

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, no meio dos onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão. “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”.
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado: eles me dão a segurança! Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo, e com óleo vós ungis minha cabeça; o meu cálice transborda. Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.
Caríssimos, se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isso vos torna agradáveis diante de Deus. De fato, para isso fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.
Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim.
Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.
Caríssimos discípulos e discípulas do Cristo Ressuscitado, o nosso Salvador! A Liturgia da Palavra deste 4º Domingo da Páscoa, nos coloca diante de Jesus Cristo, o Bom Pastor, que veio a este mundo como o nosso Redentor e o nosso Salvador, para conduzir-nos nos caminhos da redenção e da salvação, como ovelhas do seu rebanho! Abrindo-nos, assim, a porta que nos introduzirá no seu Reino de vida eterna!
Assim, caros irmãos, no Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus nos apresentou duas parábolas sobre si mesmo, e sobre os seu ministério de redenção e de salvação aqui neste mundo, dizendo que: 1º – Ele foi estabelecido por Deus Pai para ser o “Bom Pastor” que haveria de conduzir as suas ovelhas para dentro do seu Redil, que se encontrava no seu Reino Eterno! 2º – Ele era a “Porta”, por onde deveriam passar todas as suas ovelhas que buscassem a vida e a salvação no seu Reino Celeste!
Em primeiro lugar, a imagem de Pastor sempre foi muito cara a Jesus Cristo. Ele proclamava frequentemente, dizendo a todos os homens, povos e nações, de todos os lugares e de todas as gerações: “Eu sou o bom Pastor” (Jo 10, 11)! Embora Jesus fosse um pastor universal, que tinha ovelhas dispersas pelo mundo inteiro, entre as diversas nações, ele tinha uma solicitude toda especial pelas ovelhas que pertenciam ao Povo de Deus. Já no Antigo Testamento, muitos profetas apresentaram Deus como o Pastor de Israel. Ele era aquele Deus que cuidava, guardava, protegia, apascentava, alimentava e reunia o seu povo em torno de si, e os conduzia como um pastor que apascentava com toda solicitude e amor as suas ovelhas.
Nos dias de Jesus, este Povo Eleito se encontrava em grandes aflições e dificuldades, e muitos deles estavam dispersos entre os povos e as nações pagãs! Davi, num dos mais belos salmos compostos por ele, vislumbrando profeticamente o Senhor Jesus Cristo, reconhecendo-o como o Bom Pastor, proclamou-o como o Divino Pastor de Israel, dizendo: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha e restaura as minhas forças. Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos (Sl 22, 1-4). Jesus era, portanto, o verdadeiro, o legítimo e o bom pastor! Todas as suas ovelhas podiam confiar nele, pois ele conhecia pessoalmente cada ovelha, e ele sabia quem fazia parte do seu rebanho, ao dizer: “Eu sou o bom pastor; e eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim” (Jo 10, 14).
E, ao mesmo tempo em que Jesus desempenhava o ministério de Divino e Bom Pastor – segundo as suas palavras -, ele também se apresentava como sendo a “Porta das ovelha”. Ou seja, ele se apresentava como aquela porta espiritual e mística, que se abria ao aprisco do Senhor; que era aquele lugar repleto de vida e de salvação! Por isso, ele dizia: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem” (Jo 10, 9). “E quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz (Jo 10, 2-4). Este bom e divino Pastor Jesus Cristo é aquele que conduz os seus discípulos ao Reino de vida eterna, e lá ele haverá de apascentá-los numa vida de glória e bem-aventurança!
São Pedro, no seu sermão do dia de Pentecostes, revelou-nos que Jesus Cristo, o Bom Pastor, veio a este mundo exatamente com a missão de congregar todas as suas ovelhas que se encontravam dispersas no meio de todas as nações. Porém, antes de tudo, o Bom e Divino Pastor precisava redimir e curar as suas ovelhas, que estavam feridas e dominadas pelo pecado. Por isso, Jesus sofreu deliberadamente o sacrifício da cruz, para dar a sua vida em remissão dos pecados de suas ovelhas; como disse São Pedro: “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes. Portanto, caros irmãos, convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados” (At 2, 36; 38).
E, logo a seguir, Pedro revelou o grande mistério de redenção, ao proclamar que Jesus, o Bom Pastor, havia derramado o seu sangue pela remissão dos pecados de suas ovelhas; afim de redimir e salvar todas as ovelhas do seu rebanho, dizendo: “Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. Vós que andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas” (1Pd 2, 24-25).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
WhatsApp us