de insultos seu vizinho; que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor Jamais vacilará quem vive assim” (Sl 14, 1-5)!
E em resposta à sua fé e à sua devoção a Deus, o Senhor disse a Abrão: “Ergue os olhos e, do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente: Toda essa terra que estás vendo, eu a darei a ti e à tua descendência para sempre. Tornarei tua descendência tão numerosa como o pó da terra” (Gn 13, 14-16).
Voltando-nos para o Evangelho que acabamos de ouvir, encontramos Jesus Cristo pregando o seu Sermão da Montanha. Nesta passagem da sua pregação, Jesus apresentou três sentenças bem curtas, repletas de sabedoria. A primeira sentença foi a seguinte: “Não deis aos cães as coisas santas nem atireis vossas pérolas aos porcos, para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem” (Mt 7, 6). Ou seja, que, futuramente, nenhum dos discípulos deveria permitir que os perversos e aqueles que vivessem em estado de pecado mortal compartilhassem das coisas santas que somente os justificados e os que foram devidamente purificados de seus pecados pudessem recebê-las. Certamente Jesus se referia, de modo especial, ao seu preciosíssimo Corpo e Sangue que seria dado à Igreja, mediante o sacramento da Eucaristia.
Na segunda sentença Jesus apresentou o fundamento e o espírito da Lei de Deus, conforme o seu Evangelho, dizendo: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas” (Mt 7, 12). Esta sentença se tornou num dos princípios evangélicos que resumiam a Lei de Deus, tornando-se uma norma de conduta fundamental aos discípulos de Cristo.
E na terceira sentença Jesus fez um veemente apelo para que os discípulos se empenhassem na sua própria salvação, dizendo: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram” (Mt 7, 13-14)! E, neste sentido, Jesus exortava aos seus discípulos a caminharem firmes no caminho estreito que devia levá-los ao Reino dos céus, iluminados pela luz da graça divina, como disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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