

Quero dar-te graças e louvar-te, e bendirei o nome do Senhor. Na minha juventude, antes de andar errante, procurei abertamente a sabedoria em minhas orações; diante do santuário eu suplicava por ela e até o fim vou procurá-la; ela floresceu como a uva temporã. Meu coração nela colocou sua alegria; meu pé andou por um caminho reto, e desde a juventude segui suas pegadas. Inclinei um pouco o ouvido e a acolhi, e encontrei para mim abundante instrução, e por meio dela fiz grandes progressos: por isso glorifico a quem me dá a sabedoria. Porque resolvi pô-la em prática, procurei o bem e não serei confundido. Minha alma aprendeu com ela a ser valente, e na prática da Lei procurei ser cuidadoso. Levantei minhas mãos para o alto e me arrependi por tê-la ignorado. Para ela orientei a minha alma e na minha purificação a encontrei.
A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. o mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz. É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente. Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.
A palavra de Cristo ricamente habite em vós, dando graças, por ele, a Deus Pai!
Naquele tempo, Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” Jesus respondeu: “Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderes, eu vos direi com que autoridade faço isso. O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me”. Eles discutiam entre si: “Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Por que não acreditastes em João?’ Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus disse: “Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas”.
Caríssimos irmãos em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos apresenta um belo testemunho de que Deus escolheu o seu Santuário, o Templo de Jerusalém, como a sua “Casa de Oração” e Casa de encontro de Deus com o seu Povo. Pois, o Templo de Jerusalém era o lugar privilegiado de encontro de todos os povos com Deus; bem como, ali no Santuário, Deus transmitia a sua Lei e a sua Sabedoria aos homens. Além disso, o próprio Jesus disse que o Santuário lhe pertencia, e que ele tinha toda autoridade divina de exercer, ali naquele recinto, o seu ministério de pregar a Palavra de Deus!
A leitura do Evangelho de hoje é, na verdade, uma continuação da leitura de ontem. Neste caso, a passagem do Evangelho de hoje está de tal modo unida à passagem do Evangelho de ontem que ficaria incompreensível se não levássemos em conta os versículos anteriores. Por isso, depois de ter expulsado os vendilhões do Templo, Jesus permaneceu no recinto do Santuário, pregando ao povo que ali estava. Então, “os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso” (Mc 11, 27-28). Contudo, Jesus não lhes respondeu a pergunta que lhe fizeram; mas ficou subentendido que ele, sendo Deus, tinha toda a autoridade de ocupar o Templo e exercer ali o seu ministério profético.
A seguir, Jesus lhes deu a seguinte explicação a respeito de sua forma de tratar o Templo, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões” (Mc 11, 17). E naquele momento, em reação às palavras de Jesus, “os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar” (Mc 11, 18).
Ao mesmo tempo em que as autoridades do Templo estavam assustadas com a audácia de Jesus, de os ter enfrentado de uma forma tão enérgica e corajosa; as autoridade religiosas do Templo ficaram cegas de ódio e de cólera. Mas não podiam tomar nenhuma atitude violenta contra Jesus, pois temiam a multidão que os rodeava! Por isso, levantaram aquele interrogatório para arrancar da sua boca um pretexto para incriminá-lo e acusá-lo diante do Sinédrio, para levá-lo à morte! Entretanto, eles nem perceberam que Jesus já lhes havia dito antes, às claras, citando a Escritura Sagrada, que ele era o Deus e Senhor daquele Templo, ao dizer-lhes: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’”(Mc 11, 17)?
Este santuário, o Templo de Jerusalém, como casa de oração, sempre foi para os judeus piedosos e tementes a Deus como um lugar privilegiado de encontro com Deus. Pois ali eles podiam receber as melhores inspirações divinas nas orações feitas diante do Senhor; sendo, assim, iluminados por aquela sabedoria de Deus, como dizia o sábio profeta: “Quero dar-te graças e louvar-te, e bendirei o nome do Senhor. Na minha juventude, antes de andar errante, procurei abertamente a sabedoria em minhas orações; diante do santuário eu suplicava por ela e até o fim vou procurá-la; por isso glorifico a quem me dá a sabedoria” (Eclo 51, 17-19; 23).
Pois, era no Santuário que devia ser proclamada a Palavra do Senhor e anunciada a perfeita sabedoria que se encontra na Lei do Senhor Deus, conforme as palavras do profeta: “A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente. Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.” (Sl 18, 8-11).
Por fim, caríssimos irmãos, acolhamos as palavras de Paulo, que nos exortou a recebermos com amor o Evangelho de Cristo em nossos corações, para transformar-nos em verdadeiros santuários do Senhor e da sua Palavra. Por isso, Paulo nos fez a seguinte exortação: “Que a palavra de Cristo habite ricamente em vós, dando graças, por ele, a Deus Pai” (Cl 3, 16.17)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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