

Irmãos, oxalá pudésseis suportar um pouco de insensatez da minha parte. Na verdade, vós me suportais. Sinto por vós um amor ciumento, semelhante ao amor que Deus vos tem. Fui eu que vos desposei a um único esposo, apresentando-vos a Cristo como virgem pura. Porém, receio que, como Eva foi enganada pela esperteza da serpente, também vossos pensamentos se corrompam, afastando-se da simplicidade e pureza devidas a Cristo. De fato, se aparecer alguém pregando outro Jesus, que nós não pregamos, ou prometendo um outro Espírito, que não recebestes, ou anunciando um outro Evangelho, que não acolhestes, vós o suportais de bom grado. No entanto, entendo que em nada sou inferior a esses “super-apóstolos”! Mesmo que eu seja inábil na arte de falar, não o sou quanto à ciência: eu vo-lo tenho demonstrado em tudo e de todas as maneiras. Acaso cometi algum pecado pelo fato de vos ter anunciado o Evangelho de Deus gratuitamente, humilhando-me a mim mesmo para vos exaltar? Para vos servir, despojei outras Igrejas, delas recebendo o meu sustento. E, quando, estando entre vós, tive alguma necessidade, não fui pesado a ninguém, pois os irmãos vindos da Macedônia supriram as minhas necessidades. Em todas as circunstâncias, cuidei – e cuidarei ainda – de não ser pesado a vós. Tão certo como a verdade de Cristo está em mim, essa minha glória não me será arrebatada nas regiões da Acaia. E por quê? Será porque eu não vos amo? Deus o sabe!
Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, *
realizados na verdade e retidão.
Recebestes um espírito de adoção, no qual clamamos Aba! Pai!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.
Caríssimos irmãos, em Cristo Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos exorta a elevarmos a Deus orações, hinos e salmos de louvor e de adoração, para expressarmos a Deus o nosso culto, o nosso amor, a nossa fé e a nossa piedade. Entretanto, esta oração e este culto de adoração a Deus deve estar em conformidade com a doutrina ensinada por Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador, e pelos seus apóstolos e profetas!
Jesus, o Divino Mestre, nos ensinou em seu Sermão da Montanha o modo como devemos proceder em nosso relacionamento com Deus, no momento em que nos colocarmos diante dele em oração. Assim como existiram pessoas que nos ensinaram o modo correto de conversar e dialogar com as pessoas, Jesus Cristo, o Mestre e Doutor nas coisas espirituais e divinas, nos deu, no Sermão da Montanha, uma magistral aula a respeito da oração, demonstrando que ela seria um modo privilegiado de nos relacionar e dialogar com Deus e de expressarmos a ele a nossa fé e o nosso amor. A primeira lição que ele nos deu foi o de chamar-nos a atenção de que não seria a abundância de palavras que tornaria a oração boa. Por isso, ele logo foi dizendo: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais” (Mt 6, 7-8).
Além disto, enquanto Jesus apresentava a sua oração, ele alertou os seus discípulos a respeito das palavras utilizadas na oração, dando a entender que as palavras ditas na oração deveriam estar em conformidade com a fé que havíamos recebido de Cristo, e que se encontravam na Palavra de Deus. Assim, através da oração, nós conseguiríamos expressar a nossa fé, a nossa piedade, o nosso amor, a nossa adoração a Deus. Bem como deveríamos manifestar a Deus – pela oração – a nossa humildade, a nossa contrição dos pecados e a nossa disposição em servi-lo sinceramente, de todo coração! Por isso, ao elevarmos a Deus as nossas preces, deveríamos honrá-lo em toda a sua glória e poder divinos. Visto que, somente assim a nossa oração agradaria a Deus! Por isso, em nossa oração deveríamos dizer: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.” (Mt 6, 9-13).
São Paulo, na sua Carta aos Corintos, se mostrou preocupado com a perseverança fiel dos cristão de Corinto, e de toda a Acaia, na fé e na doutrina verdadeira que eles tinham recebido dos apóstolos. Por isso, Paulo os advertia dizendo que o culto que eles prestavam ao Senhor e as suas orações somente chegariam até Deus se eles guardassem fielmente a fé que receberam dos apóstolos. A comunhão de vida com Deus somente seria possível se permanecessem unidos a Cristo e ao Espírito Santo, mediante uma fé verdadeira e fiel. E eles somente seriam salvos se perseverassem firmes no Evangelho da salvação que lhes fora pregado.
Por isso, Paulo lhes disse: “Eu receio que, como Eva foi enganada pela esperteza da serpente, também vossos pensamentos se corrompam, afastando-se da simplicidade e pureza devidas a Cristo. De fato, se aparece alguém pregando outro Jesus, que nós não pregamos, ou prometendo um outro Espírito, que não recebestes, ou anunciando um outro Evangelho, que não acolhestes, vós o suportais de bom grado. No entanto, entendo que em nada sou inferior a esses ‘super-apóstolos’” (2Cor 11, 3-5)! Pois, “fui eu que vos desposei a um único esposo, apresentando-vos a Cristo como virgem pura” (2Cor 11, 2). E por fim, ele completou dizendo que foi por meio da graça divina que vós “recebestes um espírito de adoção, no qual clamamos Aba! Pai” (Rm 8, 15)!
Além de tudo isto, caríssimos irmãos, encontramos nos salmos um verdadeiro compêndio de orações. Eles foram inspirados pelo próprio Espírito Santo para serem utilizados por nós no momento de fazermos as nossas orações. Por isso, ao fazermos uso dos salmos em nossa oração podemos estar certos de que as nossas preces chegarão até aos ouvidos de Deus, pois eles são profundamente agradáveis a ele! Portanto, é necessário que os fiéis cristãos elevem a Deus salmos de louvor e ação de graças em suas orações, dizendo: “Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão” (Sl 110, 1; 3; 7-8).
WhatsApp us